Para a CNA, há também potencial de perda de mercado para o agronegócio brasileiro em itens produzidos pelos Estados Unidos, nos quais o Brasil complementa o abastecimento norte-americano com as exportações. "É o caso da carne bovina, na qual a produção local (nos EUA) alcança 12,3 milhões de toneladas, mas o consumo atinge 13 milhões de toneladas, e do óleo de soja, entre outros produtos, nos quais o consumo fica próximo da produção", apontou a entidade.
A confederação avaliou também os impactos para os produtos do agronegócio brasileiro com base na "sensibilidade" das importações americanas em relação às variações de preços dos bens importados, considerando que haverá sobretaxa de 10% sobre os produtos brasileiros, o qual tende a ser repassado para os preços no mercado americano. "O resultado mostra que os principais produtos afetados seriam justamente aqueles em que o Brasil é dominante no mercado dos EUA, como por exemplo os sucos de laranja e outras frutas, o etanol e o açúcar que concorrem em parte com a produção interna dos EUA", pontuou a CNA, ponderando que pode haver desvios de comércio em casos em que os concorrentes brasileiros enfrentem maiores tarifas.
De acordo com a análise preliminar da entidade, para o suco de laranja brasileiro, a importação dos Estados Unidos com tarifa adicional de 10% em relação à alíquota atual de importação cairia de 1,004 bilhão de litros (base 2023) para cerca de 261 milhões de litros. Ou seja, uma perda de exportação para o Brasil de 743 milhões de litros de suco de laranja exportados em cenário de tarifas elevadas. A alíquota atual de importação de suco de laranja sairia de 5,9% para 15,9%.
No etanol, a CNA projeta uma queda de demanda americana pelo produto brasileiro de até 41 milhões de litros, saindo de 337 milhões de litros (base embarques 2023) para 296 milhões de litros com a elevação da tarifa de 2,5% para 12,5%.
Para o açúcar, o impacto pode chegar a 28 mil toneladas, estima a CNA, passando de exportações brasileiras de 73 mil toneladas (base 2023) para 45 mil toneladas, com o aumento da tarifa de 33% para 43%. Em carne bovina congelada, o recuo dos embarques pode chegar até 17 mil toneladas ante as 20 mil toneladas exportadas em 2023, em virtude da alta das tarifas de importação de 26,4% para 36,4%.
(Com Agência Estado)
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.