Sexta-Feira, 21 de Junho de 2019, 11h:30

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Medeiros pede que PGR investigue suposta venda de mandato de Jean Wyllys

“O Brasil vai ficar de quatro para esses caras, tendo indícios fortes de que eles venderam mandato, que eles aprontaram?", questiona parlamentar

Por: PAULO COELHO

O senador José Medeiros (Podemos) decidiu estender denúncia ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência da República e à Procuradoria Geral da República (PGR), para que haja investigação ampliada sobre a interceptação de mensagens do ex-juiz Sérgio Moro e procuradores da Operação Lava Jato. Medeiros quer que conste das investigações a suposta venda de mandato parlamentar por parte do ex- deputado federal Jean Wyllys (PSOL), que mesmo se reelegendo no pleito de 2018, decidiu não tomar posse para o  mandato vigente, deixando, assim, a vaga para seu suplente, o ex-vereador carioca David Miranda, também do PSOL.

Divulgação

Deputado federal Jos? Medeiros

 Deputado José Medeiros

Pela leitura de Medeiros, “há muitos pontinhos que, se forem ligados” despejam sérias suspeitas sobre o caso do “vazamento”.

David Miranda é casado com o jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept, veículo que publicou as mensagens particulares, interceptadas do diálogo entre Moro e o procurador federal Deltan Dallagnol, pelo aplicativo Telegram (de propriedade russa).

José Medeiros atentou-se para a relação de trabalho de Greenwald com o analista de sistemas Edward Snowden, que seria o braço operacional  das interceptações. Investigações da Polícia Federal em busca dos hackers que teriam interceptado as mensagens do telegram, levam a Rússia, onde reside Snowden. Em 2013 Snowden vazou documentos da NSA (Agência de Segurança Nacional) e que foram utilizados por Greenwald em uma série de reportagens.

“O Brasil vai ficar de quatro para esses caras, tendo indícios fortes de que eles venderam mandato, que eles aprontaram? Isso precisa, no mínimo, de ser  investigado”, disse Medeiros à reportagem do HNT/HiperNoticias, negando que sua denúncia seja uma  espécie de teoria da conspiração.

“Estamos falando de um caso em que o rapaz [Greenwald] envolvido com o espião [David Miranda], que levava os equipamento e que foi preso em Londres [em 2013, acusado de terrorismo]. Esse rapaz vem parar com o parceiro sexual dele no Brasil e ele aparece com um mandato de deputado federal, ganha imunidade, tem acesso a informações sensíveis do País”, analisa Medeiros.

Para José Medeiros, Greenwald “é um agente notadamente ligado ao esquema da ala progressista mundial e o interesse desse povo, não é o interesse brasileiro, é o interesse  de poder deles, da pátria grande, do bolivarianismo”. “Eu quero saber se esses caras armaram isso tudo. Por exemplo, tá provado que eles tinham conexão com a invasão dos equipamentos, do Telegram  do Moro,  do Dellagnol”, salientou o deputado, alegando não estar fazendo defesa de Moro e Deltan.

“Tô fazendo sim, defesa da maior operação que já se viu no mundo. Telegram é tecnologia Russa, o Snowden mexe com isso, ele trabalhou na NSA. Essas coisas precisam ser verificadas”, insistiu.

Medeiros  entende que a violação e interceptação em sistemas secretos públicos, como o que afirma ter sido praticado por Greenwald e Snowden, podem prejudicar o Estado de Mato Grosso.

“A nossa vida é comércio exterior. Se os caras estão tendo acesso a tudo, daqui a pouco vamos ter nossa safra prejudicada, nosso Estado prejudicado, porque os caras sabem tudo o que Estado está fazendo”, disse, admitindo que essa desconfiança é mais “um faro policial”, já que antes de ser político, ele era policial rodoviário federal.

 “Eu tento pensar com a cabeça do malandro. Por exemplo,  pensar: se eu fosse um bandido, por onde eu traria uma droga e de que jeito eu faria. Qual estrada eu pegaria? E com esse raciocínio, a polícia tem um tipo e feeling, trabalhei 20 anos nisso”, acrescentou.

Não quis assumir

Sobre a renúncia feita por Jean Wyllys, ao cargo de deputado federal, Medeiros opina que os argumentos apresentados pelo ex-deputado do PSOL, foram frágeis.

“Não ganhou nenhum bom emprego fora daqui, do País; não é um cara rico, o milhão que ele ganhou no Big Brother,  já faz mais de 10 anos, esse dinheiro já se expirou e mesmo que se fosse hoje, não daria para garantir sustento no exterior, não, pois o custo de vida é alto, não dá pra ficar de um lado pro outro sempre, da França pra Nova Iorque, toda hora”, emendou, acrescentando que Wyllys, tinha um bom salário como parlamentar e gozava de um bom trânsito social nos segmentos que têm a bandeira LGBT como defesa.

“Ele era o  rei  da cocada na ala dele, dele. Tudo isso acende uma luz. Ta cheirando patifaria e para o exercício do que se propõe o parceiro sexual do David Miranda, o mandato de deputado federal, é tudo o que ele precisa. Tem acesso a tudo do parlamento, conversa com todo mundo, tá assistindo às coisas in loco. Eles eram parceiros juntos, naquele crime na Inglaterra, porque roubaram documentos dos  americanos que estavam levando para Snowden", finalizou.

Snowden vazou documentos da NSA

Em 2013, Edward Snowden vazou detalhes de programas de espionagem dos Estados Unidos e se refugiou na Rússia para evitar ser processado. Snowden era prestador de serviços para a Agência de Segurança Nacional (NSA) e revelou programas de espionagem secretos que permitiam registrar dados de ligações e outras comunicações de americanos sem permissão expressa de uma ordem judicial, algo que transgride a Constituição, além de espionar aliados estrangeiros. Líderes mundiais foram espionados, inclusive a ex-presidente brasileira, Dilma Rousseff. Utilizando o material vazado por Snowden, Glenn Greenwald fez uma séríe de reportagens publicadas pelo jornal britânico The Guadian e conquistou o prêmio Pulitzer, em 2014. 

Quanto a David Miranda, em agosto de 2013 ele foi detido em um aeroporto em Londres tentando transportar documentos do Snowden. À época, Miranda chegou a ser acusado de estar envolvido com terrorismo, mas em 2016, a partir da um recurso intrerposto por Miranda, a justiça britânica considerou a acusação injusta, já que não era compatível com a Convenção Européia dos Direitos Humanos.

 

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