Segunda-Feira, 22 de Janeiro de 2018, 19h:57

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Governador descarta desvio de finalidade e diz que CPI é "instrumento das minorias"

Por: FELIPE LEONEL/LUISVINICIUS

O governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), foi o primeiro entrevistado do novo programa do HiperNotícias, o Estúdio Hiper, no início da noite desta segunda-feira (22). Dentre os temas abordados pelo chefe do Executivo Estadual, estão o pagamento de salário de servidores e a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos.

 

Alan Cosme/HiperNotícias

estudio hiper pedro taques

 

O governador descartou a ocorrência de “desvio de finalidade” com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Ainda segundo o gestor, a AL investiga possíveis evasões de recursos que viriam para o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).

 

Segundo Taques, o problema ocorreu devido ao aumento inesperado da arrecadação do Estado no final do ano, fazendo os recursos do Fundeb aumentar, em razão da negociação da dívida com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e com o Grupo Energisa. Somente essas duas negociações renderam ao cofre do Estado quase R$ 250 milhões.  

 

“Eles dizem que nós teríamos utilizado recurso do Fundeb e pago outras contas do Estado. Não é desvio como ocorria no passado, não é desvio do bolso de quem quer que seja. Mas este fato não ocorreu”, garantiu o governador Pedro Taques, em entrevista à jornalista Michelly Figueiredo, editora de Conteúdo do HiperNotícias.

 

Ainda segundo o gestor, a polêmica foi gerada pelo presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga (PSD). O presidente ingressou com uma representação contra o governo no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Segundo Neurilan,  os prefeitos podem incorrer em crime de responsabilidade, pois precisam executar 95% do orçamento do Fundeb.

 

“Os prefeitos teriam se assustado com isso e fizeram uma representação no Tribunal de Contas. A Assembleia Legislativa não concorda com esse argumento”, disse Pedro Taques. O Parlamento Estadual abriu uma CPI para investigar o fato, com apoio de 16 deputados estaduais, muitos deles da base do governo do Estado.

 

Alan Cosme/HiperNotícias

estudio hiper pedro taques

 

“Eu vejo a CPI como instrumento da democracia, é um instrumento das minorias. E lá na Assembleia Legislativa, o nosso líder assinou a CPI, a base assinou a CPI porque eu sou favorável. Deve ser investigado qualquer ato ou informação que causem dúvidas”, disse Taques, ao descartar a CPI como instrumento de chantagem, devido ao não pagamento de emendas.

 

Interatividade

 

O assunto mais comentado pelos internautas foi sobre o concurso da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh). Durante a entrevista, o governador respondeu aos internautas. “O certame deverá ser homologado ainda no mês de janeiro, para nós fazermos o curso de aperfeiçoamento para que eles possam contribuir com o Estado”, garantiu o tucano.

 

Emendas

 

De acordo com o governador, o Estado já começou a pagar as emendas impositivas dos deputados estaduais, pois é um direito do parlamentar. Entretanto, ele está priorizando o pagamento das emendas da área da Saúde em um primeiro momento, além de fazer repasses emergenciais aos Poderes e órgãos independentes.

 

Duodécimo

 

De acordo com o governador, o duodécimo dos Poderes de 2016 já foi “equacionado” pela Emenda do Teto de Gastos, aprovada no final de 2017 pela Assembleia Legislativa. O Poder Executivo deve, atualmente, R$ 260 milhões aos Poderes, referente a 2017: “Estamos, dentro das possibilidades, repassando ao Judiciário, Legislativo, TCE, MPMT e Defensoria Pública”, garantiu.

 

Bombas de efeito retardado

 

O governador criticou as mais de 100 leis de carreira aprovadas nos últimos meses de gestão do ex-governador Silval Barbosa e reafirmou que não houve atraso de salário do funcionalismo público. O Estado de Mato Grosso tinha o costume de pagar o salário no último dia do mês, mas foi o brigado a transferir o pagamento para o último dia permitido pela constituição, dia 10.

 

“É no dia 10 que o Estado recebe a maior parcela do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em razão da chamada substituição tributária da Petrobras. Em um mês, nós pagamos 82% dos servidores até o dia 10 e uma parte dos servidores passamos para uns três dias após”, disse Taques, ressaltando a grave crise financeira.

 

Política

 

Pedro Taques ainda comentou sobre a suposta troca de liderança do governo na Assembleia Legislativa (AL). Na semana passada, o deputado Dilmar Dal’Bosco (DEM), que comanda o posto atualmente, disse à imprensa que iria entregar o cargo ao governador. Segundo Dilmar, ele pretende focar no projeto pessoal de reeleição a deputado estadual.

 

“O Dilmar está contente. Não existe possibilidade de saída, até hoje”, descartou o governador.

 

Sobre o PSDB, o governador reconheceu a divergência entre o deputado federal Nilson Leitão, mas ressaltou que a divergência foi política. “Não tenho nada pessoal contra o Leitão”, esclareceu.

  

Sobre o projeto de reeleição, Taques voltou a afirmar que irá comentar o assunto somente depois da Semana Santa, mas deixou escapar que aceitaria o ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (sem partido), na chapa como vice-governador. “Eu apoio candidaturas sérias”, finalizou o governador. 

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2 Comentários

Marcelo - 23/01/2018

Sobre o concurso da Sejudh faltou o governador dizer a quantidade que será chamada. Por exemplo, para o presídio que será inaugurado em VG tem 90 aprovados para agente penitenciário, todos serão chamados?

Carlos Nunes - 22/01/2018

Puxa vida! É sempre assim...pros políticos tá tudo uma maravilha; já pro povão eleitor tá ruim a beça. Hoje os telejornais disseram que o deficit da Previdência superou os 200 Bilhões...só não falaram que anualmente são pagos só de juros mais de 500 Bilhões aos banqueiros. Na cabeça dessa turma pagar 200 Bilhões aos aposentados é uma tragédia. ..já pagar 500 Bilhões aos banqueiros é normal. Deveríamos inverter isso, sendo normal pagar os aposentados e uma tragédia pagar os banqueiros. Afinal de contas os aposentados recebem o dinheiro com uma mão e pagam com a outra, fazendo movimentar a Economia, garantindo o emprego no Comércio, Serviços e todos os setores. Se esse Poder todo tá na mão dos aposentados, não sei o que tão esperando pra eleger Senadores e Deputados federais que defendam seus interesses. Tem que haver sim uma Reforma da Previdência, mas não essa Reforma apresentada por esse Governo. O tema teria que ser debatido exaustivamente pelos candidatos a presidente da república. Aquele que apresentar a melhor proposta, merece o voto. Resumo da Ópera: os Governos pensam uma coisa...e o Eleitor outra coisa totalmente diferente. Por que será que os Governos tão sempre na contramão?

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