A votação de um recurso sobre honorários de uma ação milionária na Primeira Câmara de Direito Privado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) nesta terça-feira (1º) terminou em baixaria e troca de insultos entre os advogados Pedro Pereira de Souza e Antônio João de Carvalho. Pedro acusou Antônio de pertencer a um “escritório do crime”, referindo-se à Operação Office Crime, que investiga o assassinato do também advogado Renato Nery em agosto de 2024.
“Não é à toa que nós vemos polícia batendo em escritório e fazendo buscas e apreensões e tendo o nome na praça inteira conhecido como Escritório do Crime", disse Pedro Pereira, referindo-se a Antônio João.
Dez dias antes de ser executado, Renato Nery havia entrado com uma representação na OAB-MT para que investigasse a conduta dos advogados Antônio João de Carvalho Júnior e Gaylussac Dantas de Araújo, exatamente por chefiarem esse suposto escritório. De acordo com a denúncia, eles faziam manobras processuais para fraudar disputas de terras em Mato Grosso.
“Nós precisamos que advogados ajam com lealdade processual e não saiam para a imprensa fazendo piadas e, no outro dia, sejam manchete da imprensa por busca e apreensão pela polícia e, pasmem, sobre a temeridade de ter ceifado a vida de um advogado renomado neste estado, que foi, inclusive, presidente da Ordem. Não precisamos agora nos matar para que possamos ver a Justiça sendo feita presente nesses procedimentos processuais”, continuou.
Antônio João respondeu que ele não era parte da ação, e sim o advogado, e que não havia comentado nada sobre o colega. Só que, devido às acusações, ele afirmou que Pedro Pereira era criminoso.
“O senhor fez referência a mim, que não sou parte. Eu sou advogado e não teci uma palavra a respeito do senhor. O senhor me ouça. O senhor é um criminoso, o senhor irá responder na Justiça”, declarou.
O desembargador Sebastião Barbosa Farias interrompeu a troca de farpas devido aos ânimos acirrados. “Nós estamos vendo que os ânimos estão bem insuflados, de modo que eu não vou conceder a Vossa Excelência a palavra, porque a sua provocação vai gerar outra manifestação”, afirmou, encerrando a discussão.
A AÇÃO
A sessão no TJ se referia a uma ação sobre uma disputa judicial pela posse de uma fazenda de 2.420 hectares, avaliada em mais de R$ 200 milhões, em Sinop (480 km de Cuiabá), entre o empresário Edson Ramos Camargo, que reivindica a propriedade contra José Altemir Ottoni, Beatriz Lauxen Ottoni, Reneu Jacob Lerner e Bernardete Lerner, que alegam terem suas terras invadidas.
O advogado Antônio João afirmou recentemente que Edson Ramos Camargo teria utilizado documentos falsos e sido manipulado pelo advogado Pedro Pereira para ingressar com a ação judicial em 2010. Segundo ele, a manobra faria parte de uma suposta fraude documental para tomar posse não apenas dos 2.420 hectares, mas de toda a área de 6 mil hectares ocupada pela família Lerner desde 1982. O caso foi alvo de uma inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que resultou na instauração de uma sindicância.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.