Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019, 18h:28

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Juros fecham em queda firme à espera de decisões sobre juros na semana

Por: CONTEÚDO ESTADÃO

A disparada dos preços do petróleo e os possíveis impactos para a inflação não foram capazes de impedir um alívio na curva de juros, com as taxas futuras mostrando recuo da abertura ao fechamento dos negócios. O mercado se apoiou na aposta "dovish" para as várias decisões de política monetária pelo mundo ao longo da semana para retirar prêmios, o que serviu de contraponto ao aumento do riscos geopolíticos após o ataque a campos produtores da commodity na Arábia Saudita. Na última hora da sessão regular, as taxas renovaram mínimas, com os investidores optando por reforçar suas posições antes das reuniões dos bancos centrais em vários países, em especial a do Copom na quarta-feira. A curva a termo já aponta 100% de possibilidade de corte de 50 pontos-base na atual Selic de 6% na reunião do Copom nesta semana, enquanto para o fim de 2019 a precificação está muito perto de 5%.

Nesse contexto, chamou a atenção o volume bem acima da média recente nas taxas curtas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). O DI para janeiro de 2020, que concentra as apostas para a Selic nas reuniões do Copom restantes em 2019, fechou com taxa de 5,225%, mínima histórica, de 5,262% no ajuste de sexta-feira. A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 5,378% para 5,27%, novo piso histórico. O DI para janeiro de 2023 terminou com taxa de 6,38%, de 6,491% no ajuste anterior, e a taxa do DI para janeiro de 2025 também fechou na mínima, de 6,97%, ante 7,071% no último ajuste.

Além dos encontros do Copom e do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira, haverá reunião do Banco Central do Japão, do Banco da Inglaterra e do banco central da Suíça na quinta-feira. "A expectativa é a mesma para todas essas decisões: mais 'easing' (afrouxamento) monetário a fim de combater a desaceleração da atividade econômica global e o risco de recessão", afirmou o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira.

Dados fracos da indústria e varejo na China divulgados domingo à noite também contribuíram para o aumento das apostas em políticas mais estimulativas pelos BCs, a exemplo do que fez na semana passada o Banco Central Europeu (BCE).

Para o segmento de juros, naturalmente a atenção é um pouco maior com a decisão do Copom e, não somente nos Departamentos Econômicos, mas também entre os players, vem crescendo a percepção de que há espaço para a Selic cair abaixo de 5% no fim do ano. A precificação da curva, que na sexta-feira apontava alívio de 75 pontos-base para a taxa básica em dezembro, estava em 85 pontos, o que indica a taxa entre 5% e 5,10%. Os cálculos são do Haitong Banco de Investimento.

Embora o destaque da curva tenha sido a ponta curta, as taxas longas também tiveram queda firme, alinhadas ao movimento de fechamento de taxas em praticamente todo o mundo nesta segunda-feira. Os rendimentos dos Treasuries registraram queda expressiva ao longo de toda a sessão. "O petróleo é inflacionário, mas também afeta o crescimento, e crescimento hoje em dia pesa mais do que a inflação", diz um gestor.

(Com Agência Estado)
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