Quinta-Feira, 23 de Maio de 2019, 15h:00

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O peso das nossas bagagens

Por: DUMARA VOLPATO*

Divulgação

Dumara Volpato 


Alguma vez você já teve aquela sensação de peso nos ombros? Tensão? Como se você estivesse carregando algo muito pesado? Quando você vai realizar alguma atividade tem aquela percepção que é tudo muito difícil? Sim, isso pode estar ligado com as bagagens que carregamos. E aqui eu uso esse termo me referindo às situações que colocamos em nossos ombros como se fossem mochilas e a carregamos para todo lugar em que vamos.

Geralmente são situações que nos prendem a algo, pode ser a uma escolha, a um trabalho, a uma pessoa, a um acontecimento do passado. As nossas experiências tem um peso para nós. Todos nós carregamos essas bagagens e elas fazem parte daquilo que nos compõem. Então, por que pesam tanto em alguns momentos de nossa Vida? É sobre isso que iremos conversar hoje.

Segundo a visão sistêmica, geralmente nos sentimos pesados e sobrecarregados porque carregamos algo que pertence a outrem, e isso quer dizer que, por amor, nós nos colocamos no lugar do outro e queremos resolver as situações que só cabem a eles resolver. Um exemplo disso podemos ver nas famílias, quantos de nós filhos achamos por vezes que poderíamos resolver aquilo que é de responsabilidade de nossos pais? Quando crianças, sempre achamos que agiríamos melhor que eles em uma determinada situação, quando víamos nossos pais doentes a vontade que tínhamos era de ficar no lugar deles, sofrer por eles, certo? E é essa postura que nos leva a sentir esse peso e até adoecer.

No artigo anterior falamos um pouquinho a respeito de uma das dinâmicas que existem entre pais e filhos, onde os pais são grandes e os filhos pequenos, a qual Bert Hellinger nominou como a Lei da Hierarquia.

Nesse contexto, ele nos ensina que como filhos não conseguimos carregar as bagagens de nossos pais, sem nos prejudicar. E aqui falamos de decisões, destinos, traumas e etc...

Quando por amor, diante de alguma situação difícil vivenciada por nossos pais, adotamos essa postura de EU POR VOCÊ, quer dizer, eu carrego por vocês aquilo que vocês não deram conta, nós saímos do lugar de filho e nos colocamos acima de nossos pais, ou ainda dos maiores, como os avós e bisavós.

É uma postura de arrogância diante deles,  dizemos inconscientemente que vocês não são capazes e não permitimos dessa forma que o fluxo da Vida chegue através deles de maneira fluída até nós. E como consequência, sentimos no corpo os reflexos da sobrecarga, dores nas costas, peso nos ombros, incapacidade diante de situações de nossa Vida, doenças e etc... Isso não acontece apenas na família, existem muitos casos que, em empresas, o gerente assume responsabilidades, decisões que são da esfera do dono e percebemos que o resultado não é próspero nem para empresa e nem para o empregado.

Quando, às vezes, conversamos com um amigo e saímos nos sentindo mal, com dores, é também uma demonstração que nos envolvemos de tal maneira no problema que carregamos este para dentro da nossa “casa”, ou seja nosso ser, e estamos acreditando fielmente que poderíamos resolver melhor que ele suas questões.

Também percebemos esses sintomas em pessoas que se colocam na posição de “Salvadoras”, aquelas que estão sempre fazendo pelos outros, em qualquer situação, são as primeira a se colocar a disposição para resolver a questão. São pessoas que sofrem muito, pois passam a carregar nas costas, não só as próprias questões, como também assumem a responsabilidade da Vida de outras pessoas. E aqui não estou falando que não podemos auxiliar quem necessita. Nós podemos, sim, e devemos, entretanto, com o cuidado de não estar fazendo pela pessoa aquilo que ela teria que fazer para ter algum aprendizado e evoluir. Todos recebemos em nossas bagagens aquilo que nos é necessário para resolver o que precisamos em nossa caminhada. Um terapeuta, por exemplo, só auxilia o paciente a buscar  as respostas que estão em sua própria história. E assim o resultado é transformador, pois há uma mudança de postura interna que só acontece com o movimento do paciente. O terapeuta não faz por ele. Essa é a diferença.

E como então podemos carregar nossas bagagens de uma forma mais leve? Levando conosco somente aquilo que nos pertence. Como posso realizar isso no meu dia-a-dia? Eu deixo aqui um exercício.

Feche seus olhos e faça uma reflexão. Qual é o peso que tem a sua história? Ela é leve ou pesada para você? Imagine esse fato ou situação que lhe pesa na sua frente... Agora olhe através dele... Veja a quem ele pertence... E assim que perceber quem é ... Entregue a ele ou ela, com muito respeito, tudo que por amor você carregou...fique apenas com o que lhe pertence...e sinta a sensação de alívio e leveza que encontrará se somente carregar a sua bagagem.

(*) DUMARA VOLPATO é advogada e Terapeuta em Constelação Familiar  com Curso em Hellinger Sciencia pelo Instituto Hellinger do Brasil; Formação em Constelação Familiar pelo Instituto CreSer de Campo Grande – MS; Curso de Aprofundamento em Novas Constelações e Curso de Análise Transacional pelo Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier; e Praticante Profissional de Cura Reconectiva e Reconexão, pelo The Reconection, Califórnia – EUA. E-mail: dumaravolpato@gmail.com

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