Sexta-Feira, 11 de Outubro de 2019, 08h:56

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Antonieta Ries Coelho: a pioneira da TV

Por: NEILA BARRETO

Divulgação

Neila Barreto

Nascida em 13/02/1928, no município de Coxim-MS, filha do gaúcho Antônio Ries Coelho e da coxinense Eugênia Mendes Ries Coelho, foi em uma família de seis filhos, passou sua primeira infância em Coxim, mudando-se para Cuiabá aos 7 anos de idade. Seu pai, como advogado, atuou pelo município, foi delegado de Polícia e, também, foi promotor público do município de Corumbá (MS).

Chegou a Cuiabá como muitos migrantes, de navio, percorrendo as lindas águas do pantanal e do rio Cuiabá. Para Fernando Henrique Fontoura, médico e escritor em Coxim-MS, Antonieta declarou com entusiasmo e inocência a primeira vez que vislumbrou luz elétrica, chegando em Corumbá, na lancha do Atala, de propriedade do pai de Irene Havala, esposa de Silvio Ferreira, um turco que fazia o trajeto. “Viemos de lancha pelo Rio Taquari, parávamos todas as noites para descansar, a viagem durou mais de um mês até Cuiabá. Em Corumbá fiquei encantada ao ver aquelas luzes. Perguntei a minha mãe o que eram, quando ela me respondeu serem eletricidade. Seguimos então a Corumbá deixando o Atala com destino a Cuiabá. ”

Em Cuiabá, Antonieta estudou o primário na Escola Modelo Barão de Melgaço, hoje Palácio da Instrução e o Ginásio, no Colégio Estadual, hoje Liceu Cuiabano “Maria de Arruda Muller”. Seu primeiro emprego, aos 18 anos, foi como secretária no Departamento Estadual de Estatísticas. No mesmo trabalho, dois anos depois, foi promovida à inspetora regional, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e logo depois, foi para a Comissão de Estradas e Rodagem, responsável por asfaltar o estado.  Em 1955, seu destaque como funcionária foi tamanho que chamou a atenção da Camargo Corrêa, com sede em São Paulo, e passou a trabalhar diretamente com o dono, Sebastião Camargo, na função de secretária.

O trabalho com a Camargo Corrêa duraria apenas dois anos, pois seu irmão Antônio, de apenas 17 anos, teria um acidente vascular encefálico (AVE) o que a levou a mudar-se com ele e sua família para o Rio de Janeiro. Problemas cardíacos seriam uma sina que perseguiriam os Ries Coelho com o passar dos anos. Gaspar, seu outro irmão, faleceu em 1969 de infarto do miocárdio aos 44 anos, na Fazenda Lambari, em Coxim. No Rio de Janeiro empregou-se na Livraria e Editora Martins, que detinha exclusividade das obras de Jorge Amado e, também, havia publicado “Memórias de um Sargento de Milícias” de Manuel Antônio de Almeida e “Iracema”, e José de Alencar”.

Para o escritor Evaldo de Barros, Antonieta informou que, um certo dia, de 1964, recebeu um telefonema de Ueze Zahran pedindo-lhe que acompanhasse a documentação de um canal de televisão que o Grupo Zahran havia requerido para Campo Grande no então Conselho Nacional de Telecomunicações, pois na ocasião não existia o Ministério das Comunicações. Na oportunidade, indagou ao senhor Ueze se pretendia fazer também em Cuiabá, cidade que, certamente, entendia ela, tinha condições de manter um canal de TV. Como resposta recebeu que faltava alguém em Cuiabá para dirigir os trabalhos necessários, mas que se ela aceitasse voltar para lá e vender uma cota de 1.500 aparelhos de TV, poderia requerer a TV para Cuiabá.

Antonieta deixou a Editora e aceitou a proposta do empreendimento “televisão” tão importante para Cuiabá, a cidade do seu coração, mesmo sem consultar a família, resolveu enfrentar um novo desafio, apesar de nada saber sobre televisão, mas confiante que seria capaz de vender a cota de televisores e administrar as construções necessárias.

Sua primeira tarefa foi oficiar ao CONTEL -  Conselho Nacional de Telecomunicações solicitação da concessão do canal de TV para Cuiabá com o nome de TV Centro América, pois, a capital de Mato Grosso é realmente o Centro Geodésico da América do Sul.  Ao chegar a Campo Grande (MS), no meio de dezembro de 1965, com a autorização na mão foi informada pelo Sr. Eduardo Zahran que seria a Diretora da emissora. “E assim foi. Coloquei no ar a TV Morena”, testemunhou a Barros e, segui os caminhos de Cuiabá.

No ano seguinte (1966) chegou a Cuiabá e, no início de 1967 registrou a firma Sociedade Mercantil Zahran Ltda., para vender a cota estabelecida de 1.500 televisores. “Fechei a compra do terreno necessário e contratei a firma CIVELETRO para a construção da sede da TV. Fizemos imprimir blocos com contratos que as pessoas assinavam comprometendo-se a comprar da firma um televisor, que seria entregue somente quando a emissora estivesse quase em condições de entrar no ar. Em 6 de novembro de 1967, com a presença de autoridades políticas e líderes religiosos, foi realizada numa sala emprestada do Hospital Santa Helena, vizinho onde é hoje a sede da TV, a primeira transmissão da TV Centro América de Cuiabá. A implantação definitiva só seria realizada se houvesse engajamento da população, porém a experimentação impulsionou as vendas. O prédio ficou pronto em 1968, testemunhou a Barros e, conseguimos os objetivos propostos.

As transmissões em caráter experimental começavam às 17 horas e finalizavam às 10 horas, envolvendo programação ao vivo, desenhos animados e orações. Em 13 de fevereiro de 1969, dia do aniversário de Antonieta, foi inaugurada oficialmente a TV Centro América – Canal 4 de Cuiabá, com muita festa, imagem ainda em preto e branco. Como já havia acontecido em Campo Grande, também em Cuiabá, a primeira pessoa a dar as boas-vindas aos telespectadores foi Antonieta, sendo sua primeira diretora.

Em 1970, após uma cooperação entre a EMBRATEL e técnicos americanos foi realizada a primeira transmissão da TV Centro América a cores – a Copa do Mundo de Futebol da Alemanha. O fato envolveu grande esforço. Antonieta Ries Coelho continuou na direção da TV Centro América até julho de 1974, tendo conquistado o carinho e o crédito da população cuiabana.

Até então muitos nem sabiam que a TV seria instalada em Cuiabá e a cidade sequer possuía uma torre de transmissão. Os costumes cuiabanos eram os passeios (praça da República e Alencastro), cinemas e rádio. A TV chegou ao Brasil em 1950 com a inauguração da Tupi em São Paulo, por Assis Chateaubriand, representando um fator importante na cultura popular da sociedade brasileira, não sendo diferente para o povo cuiabano. O exemplo bem-sucedido de Campo Grande e a famosa rivalidade inspirou credibilidade ao investimento e empreitada que se avizinhariam.

Para uma Cuiabá de 300 anos registro aqui a valiosa memória de Evaldo de Barros que registrou a primeira Equipe Técnica da TV Centro América:  Rodolfo Limarino Spiesmeir – Técnico; Luiz Antônio Neves – Cinegrafista; Djalma Valadares de Figueiredo – Direção de TV; Ednésio Macedo – técnico do transmissor; Antônio de Pádua Santos Faria – Direção de TV; Lupércio de Oliveira (Pepe) – Sonoplastia; Carlos Alberto Macedo – Tele Cine; Afrânio Borba de Moura – Locução; Ivo de Almeida Campos – Projeção de Slides; Waldir dos Santos Reis – Vídeo Tape; Oraldo Costa Marques - Câmera; Benedito Costa Marques – Motorista e Câmera; João Batista de Arruda – Antenista; Aluízio Monge – Motorista e Ângelo Silva – Jardineiro.

Nos  Programas de gratas lembranças de:  Momentos de Paz; Tele Jornal – Canal 4; Ciranda – Cirandinha; Nossa Gente – Nossos Valores; Educação e Cultura; Esportes em Desfile; Opiniões e Comentários; Uma Voz Dentro da Noite; Virtuosos do Piano; Sociedade e Etiqueta; Agropecuária em Foco; Galeria de Vultos Ilustres; Noite de Gala e Pote, Moringa e Panela de Barro e funcionários especiais como: Laís Maria Paes de Barros – Contadora; Alzira Tereza Malpici Monteiro da Silva – Auxiliar de Contabilidade; Elita Lopes Gardes – Corretora; Air Teixeira – roteirista; Benedito Costa Marques – “pau para toda obra”; Eugênio de Carvalho – Jornalista e companheiro para todas as missões (já falecido); Djalma Valadares de Figueiredo – direção de TV; Paulo Zaviasky - apresentador do Telejornal (já falecido); Luiz Antônio Neves – cinegrafista e João Batista de Arruda – cobrador dos televisores vendidos.

E, os grandes colaboradores, boa parte já falecidos: Dr. Luiz Philipe Pereira Leite; Dr. Bento Machado Lobo; Dom Orlando Chaves; Professora Benildes Borba de Moura; Professora Giovaneta Borba de Moura; Professor Rubens Silva; Madre Alair de Almeida; Professora Dunga Rodrigues; Professora Bilú Pitaluga de Moura; Professora Alzira de Abreu; Professora Dra. Eugênia Coelho Paredes; Professora Dra. Ana Maria do Couto (May); Ministro Licínio Monteiro da Silva; Fávila Palma Filho; Deputado Augusto Mario Vieira; Padre Firmo Pinto Duarte; Escritor Rubens de Mendonça; Dr. Antônio Fortunato e Sra. Dalva Lúcia Fortunato; Sra. Aurora Chaves de Vasconcelos; Jornalista Pedro Rocha Jucá; Sr. Ivanildo Gomes de Oliveira (China); Coronel Octayde Jorge da Silva; Coronel José Meirelles; Coronel Joaquim Augusto Montenegro; Dr. Antônio Correa da Costa; Dr. Moacyr de Freitas; Dr. Leopoldo Nigro; Dr. Fernando Delgado; Dr. João Batista Epaminondas Malhado; Dr. Lenine de Campos Póvoas; Sra. Constança de Barros Arruda; Sebastiana Paes de Barros; Eugênia Mendes Ries Coelho e Cleuza Mendes prepararam todos os dias o jantar da equipe de 1968 a 1974 sem nenhum custo para a emissora.

Após deixar o cargo, Antonieta abriu uma floricultura, pioneira na região, com o nome de “Flor do Campo”. Jamais deixou de empreender durante os anos seguintes. Recebeu e recebe diversas homenagens, tanto em Mato Grosso, quanto em Mato Grosso do Sul, de universidades, assembleia legislativa, câmaras, prefeituras, jornais.

Nascida em 13/02/1928, no município de Coxim-MS, filha do gaúcho Antônio Ries Coelho e da coxinense Eugênia Mendes Ries Coelho, foi em uma família de seis filhos, passou sua primeira infância em Coxim, mudando-se para Cuiabá aos 7 anos de idade. Seu pai, como advogado, atuou pelo município, foi delegado de Polícia e, também, foi promotor público do município de Corumbá (MS).

Chegou a Cuiabá como muitos migrantes, de navio, percorrendo as lindas águas do pantanal e do rio Cuiabá. Para Fernando Henrique Fontoura, médico e escritor em Coxim-MS, Antonieta declarou com entusiasmo e inocência a primeira vez que vislumbrou luz elétrica, chegando em Corumbá, na lancha do Atala, de propriedade do pai de Irene Havala, esposa de Silvio Ferreira, um turco que fazia o trajeto. “Viemos de lancha pelo Rio Taquari, parávamos todas as noites para descansar, a viagem durou mais de um mês até Cuiabá. Em Corumbá fiquei encantada ao ver aquelas luzes. Perguntei a minha mãe o que eram, quando ela me respondeu serem eletricidade. Seguimos então a Corumbá deixando o Atala com destino a Cuiabá. ”

Em Cuiabá, Antonieta estudou o primário na Escola Modelo Barão de Melgaço, hoje Palácio da Instrução e o Ginásio, no Colégio Estadual, hoje Liceu Cuiabano “Maria de Arruda Muller”. Seu primeiro emprego, aos 18 anos, foi como secretária no Departamento Estadual de Estatísticas. No mesmo trabalho, dois anos depois, foi promovida à inspetora regional, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e logo depois, foi para a Comissão de Estradas e Rodagem, responsável por asfaltar o estado.  Em 1955, seu destaque como funcionária foi tamanho que chamou a atenção da Camargo Corrêa, com sede em São Paulo, e passou a trabalhar diretamente com o dono, Sebastião Camargo, na função de secretária.

O trabalho com a Camargo Corrêa duraria apenas dois anos, pois seu irmão Antônio, de apenas 17 anos, teria um acidente vascular encefálico (AVE) o que a levou a mudar-se com ele e sua família para o Rio de Janeiro. Problemas cardíacos seriam uma sina que perseguiriam os Ries Coelho com o passar dos anos. Gaspar, seu outro irmão, faleceu em 1969 de infarto do miocárdio aos 44 anos, na Fazenda Lambari, em Coxim. No Rio de Janeiro empregou-se na Livraria e Editora Martins, que detinha exclusividade das obras de Jorge Amado e, também, havia publicado “Memórias de um Sargento de Milícias” de Manuel Antônio de Almeida e “Iracema”, e José de Alencar”.

Para o escritor Evaldo de Barros, Antonieta informou que, um certo dia, de 1964, recebeu um telefonema de Ueze Zahran pedindo-lhe que acompanhasse a documentação de um canal de televisão que o Grupo Zahran havia requerido para Campo Grande no então Conselho Nacional de Telecomunicações, pois na ocasião não existia o Ministério das Comunicações. Na oportunidade, indagou ao senhor Ueze se pretendia fazer também em Cuiabá, cidade que, certamente, entendia ela, tinha condições de manter um canal de TV. Como resposta recebeu que faltava alguém em Cuiabá para dirigir os trabalhos necessários, mas que se ela aceitasse voltar para lá e vender uma cota de 1.500 aparelhos de TV, poderia requerer a TV para Cuiabá.

Antonieta deixou a Editora e aceitou a proposta do empreendimento “televisão” tão importante para Cuiabá, a cidade do seu coração, mesmo sem consultar a família, resolveu enfrentar um novo desafio, apesar de nada saber sobre televisão, mas confiante que seria capaz de vender a cota de televisores e administrar as construções necessárias.

Sua primeira tarefa foi oficiar ao CONTEL -  Conselho Nacional de Telecomunicações solicitação da concessão do canal de TV para Cuiabá com o nome de TV Centro América, pois, a capital de Mato Grosso é realmente o Centro Geodésico da América do Sul.  Ao chegar a Campo Grande (MS), no meio de dezembro de 1965, com a autorização na mão foi informada pelo Sr. Eduardo Zahran que seria a Diretora da emissora. “E assim foi. Coloquei no ar a TV Morena”, testemunhou a Barros e, segui os caminhos de Cuiabá.

No ano seguinte (1966) chegou a Cuiabá e, no início de 1967 registrou a firma Sociedade Mercantil Zahran Ltda., para vender a cota estabelecida de 1.500 televisores. “Fechei a compra do terreno necessário e contratei a firma CIVELETRO para a construção da sede da TV. Fizemos imprimir blocos com contratos que as pessoas assinavam comprometendo-se a comprar da firma um televisor, que seria entregue somente quando a emissora estivesse quase em condições de entrar no ar. Em 6 de novembro de 1967, com a presença de autoridades políticas e líderes religiosos, foi realizada numa sala emprestada do Hospital Santa Helena, vizinho onde é hoje a sede da TV, a primeira transmissão da TV Centro América de Cuiabá. A implantação definitiva só seria realizada se houvesse engajamento da população, porém a experimentação impulsionou as vendas. O prédio ficou pronto em 1968, testemunhou a Barros e, conseguimos os objetivos propostos.

As transmissões em caráter experimental começavam às 17 horas e finalizavam às 10 horas, envolvendo programação ao vivo, desenhos animados e orações. Em 13 de fevereiro de 1969, dia do aniversário de Antonieta, foi inaugurada oficialmente a TV Centro América – Canal 4 de Cuiabá, com muita festa, imagem ainda em preto e branco. Como já havia acontecido em Campo Grande, também em Cuiabá, a primeira pessoa a dar as boas-vindas aos telespectadores foi Antonieta, sendo sua primeira diretora.

Em 1970, após uma cooperação entre a EMBRATEL e técnicos americanos foi realizada a primeira transmissão da TV Centro América a cores – a Copa do Mundo de Futebol da Alemanha. O fato envolveu grande esforço. Antonieta Ries Coelho continuou na direção da TV Centro América até julho de 1974, tendo conquistado o carinho e o crédito da população cuiabana.

Até então muitos nem sabiam que a TV seria instalada em Cuiabá e a cidade sequer possuía uma torre de transmissão. Os costumes cuiabanos eram os passeios (praça da República e Alencastro), cinemas e rádio. A TV chegou ao Brasil em 1950 com a inauguração da Tupi em São Paulo, por Assis Chateaubriand, representando um fator importante na cultura popular da sociedade brasileira, não sendo diferente para o povo cuiabano. O exemplo bem-sucedido de Campo Grande e a famosa rivalidade inspirou credibilidade ao investimento e empreitada que se avizinhariam.

Para uma Cuiabá de 300 anos registro aqui a valiosa memória de Evaldo de Barros que registrou a primeira Equipe Técnica da TV Centro América:  Rodolfo Limarino Spiesmeir – Técnico; Luiz Antônio Neves – Cinegrafista; Djalma Valadares de Figueiredo – Direção de TV; Ednésio Macedo – técnico do transmissor; Antônio de Pádua Santos Faria – Direção de TV; Lupércio de Oliveira (Pepe) – Sonoplastia; Carlos Alberto Macedo – Tele Cine; Afrânio Borba de Moura – Locução; Ivo de Almeida Campos – Projeção de Slides; Waldir dos Santos Reis – Vídeo Tape; Oraldo Costa Marques - Câmera; Benedito Costa Marques – Motorista e Câmera; João Batista de Arruda – Antenista; Aluízio Monge – Motorista e Ângelo Silva – Jardineiro.

Nos  Programas de gratas lembranças de:  Momentos de Paz; Tele Jornal – Canal 4; Ciranda – Cirandinha; Nossa Gente – Nossos Valores; Educação e Cultura; Esportes em Desfile; Opiniões e Comentários; Uma Voz Dentro da Noite; Virtuosos do Piano; Sociedade e Etiqueta; Agropecuária em Foco; Galeria de Vultos Ilustres; Noite de Gala e Pote, Moringa e Panela de Barro e funcionários especiais como: Laís Maria Paes de Barros – Contadora; Alzira Tereza Malpici Monteiro da Silva – Auxiliar de Contabilidade; Elita Lopes Gardes – Corretora; Air Teixeira – roteirista; Benedito Costa Marques – “pau para toda obra”; Eugênio de Carvalho – Jornalista e companheiro para todas as missões (já falecido); Djalma Valadares de Figueiredo – direção de TV; Paulo Zaviasky - apresentador do Telejornal (já falecido); Luiz Antônio Neves – cinegrafista e João Batista de Arruda – cobrador dos televisores vendidos.

E, os grandes colaboradores, boa parte já falecidos: Dr. Luiz Philipe Pereira Leite; Dr. Bento Machado Lobo; Dom Orlando Chaves; Professora Benildes Borba de Moura; Professora Giovaneta Borba de Moura; Professor Rubens Silva; Madre Alair de Almeida; Professora Dunga Rodrigues; Professora Bilú Pitaluga de Moura; Professora Alzira de Abreu; Professora Dra. Eugênia Coelho Paredes; Professora Dra. Ana Maria do Couto (May); Ministro Licínio Monteiro da Silva; Fávila Palma Filho; Deputado Augusto Mario Vieira; Padre Firmo Pinto Duarte; Escritor Rubens de Mendonça; Dr. Antônio Fortunato e Sra. Dalva Lúcia Fortunato; Sra. Aurora Chaves de Vasconcelos; Jornalista Pedro Rocha Jucá; Sr. Ivanildo Gomes de Oliveira (China); Coronel Octayde Jorge da Silva; Coronel José Meirelles; Coronel Joaquim Augusto Montenegro; Dr. Antônio Correa da Costa; Dr. Moacyr de Freitas; Dr. Leopoldo Nigro; Dr. Fernando Delgado; Dr. João Batista Epaminondas Malhado; Dr. Lenine de Campos Póvoas; Sra. Constança de Barros Arruda; Sebastiana Paes de Barros; Eugênia Mendes Ries Coelho e Cleuza Mendes prepararam todos os dias o jantar da equipe de 1968 a 1974 sem nenhum custo para a emissora.

Após deixar o cargo, Antonieta abriu uma floricultura, pioneira na região, com o nome de “Flor do Campo”. Jamais deixou de empreender durante os anos seguintes. Recebeu e recebe diversas homenagens, tanto em Mato Grosso, quanto em Mato Grosso do Sul, de universidades, assembleia legislativa, câmaras, prefeituras, jornais.

Nascida em 13/02/1928, no município de Coxim-MS, filha do gaúcho Antônio Ries Coelho e da coxinense Eugênia Mendes Ries Coelho, foi em uma família de seis filhos, passou sua primeira infância em Coxim, mudando-se para Cuiabá aos 7 anos de idade. Seu pai, como advogado, atuou pelo município, foi delegado de Polícia e, também, foi promotor público do município de Corumbá (MS).

Chegou a Cuiabá como muitos migrantes, de navio, percorrendo as lindas águas do pantanal e do rio Cuiabá. Para Fernando Henrique Fontoura, médico e escritor em Coxim-MS, Antonieta declarou com entusiasmo e inocência a primeira vez que vislumbrou luz elétrica, chegando em Corumbá, na lancha do Atala, de propriedade do pai de Irene Havala, esposa de Silvio Ferreira, um turco que fazia o trajeto. “Viemos de lancha pelo Rio Taquari, parávamos todas as noites para descansar, a viagem durou mais de um mês até Cuiabá. Em Corumbá fiquei encantada ao ver aquelas luzes. Perguntei a minha mãe o que eram, quando ela me respondeu serem eletricidade. Seguimos então a Corumbá deixando o Atala com destino a Cuiabá. ”

Em Cuiabá, Antonieta estudou o primário na Escola Modelo Barão de Melgaço, hoje Palácio da Instrução e o Ginásio, no Colégio Estadual, hoje Liceu Cuiabano “Maria de Arruda Muller”. Seu primeiro emprego, aos 18 anos, foi como secretária no Departamento Estadual de Estatísticas. No mesmo trabalho, dois anos depois, foi promovida à inspetora regional, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e logo depois, foi para a Comissão de Estradas e Rodagem, responsável por asfaltar o estado.  Em 1955, seu destaque como funcionária foi tamanho que chamou a atenção da Camargo Corrêa, com sede em São Paulo, e passou a trabalhar diretamente com o dono, Sebastião Camargo, na função de secretária.

O trabalho com a Camargo Corrêa duraria apenas dois anos, pois seu irmão Antônio, de apenas 17 anos, teria um acidente vascular encefálico (AVE) o que a levou a mudar-se com ele e sua família para o Rio de Janeiro. Problemas cardíacos seriam uma sina que perseguiriam os Ries Coelho com o passar dos anos. Gaspar, seu outro irmão, faleceu em 1969 de infarto do miocárdio aos 44 anos, na Fazenda Lambari, em Coxim. No Rio de Janeiro empregou-se na Livraria e Editora Martins, que detinha exclusividade das obras de Jorge Amado e, também, havia publicado “Memórias de um Sargento de Milícias” de Manuel Antônio de Almeida e “Iracema”, e José de Alencar”.

Para o escritor Evaldo de Barros, Antonieta informou que, um certo dia, de 1964, recebeu um telefonema de Ueze Zahran pedindo-lhe que acompanhasse a documentação de um canal de televisão que o Grupo Zahran havia requerido para Campo Grande no então Conselho Nacional de Telecomunicações, pois na ocasião não existia o Ministério das Comunicações. Na oportunidade, indagou ao senhor Ueze se pretendia fazer também em Cuiabá, cidade que, certamente, entendia ela, tinha condições de manter um canal de TV. Como resposta recebeu que faltava alguém em Cuiabá para dirigir os trabalhos necessários, mas que se ela aceitasse voltar para lá e vender uma cota de 1.500 aparelhos de TV, poderia requerer a TV para Cuiabá.

Antonieta deixou a Editora e aceitou a proposta do empreendimento “televisão” tão importante para Cuiabá, a cidade do seu coração, mesmo sem consultar a família, resolveu enfrentar um novo desafio, apesar de nada saber sobre televisão, mas confiante que seria capaz de vender a cota de televisores e administrar as construções necessárias.

Sua primeira tarefa foi oficiar ao CONTEL -  Conselho Nacional de Telecomunicações solicitação da concessão do canal de TV para Cuiabá com o nome de TV Centro América, pois, a capital de Mato Grosso é realmente o Centro Geodésico da América do Sul.  Ao chegar a Campo Grande (MS), no meio de dezembro de 1965, com a autorização na mão foi informada pelo Sr. Eduardo Zahran que seria a Diretora da emissora. “E assim foi. Coloquei no ar a TV Morena”, testemunhou a Barros e, segui os caminhos de Cuiabá.

No ano seguinte (1966) chegou a Cuiabá e, no início de 1967 registrou a firma Sociedade Mercantil Zahran Ltda., para vender a cota estabelecida de 1.500 televisores. “Fechei a compra do terreno necessário e contratei a firma CIVELETRO para a construção da sede da TV. Fizemos imprimir blocos com contratos que as pessoas assinavam comprometendo-se a comprar da firma um televisor, que seria entregue somente quando a emissora estivesse quase em condições de entrar no ar. Em 6 de novembro de 1967, com a presença de autoridades políticas e líderes religiosos, foi realizada numa sala emprestada do Hospital Santa Helena, vizinho onde é hoje a sede da TV, a primeira transmissão da TV Centro América de Cuiabá. A implantação definitiva só seria realizada se houvesse engajamento da população, porém a experimentação impulsionou as vendas. O prédio ficou pronto em 1968, testemunhou a Barros e, conseguimos os objetivos propostos.

As transmissões em caráter experimental começavam às 17 horas e finalizavam às 10 horas, envolvendo programação ao vivo, desenhos animados e orações. Em 13 de fevereiro de 1969, dia do aniversário de Antonieta, foi inaugurada oficialmente a TV Centro América – Canal 4 de Cuiabá, com muita festa, imagem ainda em preto e branco. Como já havia acontecido em Campo Grande, também em Cuiabá, a primeira pessoa a dar as boas-vindas aos telespectadores foi Antonieta, sendo sua primeira diretora.

Em 1970, após uma cooperação entre a EMBRATEL e técnicos americanos foi realizada a primeira transmissão da TV Centro América a cores – a Copa do Mundo de Futebol da Alemanha. O fato envolveu grande esforço. Antonieta Ries Coelho continuou na direção da TV Centro América até julho de 1974, tendo conquistado o carinho e o crédito da população cuiabana.

Até então muitos nem sabiam que a TV seria instalada em Cuiabá e a cidade sequer possuía uma torre de transmissão. Os costumes cuiabanos eram os passeios (praça da República e Alencastro), cinemas e rádio. A TV chegou ao Brasil em 1950 com a inauguração da Tupi em São Paulo, por Assis Chateaubriand, representando um fator importante na cultura popular da sociedade brasileira, não sendo diferente para o povo cuiabano. O exemplo bem-sucedido de Campo Grande e a famosa rivalidade inspirou credibilidade ao investimento e empreitada que se avizinhariam.

Para uma Cuiabá de 300 anos registro aqui a valiosa memória de Evaldo de Barros que registrou a primeira Equipe Técnica da TV Centro América:  Rodolfo Limarino Spiesmeir – Técnico; Luiz Antônio Neves – Cinegrafista; Djalma Valadares de Figueiredo – Direção de TV; Ednésio Macedo – técnico do transmissor; Antônio de Pádua Santos Faria – Direção de TV; Lupércio de Oliveira (Pepe) – Sonoplastia; Carlos Alberto Macedo – Tele Cine; Afrânio Borba de Moura – Locução; Ivo de Almeida Campos – Projeção de Slides; Waldir dos Santos Reis – Vídeo Tape; Oraldo Costa Marques - Câmera; Benedito Costa Marques – Motorista e Câmera; João Batista de Arruda – Antenista; Aluízio Monge – Motorista e Ângelo Silva – Jardineiro.

Nos  Programas de gratas lembranças de:  Momentos de Paz; Tele Jornal – Canal 4; Ciranda – Cirandinha; Nossa Gente – Nossos Valores; Educação e Cultura; Esportes em Desfile; Opiniões e Comentários; Uma Voz Dentro da Noite; Virtuosos do Piano; Sociedade e Etiqueta; Agropecuária em Foco; Galeria de Vultos Ilustres; Noite de Gala e Pote, Moringa e Panela de Barro e funcionários especiais como: Laís Maria Paes de Barros – Contadora; Alzira Tereza Malpici Monteiro da Silva – Auxiliar de Contabilidade; Elita Lopes Gardes – Corretora; Air Teixeira – roteirista; Benedito Costa Marques – “pau para toda obra”; Eugênio de Carvalho – Jornalista e companheiro para todas as missões (já falecido); Djalma Valadares de Figueiredo – direção de TV; Paulo Zaviasky - apresentador do Telejornal (já falecido); Luiz Antônio Neves – cinegrafista e João Batista de Arruda – cobrador dos televisores vendidos.

 

E, os grandes colaboradores, boa parte já falecidos: Dr. Luiz Philipe Pereira Leite; Dr. Bento Machado Lobo; Dom Orlando Chaves; Professora Benildes Borba de Moura; Professora Giovaneta Borba de Moura; Professor Rubens Silva; Madre Alair de Almeida; Professora Dunga Rodrigues; Professora Bilú Pitaluga de Moura; Professora Alzira de Abreu; Professora Dra. Eugênia Coelho Paredes; Professora Dra. Ana Maria do Couto (May); Ministro Licínio Monteiro da Silva; Fávila Palma Filho; Deputado Augusto Mario Vieira; Padre Firmo Pinto Duarte; Escritor Rubens de Mendonça; Dr. Antônio Fortunato e Sra. Dalva Lúcia Fortunato; Sra. Aurora Chaves de Vasconcelos; Jornalista Pedro Rocha Jucá; Sr. Ivanildo Gomes de Oliveira (China); Coronel Octayde Jorge da Silva; Coronel José Meirelles; Coronel Joaquim Augusto Montenegro; Dr. Antônio Correa da Costa; Dr. Moacyr de Freitas; Dr. Leopoldo Nigro; Dr. Fernando Delgado; Dr. João Batista Epaminondas Malhado; Dr. Lenine de Campos Póvoas; Sra. Constança de Barros Arruda; Sebastiana Paes de Barros; Eugênia Mendes Ries Coelho e Cleuza Mendes prepararam todos os dias o jantar da equipe de 1968 a 1974 sem nenhum custo para a emissora.

Após deixar o cargo, Antonieta abriu uma floricultura, pioneira na região, com o nome de “Flor do Campo”. Jamais deixou de empreender durante os anos seguintes. Recebeu e recebe diversas homenagens, tanto em Mato Grosso, quanto em Mato Grosso do Sul, de universidades, assembleia legislativa, câmaras, prefeituras, jornais.

 

(*) NEILA BARRETO SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotíciasE-mail: neila.barreto@hotmail.com

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