Quarta-Feira, 11 de Outubro de 2017, 09h:15

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Delegados pedem a segunda prisão do cabo Gerson Correia; Perri decidirá

Por: PABLO RODRIGO

O cabo da PM Gérson Luiz Correia Junior tem nova prisão decretada por conta das investigações das interceptações telefônica clandestina em Mato Grosso. Correia está preso desde o dia 23 de maio, quando foi encarcerado juntamente com o ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Zaqueu Barbosa.

 

cabo gerson luiz

 

O pedido de prisão partiu dos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringueta, após o empresário José Marilson da Silva ter colaborado com as investigações e confessado que o "Sistema Sentinela", aparelho que realizava os grampos telefônicos estaria sob os cuidados de Gérson Correia Junior. 

 

Após o depoimento, o empresário deixou a prisão. 

 

O cabo Gerson é apontado como o operador do esquema, responsável por produzir relatórios dos grampos ilegais. O pedido da segunda prisão seria por conta de que militar teria mentido em seu depoimento e estaria escondendo o "Sistema Sentinela".

 

SENTINELA

 

O projeto foi criado e desenvolvido pelos cabos da PM Euclídes Torezan e Gerson Correa Júnior, quando estes dois trabalhavam no Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

 

Em depoimento à Corregedoria da Policia Militar, colhido em julho deste ano, o ex-secretário-adjunto da Casa Militar, o coronel Ronelson Jorge de Barros, disse que colaborou com o aprimoramento do sistema de interceptações telefônicas denominado Sentinela.

 

Segundo ele, a colaboração foi técnica e ocorreu a pedido de Gerson. Barros contou que foi incluído no grupo de WhatsApp cujo nome também era Sentinela e que era administrado por Torezan. Lá, segundo o coronel, trataram exclusivamente de algumas sugestões para melhoria do sistema.

 

Imagem da Internet

Grampos Telefônicos

 

O ex-secretário-adjunto disse que, quando foi abordado, “não vizualizou e não visualiza até o presente momento que o desenvolvimento do software não intrusivo seja ilegal, por isso concordou em ajudá-los”.

 

Preso no dia 23 de junho, Barros foi interrogado pelo também coronel Jorge Catarino Morais Ribeiro, que conduz o inquérito policial militar responsável por apurar o caso dos grampos telefônicos ilegais praticados no âmbito da Polícia Militar de Mato Grosso.

Conforme o depoimento, realizado no dia 27 de junho, Ronelson Barros tomou conhecimento do sistema Sentinela em fevereiro de 2015, quando já não fazia mais parte do Gaeco e estava na Casa Militar. Barros cumpre prisão domiciliar, com uso de tornozeleira, desde agosto. 

 

EMPRÉSTIMO

 

Quem também tinha conhecimento que os cabos Gerson e Torezan estavam desenvolvendo o Sitema era o ex-secretário-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, também preso na Operação Esdras.

 

Em depoimento realizado no último dia 4 de julho, Lesco contou à Corregedoria da Polícia Militar que emprestou R$ 24 mil para Gerson, em abril de 2015.

 

Na ocasião, Gerson teria dito que estava participando do desenvolvimento de um sistema criado pelo também cabo da PM Euclídes Torezan, com quem trabalhava no Gaeco. 

 

Lesco disse ainda que emprestou o dinheiro por acreditar que a “solução tecnológica era não intrusiva”, ou seja, que dependeria de uma decisão judicial direcionada às operadoras para interceptar as chamadas telefônicas. Dessa forma, para Lesco, a ferramenta era legal, assim como acredita Ronelson Barros.

 

Ele justificou o empréstimo também por perceber que Gerson estava buscando “melhorar as suas condições de remuneração e melhorar a dignidade da vida de sua família e prosperar a sua vida social”. O grupo acreditava que o sistema tecnológico, posteriormente batizado com Sentinela, encontraria um mercado muito promissor.

 

Segundo Lesco, Gerson era de sua total confiança e sempre procurava o coronel. O cabo, inclusive, “sempre esteve no convívio da família” de Lesco. Os R$ 24 mil foram emprestados por meio de cheque.

 

Mas, apesar da proximidade, o cabo não teria dito ao coronel como iria, efetivamente, utilizar o dinheiro. Entre agosto e setembro de 2015, Gerson voltou a pedir dinheiro emprestado a Evandro Lesco.

 

O cabo argumentou que estava passando dificuldades financeiras para manter o escritório onde estudava e fazia peças como advogado. Nessa época, o novo valor emprestado foi de R$ 2,4 mil. E dias depois, segundo o depoimento do próprio coronel, Lesco emprestou mais R$ 1 mil para Gerson. Conforme o coronel, Gerson nunca detalhou como iria empregar o dinheiro.

 

De acordo com as investigações Gerson, no Gaeco, gozava de plena confiança dos promotores e era o chefe do setor de monitoramento de telefone. Além de verificar o conteúdo das interceptações, Gerson produzia os relatórios e fazia os pedidos para a Justiça prorrogar ou incluir novos números no processo para serem grampeados.

 

O cabo é apontado como o operador do esquema ilegal de grampos clandestinos e foi preso em 23 de maio, juntamente com o coronel Zaqueu Barbosa. Segundos as investigações, o “escritório de espionagem”funcionava na sala que o cabo mantinha.

 

No inquérito, consta que o sistema funcionava paralelamente aos dois sistemas oficiais de monitoramento telefônico existentes no estado: o 'Sombra', operado pela Polícia Federal, e o 'Guardião', utilizado pela Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE). 

 

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