Quarta-Feira, 08 de Novembro de 2017, 07h:55

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Tenente acusada de tortura é excluída da lista de promoção pela terceira vez

Por: CAMILLA ZENI

A tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur, acusada de tortura durante treinamento aquático que levou à morte o estudante Rodrigo Claro, na lagoa Trevisan, em Cuiabá, foi excluída da lista de promoção da instituição pela terceira vez consecutiva. Desde dezembro passado ela tenta se tornar capitã. A exclusão da oficial acontece no mesmo mês em que se completa um ano da morte do aluno soldado.

 

Reprodução

Ledur rodrigo Claro

 

Pela legislação, o Corpo de Bombeiros deve relacionar todos os militares que possuem tempo de serviço para receberem promoção. A progressão é concedida sempre nos dias 2 de julho e 2 de dezembro para aqueles que cumprem com todos os requisitos, como teste de saúde, aptidão física e atos disciplinares.

 

Em razão do acontecido, Izadora Ledur não pode receber promoção na carreira. Atualmente, além de responder a um processo criminal, ela também responde a uma sindicância de natureza demissória, promovida pela instituição.

 

Até que o caso transite em julgado, a tenente não receberá progressão de carreira. Caso seja inocentada, no entanto, é possível que ela peça a promoção retroativa, que poderia ser somada desde dezembro de 2016, quando ela já possuía quatro anos como primeira tenente.

 

Izadora chegou a usar tornozeleira eletrônica por conta da morte do jovem Rodrigo Claro. Atualmente ela está aguardando julgamento do caso em regime aberto. Porém, está proibida de sair de casa a noite e manter contato com outros investigados do caso de tortura que levou à morte o aluno Claro.  

 

Um ano da morte

Faz quase 365 dias que Jane Patrícia Claro e Antônio Claro não ouvem mais a voz do filho Rodrigo. No dia 15 de novembro, completa-se um ano da morte do rapaz, que, aos 21, se esforçava para se formar bombeiro e salvar vidas. O rapaz morreu depois de passar mal em uma sessão de treinamento na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Mais tarde, descobriu-se que o aluno tinha sido vítima de tortura por parte da tenente Izadora Ledur, que conduzia o treinamento. Testemunhas afirmaram que ela fazia sessões de afogamento com o jovem. 

 

Desde então, a família vive entraves com a Justiça e com a instituição, tendo, inclusive, pedido de indenização negado. “Nós só queríamos que o Corpo de Bombeiros fosse imparcial. Mas é muito nítido que eles ficam segurando documentos, protegendo os envolvidos, e para a família nenhum apoio foi dado”, manifestou o pai do rapaz, Antônio Claro, que também é bombeiro e hoje se encontra afastado da posição.

 

No dia 2 de novembro, a família foi ao cemitério. “O sentimento familiar ainda é muito triste”, comentou o pai. “Vai fazer um ano mas parece que foi ontem”.

 

Rodrigo Claro completaria 22 anos no dia 18 de outubro. Uma semana antes, no dia 11, a tenente ganhou na Justiça a revogação da suspensão de suas funções no Corpo de Bombeiros e o direito de transitar sem monitoramento.

 

No dia do aniversário do filho, Jane Patrícia fez um protesto no centro de Cuiabá. Emocionada, ela desabafou: “Meu filho recebeu pena de morte. Já à tenente, todos os privilégios. Ela tendo a liberdade dela de voltar ao trabalho, estão dando carta branca para ela continuar cometendo os crimes que ela cometeu com nosso filho e outros jovens”.

 

Ainda não há previsão para julgamento da ação.

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