Terça-Feira, 18 de Outubro de 2016, 18h:21

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Réu confesso isenta empresário e diz que armou assalto com a vítima

Por: MAX AGUIAR

O servente de pedreiro e motorista Paulo Ferreira Martins, autor confesso da morte de Maiana Mariano Vilela, foi o segundo a prestar esclarecimentos no banco dos réus do Tribunal do Juri do Fórum de Cuiabá nesta terça-feira (18). Ele confirmou em 2012, que a mando de Rogério, ex-namorado de Maiana, enforcou até a morte a adolescente e em seguida enterrou o corpo em uma cova rasa na região da Ponte de Ferro.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

reu do caso maiana

Paulo é réu confesso no caso da morte de Maiana

Desta vez, sentado perante ao conselho de sentença e a juíza Monica Catarina Perri, Paulo contou que ele, Maiana e Carlos Alexandre iriam assaltar a empresa de Rogério. Segundo o réu, Maiana disse que seu namorado estaria com aproximadamente R$ 30 mil para fazer o pagamento dos funcionários da empresa.

 

"Ela me encontrou na boate Gerônimo, onde eu trabalhava como segurança. Ela me contou que Rogério iria fazer o pagamento dos funcionários e o 13º salário. Eu envolvi o Carlos Alexandre, chamei ele e bolamos um plano. A Maiana iria ficar com a caminhonete da empresa e eu com R$ 30 mil. Depois ela ia me dar mais R$ 6 mil. Eu marquei um novo encontro com ela numa praça e lá nos encontramos para terminar o plano", contou o homem.

 

Leia depoimento do Paulo: 

 

Paulo disse que ela foi até o local onde ele estava trabalhando e lá eles discutiram. "Ela me disse que tinha dado errado, mas eu não acreditava. Ela me disse que não falou para ninguém e nossa discussão continuou. Ela me xingou e eu xinguei ela. Ela gritou muito, não sei se o Carlos Alexandre ouviu, pois eu mandei ele ir ver se alguém tinha visto. Depois disso eu virei as costas. Ela me jogou uma chave de griff e eu peguei ela pelo pescoço. Nisso, eu a matei enforcada. Minha raiva foi tamanha que quando eu vi logo a matei. Nisso o Carlos Alexandre entrou na sala e perguntou o que tinha acontecido. Eu disse que tinha a matado. Eu fiquei com medo, todo mundo me conhecia pois já tinha sido presidente de bairro e a maioria das pessoas tinha visto ela chegando de moto pois tinha gente na redondeza. A minha preocupação foi o dono chegar e topar aquilo ali. Ai eu falei para o Alexandre que tinha que colocar o corpo no banco traseiro do carro. Joguei um pano sobre o corpo dela. Colocamos a moto na casa e fiquei preocupado sobre o que fazer. Ai pensei, vamos enterrar que ninguém vai descobri. Ai não tinha ferramenta e não tinha nada. Ai voltamos na fazenda, pegamos pá, picareta e voltamos onde estava o corpo e lá enterramos o corpo. Onde ficou cinco meses", declarou o réu confesso.

 

A magistrada questionou sobre as ligações de Carlos Alexandre a Paulo. E ele respondeu. "Ele me ligou e disse que a polícia tinha intimado. Eu fiquei preocupado e logo disse que tínhamos que jogar culpa em alguém e esse alguém seria Rogério. Depois de matar e enterrar eu ainda peguei R$ 3 mil que estava na bolsa da vítima. O celular também nós pegamos, mas tudo veio de nossa mente. Ninguém mandou matar. Ninguém me pagou pra isso. O que tinha acontecido era um plano de roubo que não deu certo, resultou em briga e logo em morte", comentou Paulo à magistrada.

 

Na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Paulo afirmou que inventou uma história da cabeça para tentar se livrar. "Eu não queria ser preso. Por isso inventei essa história", frisou.

 

O promotor de Justiça questionou o réu e perguntou se ele havia virado crente. "O  senhor aceitou Jesus? Virou crente?"

 

"Sim, sou evangélico e me tornei quando estava na cadeia", respondeu o réu. A pergunta foi tensa que a defesa do réu interviu e pediu que a promotoria respeitasse o seu cliente.

 

Na sequência, o promotor questionou se ele recebeu a visita de advogados de Rogério, ex-namorado de Maiana, para que ele mudasse a versão do crime e aceitasse o crime sozinho.

 

"Sim, advogados foram lá. Mas nunca me forçaram nada", comentou o réu.

 

O júri

 

Dos sete jurados, apenas uma mulher. A idade e identidade dos escolhidos são mantidos em sigilos.

 

A expectativa da presidente do júri é que a decisão saia na quarta-feira (19) devido o longo depoimento dos réus e das testemunhas. Eram para ser 14 os convocados para falar, mas apenas sete foram acionados e os demais liberados pela banca de defesa.

 

O auditório do tribunal está lotado de estudantes de direito e alguns membros da família dos réus. Os familiares da Maiana não puderam assistir, já que vieram para depor como testemunhas e são obrigados e ficar do lado de fora até o final dos debates.

 

A juíza Monica Catarina Perri ainda não falou com a imprensa sobre o caso e disse que irá prestar declarações no final do júri.  

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