Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019, 15h:44

Tamanho do texto A - A+

Encontrei minha mulher após analisar 300 currículos

Por: TERRA.COM.BR

A minha família quer que eu procure uma esposa assim que voltar à Índia", me disse com resignação e bom humor o indiano Karan Gupta, durante sua estada nos EUA para cursar um MBA em 2016.

Três anos depois, em março de 2019, Karam aguardava no altar por Vidhi Balasaria, sua futura mulher, enquanto ela passava pelos 450 convidados do casamento celebrado em Jaipur, no norte da Índia.

Os 12 kg de seu vestido, mais o o peso de suas joias — gargantilhas com diamantes, brincos de ouro e pulseiras de cristal vermelho nos braços decorados com desenhos de henna — atrasavam seu passo.

Ao chegar a Karan, ela olhou para ele com certo alívio. Ele tocou suas bochechas, sussurrou algo em seu ouvido e ambos soltaram uma gargalhada.

Por um instante, nós convidados nos esquecemos de que se tratava de um casamento arranjado.

A prática continua sendo comum na Índia, onde pais ajudam a escolher os parceiros de seus filhos e filhas.

Tradicionalmente, manter-se e reproduzir-se dentro da mesma casta e religião são as razões por trás disso. São frequentes os casos em que os noivos se conhecem apenas no dia do casamento.

Ao mesmo tempo, cada vez mais jovens pedem tempo para namorar, menos intervenção familiar, um papel mais ativo das mulheres para escolher seus pares e menos peso a castas ou posições sociais. E mais peso ao amor.

Karan e Vidhi se viram cinco vezes antes de selar seu compromisso para toda vida. Tudo aconteceu muito rápido depois que ele regressou a sua cidade, Mumbai, ao terminar seu MBA. Aos 26 anos, não tinha pressa de voltar para casa.

Por isso, ao voltar à Índia, ele pediu a sua família tempo para se reencontrar com os amigos e enveredar pelo negócio familiar, uma bem-sucedida empresa de logística que passaria a empregá-lo.

300 currículos

Seu pedido por espaço foi atendido, e enquanto isso seus pais fizeram circular uma "folha de vida matrimonial" de Karan, de olho no casamento do caçula da família.

A folha de vida matrimonial é como uma carta de apresentação que pais indianos costumam fazer, com os dados biográficos dos filhos: lugar e data de nascimento, casta, passatempos, nome e formação dos avós, pais, irmãos, cunhados e tios, negócios da família e até a personalidade dos candidatos.

 

O aspecto físico também é importante, motivo por que não pode faltar uma foto recente, dados de estatura e tom de pele.

A ficha de Karan mencionava a escola onde ele estudou na Índia, sua graduação no Reino Unido e seu MBA nos EUA.

"Magro, inteligente e de pele clara", dizia a folha. "Seus hobbies são mergulhar, viajar e ler."

Seu pai, Vijay Kumar Gupta, entregou o documento a uma das muitas agências profissionais de casamento da Índia. Esta, cruzando informações de milhares de pessoas de norte a sul do país, encontra "compatibilidades".

Pai e filho revisaram mais de 300 currículos de aspirantes a noiva de Karan.

Eficiência

Famílias indianas de vários níveis sociais acreditam nos casamentos arranjados por considerá-los eficientes.

De fato, segundo análises do Censo feitas pelo economista Suraj Jacob e pela antropóloga Sreeparna Chattopadhyay em 2016, apenas 2,6% dos casamentos indianos terminam em divórcio, uma porcentagem bem menor do que em países onde parceiros são escolhidos por motivos românticos.

Isso não significa, porém, que os casamentos indianos sejam mais felizes. Acredita-se que nem todas as mulheres se informem sobre seus direitos em caso de divórcio, por causa do estigma associado ao estado civil na Índia, sobretudo nas regiões mais conservadoras.

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei







Mais Comentadas