Terça-Feira, 06 de Agosto de 2019, 11h:16

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No estilo Bolsonaro, senadora Selma ataca OAB-MT em defesa do MP

Por: FERNANDA ESCOUTO

A senadora eleita por Mato Grosso Selma Arruda (PSL) defendeu nesta segunda-feira (05), no plenário do Senado Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A instituição enfrenta acusações de que membros do Ministério Público Estadual (MPMT) teriam se beneficiado de esquemas de interceptações telefônicas ilegais, que deram origem a Operação Grampolândia Pantaneira.

Selma, que é juíza aposentada, afirmou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) estaria fomentando a inversão de valores. 

Moreira Mariz/Agência Senado

Senadora Selma Arruda

 

No último mês, os militares, réus no caso, afirmaram durante depoimento na 11ª Vara Militar de Cuiabá, que promotores do MP teriam coordenado esquemas de “barriga de aluguel” - termo utilizado para a espionagem clandestina.

Para a juíza aposentada, essas acusações têm como objetivo apenas descredibilizar a instituição e sua atuação. A senadora comparou esse caso ao do ministro da Justiça e Segurança Púbica, Sérgio Moro que, após ter o celular hackeado, teve divulgada sua estreita ligação enquanto juiz com a Procuradoria da República, no caso da Lava Jato.

“De mocinhos, os promotores do Gaeco, os promotores da 14ª Promotoria, viraram vilões por astúcia, por ação indevida dessas organizações criminosas. Isso deve servir para nós, legisladores, cidadãos, como um alerta de como as organizações criminosas costumam agir. É por isso que elas são tão fortes, é por isso que é tão difícil derrubá-las. Elas sempre vão conseguir, mediante influência política ou mediante a força do dinheiro, a força da corrupção e do suborno, reverter as suas perdas”, criticou.

Ainda em seu discurso no Plenário, Selma criticou a Ordem dos Advogados do Brasil, tanto nacional quanto de Mato Grosso. Conforme a senadora, a Ordem estaria fomentando a inversão de valores.

Em um recente artigo publicado pela juíza aposentada, ela chega a afirmar que a OAB estaria agindo contra o Ministério Público, devido a interesses de seus membros na anulação das operações, tanto da Lava-Jato como no caso dos grampos em Mato Grosso.

“A OAB até agora omitiu-se no combate aos corruptos. Agora, se levanta na defesa desses criminosos e, agindo por interesse próprio, acaba enchendo de lama os nomes de muitos advogados honestos, que sequer foram consultados a respeito”.

“O fato é que o GAECO tem sofrido ataques de toda sorte. Ora vindos de meliantes travestidos de advogados, cujas teses mirabolantes são formuladas de modo a encontrar destinatários certos no Judiciário”, pontuou a senadora em seu artigo.

Outro lado

O presidente da OAB, da seccional Mato Grosso, Leonardo Campos, em entrevista à Rádio Capital nesta terça-feira (06), disse estar perplexo e decepcionado com as afirmações da senadora Selma Arruda.

“Diante de afirmações levianas, infundadas, partindo principalmente de uma ex-integrante do Poder Judiciário [...] Esperava um certo nível de discussão em outro patamar, não um artigo de nível baixíssimo de uma senadora da República”.

Para Campos, as críticas de Selma soam como desespero. “Ela saiu, em pouco tempo, de paladina da moralidade para condenada judicialmente, talvez isso tenha causado uma decepção na magistrada”, ironizou.

Conforme o presidente da seccional Mato Grosso, não será admitido acusações nesse nível e a Ordem deverá tomar providências sobre as declarações de Selma, como a realização de um ato público de desagravo. “Primeiro, a OAB não participa de um circo.

Segundo, não existe meliante disfarçado de advogado. Existe advogado e existe investigados, nós não vamos aceitar essa pecha”, finalizou.

OAB no "olho do furação"

O presidente Jair Bolsonaro, do mesmo partido de Selma Arruda, também está em rota de colisão com a Ordem dos Advogados Brasil (OAB).

Recentemente, Bolsonaro insinuou que saberia como o militante Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem do Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, desapareceu na ditadura militar.

Antes de falar sobre o pai de Santa Cruz, o presidente criticou a atuação da OAB no caso de Adélio Bispo, o homem que o esfaqueou durante a campanha eleitoral, e perguntou qual era a intenção da entidade. Segundo Jair, a ordem teria impedido o acesso da Polícia Federal ao telefone de um dos advogados de Bispo.

Em nota de repúdio às declarações de Bolsonaro, a OAB rebateu afirmando que todas as autoridades do país devem "obediência à Constituição Federal", que tem entre seus fundamentos "a dignidade da pessoa humana, na qual se inclui o direito ao respeito da memória dos mortos". 

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