Quinta-Feira, 22 de Agosto de 2019, 15h:40

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Mendes diz que investigação pode apontar autores de queimadas

Por: KHAYO RIBEIRO

Em declarações concedidas à imprensa na noite desta quarta-feira (21), o governador Mauro Mendes (DEM) disse que somente investigações poderão apontar possíveis responsáveis pelas queimadas.

Mato Grosso é líder disparado no ranking de focos de queimada no país. De acordo com levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), há 8.776 focos de incêndio ativos no Estado.

A declaração do chefe do Executivo municipal veio como resposta às falas do presidente Jair Bolsonaro (PSL), de que ONGs estariam por trás de incêndios na Amazônia.

Mayke Toscano/Secom-MT

Mauro Mendes

 Governador Mauro Mendes (DEM), em coletiva de imprensa 

“Seguramente é possível que tenham pessoas por trás dessas ações, porque o fogo não começa de maneira espontânea. Agora, se essas pessoas são cidadãos comuns, se são produtores ou se estão ligados a ONGs é uma investigação que poderá levar a esse resultado. E o presidente, ao fazer essa afirmação, ele pode ou não ter essas informações”, disse Mendes.

Sobre o fato de Mato Grosso ser líder em relação às queimadas, o governado afirmou que tem cumprido com o seu papel e assumido suas responsabilidades.

“Na questão das queimadas, nós estamos combatendo esses incêndios que têm origens das mais diversas naturezas. E depois vamos fazer o trabalho de responsabilização. Nosso foco é cumprir a legislação. Mato Grosso é a região do planeta que mais produz alimentos e que respeita o meio ambiente”, argumentou o chefe do Executivo municipal.

Conforme o comparativo histórico que compõe o Informativo de Incêndios Florestais, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública, o estado de Mato Grosso registrou 12.990 ocorrências de focos de calor entre janeiro e agosto deste ano. O valor supera a média do estado nos últimos 10 anos, que era de 9.102 casos. 

Para Mauro Mendes, o presidente da República traz verdades objetivas em suas falas, ainda que proferidas de forma “peculiar”.  O governador lembra que não cabe a ele fazer julgamentos sobre as declarações de Bolsonaro e, sim, respeitar o chefe do Executivo federal.

"Eu cheguei a MT há quase 40 anos. Bolsonaro não era absolutamente nada na política e essas queimadas já existiam. Eu me lembro que cheguei uma vez no norte do estado de MT e não conseguia enxergar mais do que 30 metros a minha frente, de tanta queimada que existia"

“Eu cheguei a MT há quase 40 anos. Bolsonaro não era absolutamente nada na política e essas queimadas já existiam. Eu me lembro que cheguei uma vez no norte do estado de MT e não conseguia enxergar mais do que 30 metros a minha frente, de tanta queimada que existia”, apontou.

Questionado sobre os recursos voltados à preservação do meio ambiente, Mendes sinalizou que, apesar de o Estado estar cumprindo com seu papel, ainda tem muita coisa para ser realizada.

“Precisamos de recursos porque tudo que se faz hoje ainda é pouco, temos demandas, mas eu também acredito que o que se faz hoje com os recursos que nós temos, e com boa vontade, em parceria com os municípios, em parceria com os produtores, com a sociedade civil organizada, nós podemos ser mais eficientes e dar resultados melhores como temos dado nos últimos anos”, declarou Mauro Mendes.

O governador finalizou dizendo que tem duas agendas internacionais para tratar das relações comerciais do Estado com outros países para o próximo semestre. “Como governador, eu tenho o dever de trabalhar para ter uma boa relação institucional com todos os entes e o dever de cuidar do nosso estado. E, para cuidar do nosso estado, estou tomando as providências que nós julgamos corretas, estou investindo em tecnologia, estamos aprimorando o trabalho da Sema, estamos como nenhum estado brasileiro está fazendo neste momento. Nós temos hoje um sistema tecnologicamente evoluído”, declarou.

DURA REALIDADE

Sem chuvas fortes há mais de 3 meses, a umidade do ar está em 33%. A ideal é que esteja em, no mínimo, 60%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 
 

Em Mato Grosso houve um acréscimo de aproximadamente 41,57% dos focos de calor do ano de 2019, em comparação no mesmo período de 2018. O dado alarmante é que a degradação do meio ambiente atinge, em grande parte (92,48%), propriedades privadas.

As chamas nas unidades de conservação, terras indígenas e projetos de assentamento, correspondem a pouco mais de 7% dos locais em risco.

AMAZÔNIA

A Amazônia Legal e o Brasil, também apresentaram um acréscimo de aproximadamente 41,77% e 27,91% respectivamente, considerando o mesmo período.

Ilustração

Queimada na amazonia

Queimadas na Amazônia geram reações internacionais

Em relação à média dos últimos 10 anos no mesmo período, verificou-se um acréscimo de aproximadamente 32,33% ao nível estadual, um acréscimo de 38,23% na região da Amazônia Legal e um acréscimo de 19,13% ao nível nacional.

Na Amazônia encontra-se a maioria dos focos de calor com 5329 focos correspondente a 62.37%, seguida pelo Cerrado com 3075 focos 35.99% e o Pantanal com 139 focos de calor 1,62%.

O tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Frank Marcelino da Costa, é especialista em incêndio florestal e afirmou que a população precisa se conscientizar os malefícios das queimadas.

A pena para quem promove queimadas pode chegar de 1 a 4 anos de detenção, mais multa.

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