Terça-Feira, 18 de Junho de 2019, 11h:00

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"Já fizemos greve com adesão de apenas 25% do pessoal", diz Sintep sobre alegação de esvaziamento

Diretor do Sindicato dos Profissionais da Educação rebate afirmação do governador, de que mais de 50% das escolas já estariam tendo aulas normalmente

Por: PAULO COELHO

Na próxima segunda-feira, dia 24, o Sindicato dos servidores da Educação, irá se reunir mais uma vez em assembleia geral para decidir sobre o  destino da greve, que já dura mais de 20 dias.

O diretor do Sintep, Henrique Lopes rebateu, em entrevista ao HNT/HiperNoticias, afirmação do governador Mauro Mendes (DEM), de que mais de 50% dos profissionais  da Educação que aderiram ao greve já voltaram às salas de aula. Mendes acredita que, assim, o movimento grevista, está, aos poucos, perdendo força no Estado.

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mauro e professores cartaz greve

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“Tem muita gente em greve ainda. No Estado, a greve, se não ultrapassa, está próxima de 70% do quadro de pessoal. Em Cuiabá, temos 70 escolas, 64 continuam paralisadas. Nos grandes polos como Rondonópolis, Alta Floresta e Primavera do Leste, enfim, nesses municípios maiores,  está tudo praticamente parado”, garantiu Lopes.

O Estado, baseado em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o corte de ponto de todos os trabalhadores que aderiram à greve. Eles, inclusive, já tiveram descontados em folha os dias sem trabalhar relativos ao mês passado, cuja folha foi quitada próximo ao dia 10 de junho. Neste mês, por exemplo, quem não trabalhou nenhum desses primeiros 18 dias não vai receber nada e, seria exatamente esse o principal argumento que estaria “enfraquecendo” a paralisação.

Para o líder governista na Assembleia, Dilmar Dal Bosco (DEM), a paralisação provoca prejuízos ao Estado.

“Isso tem um custo para manter a regularidade nas  horas-aula, pagando o frete desses alunos. A divisão do transporte escolar cabe a municípios e Estado e aí vai ficar só com o Estado de Mato Grosso, então o governo tomou essa atitude de cortar o ponto”, disse.

Já o Sintep vê prejuízos não apenas aos servidores, que têm tido o ponto cortado, mas também à economia, especialmente nos municípios do interior.

“Os salários dos servidores públicos movimentam a economia de muitos municípios de Mato Grosso, portanto torna-se um caos não só para os servidores, mas como para o comércio em geral”, reclamou Henrique Lopes, para quem “é uma manobra muito perigosa, do governador, em apostar no esvaziamento do movimento grevista, pois já tivemos  greve aqui no Estado, sendo conduzida por 25%, 30% do quadro de pessoal e a greve nos grandes polos é muito forte”

O sindicalista admite, porém, algumas baixas na adesão, mas segundo ele não chegam a abalar o propósito grevista. “Não vou negar que tem uma escola ou outra que, de vez em quando volta, até porque os métodos utilizados pelo governo do Estado, são os métodos mais truculentos, anti-sindicais, e que não encontram amparo na legislação”.

Dilmar Dal Bosco, por sua vez, sustenta que a decisão pelo corte de ponto, foi respaldo pelo endosso do Tribunal de Justiça e pelo STF.

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