Quinta-Feira, 30 de Agosto de 2018, 08h:59

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Vítimas afirmam que pastor preso por estupro tinha "namorado" de 14 anos

Por: LUIS VINICIUS

Os depoimentos dos sete meninos que acusam o pastor Justino Ireno da Costa, de 53 anos, de estupro chamaram a atenção do delegado que investiga o caso, Cláudio Alvares Santana. Segundo a autoridade policial, o religioso cometeu praticamente todos os tipos de abusos sexuais contra os menores, que tinham idade de 6 a 17 anos. A “intimidade” do criminoso com as vítimas era tamanha, que um adolescente, de 14 anos, era conhecido pelas outras crianças como “o namorado do pastor”.

 

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 Pastor Justino Ireno da Costa, de 53 anos.

Esse jovem, que não teve o nome divulgado, era a vítima com a maior confiança do acusado. Segundo o depoimento das outras vítimas, o adolescente fez e recebeu sexo oral, além de ter sido masturbado pelo pastor. Os interrogatórios das outras crianças apontam que essa vítima, era o responsável por pagar as contas da igreja e fazer compras para a casa do pastor, localizada no bairro Mangabeira, em Várzea Grande. Pelo "serviço" ele recebia uma quantia maior de dinheiro do que os outros meninos. Pela estreita relação entre o pastor e o menor, as outras vítimas afirmavam que esse jovem era o "namorado" do religioso.

 

“Algumas crianças tinham vergonha em relatar que sofriam abuso do pastor. Porém, após os depoimentos, nós chamamos uma das vítimas, citada por todas as outras de ter sofrido abuso. Esse menino, de 14 anos, era conhecido como o namorado do pastor. E ele foi categórico em falar que teve várias relações sexuais com o pastor e que o acusado sempre dava dinheiro pra ele após os estupros”, disse o delegado Cláudio Alvares ao HiperNotícias.

 

A mãe do adolescente desconfiou na proximidade entre o filho e o pastor, pois toda vez que o menor ia para a casa do religioso voltava com dinheiro. A mulher, que também prestou depoimento, afirmou que as pessoas no bairro começaram a suspeitar que o pastor da igreja em que ela frequentava era pedófilo e, diante disso, proibiu que seu filho frequentasse a casa do religioso.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

delegado claudio alvares santana

 Delegado da Delegacia Especializada de  Cláudio Alvares Santana

No entanto, a mulher contou que precisava trabalhar e deixava o filho em casa. Sozinho, o adolescente fugia para ir à casa do acusado. O delegado explica que, como o adolescente recebia dinheiro em troca dos abusos, acreditava estar "no lucro" e por isso, não denunciava o acusado.

 

À reportagem, Santana contou que as investigações começaram em fevereiro desde ano, após denúncias de duas mães. Contudo, mesmo após as queixas, o pastor continuou a cometer os crimes contra as crianças. Ele atacava apenas meninos.

 

“A vítima ainda disse que após o pastor ser denunciado, ele ainda continuou com os estupros. Esse adolescente acredita na hipótese que o pastor seja homossexual, porque ele só teria envolvimento com vítimas homens”, finalizou o delegado.

 

 

O caso continua sendo investigado pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso. 

 

 

O caso 

 

 

Justino foi preso na tarde de terça-feira (28), em sua casa no bairro Mangabeira. Ele utilizava a condição de pastor evangélico para conquistar a confiança dos pais e das crianças. Em seguida, ele convidava as vítimas para ir até a sua casa e estuprava os meninos, com idades entre 4 a 17 anos. Para que as vítimas não contassem aos pais, o suspeito dava quantias de R$ 20 a R$ 50 para "comprar o silêncio" dos meninos. No depoimento ele negou ter cometido o crime.

 

“O pastor negou todas as acusações que pesam contra ele. No depoimento, nós perguntamos em cima do que cada vítima disse, ele negou tudo. Contou que todas as acusações são mentirosas. Questionamos sobre esse dinheiro que ele dava para as crianças. Ele disse que é um homem bom e por isso ajudava as vítimas financeiramente”, disse o delegado ao HiperNotícias.

 

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