Sábado, 18 de Março de 2017, 09h:53

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"Furei nessa veia porque sabia o que podia acontecer”, diz acusado sobre assassinato

Por: RAYANE ALVES

“Furei na região da carótida, que é uma veia que vai até o coração, após notar uma possível perda de lucidez”. Essa foi uma das frases do enfermeiro Luiz Otávio Silva, de 25 anos, durante o depoimento à Polícia Civil para explicar como matou sua ex-namorada, a estudante de Direito Ivone Oliveira Gomes, de 24 anos.

 

Reprodução

Ivone Oliveira Gomes

 

O réu confesso prestou depoimento na tarde de quinta-feira (16) para a delegada Juliana Palhares, da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP). Os detalhes de como matou a vítima são provas de que Luiz sabia exatamente os pontos do corpo humano para deixar a ex-namorada sem chances de uma reanimação.

 

À delegada, Luiz, que foi preso no começo da tarde de quinta-feira (16), contou que praticou o crime na noite de quarta-feira (15), depois de chegar com a companheira da faculdade.

 

O assassinato começou com um empurrão, quando ele a jogou na cama. Ao se levantar, Ivone teria o mandado sair da casa. Foi, então, que ele a agrediu várias vezes e começou a sufocá-la.

 

“Levei a Ivone até a cama com os meus dedos indicadores na boca dela. Deitei e comecei com o sufocamento. Sentei com minhas duas pernas por cima dela e abri meus braços para que ela não se movimentasse. Foi quando coloquei meus dois polegares no processo de sufocamento. Ela só chegou a desmaiar depois que houve a hemorragia interna”, relatou o suspeito, com voz calma, sobre como cometeu o crime .

 

O enfermeiro disse que, após o sufocamento, percebeu que a pressão arterial da estudante tinha começado a diminuir. Mas, como ela ainda tinha sinais vitais, resolveu dar um soco no olho de Ivone. Não contente com as agressões, Luiz disse que pegou a cabeça da jovem e a bateu contra a parede para quebrar o crânio.

 

“Quando notei uma possível perda de lucidez, peguei a faca, retornei e furei na região da carótida, que é uma veia que vai até o coração. Contei cinco segundos, deu hemorragia interna e o coração parou. Nisso, cortei a região da traqueia, mas a faca entortou e não consegui cortar a região da laringe”, detalhou friamente.

 

Ao ser indagado pela delegada sobre quantas facadas tinha dado na companheira, Luiz não soube precisar, mas informou que a face e o pescoço dela ficaram bastante dilacerados por causa das perfurações.

 

“Se eu falar quantas facadas dei estaria mentindo. Mas, o olho posso confirmar que não perfurei. Quebrei o nariz, depois apaguei as luzes, peguei a chuva, e o resto vocês já sabem que encontraram a chave onde eu descartei. De fato, eu sabia o que podia acontecer, por isso furei nessa veia”, concluiu.

Reprodução

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O crime

Ivone Oliveira Gomes, 24 anos, foi encontrada morta na noite de quarta-feira (15), por volta das 22 horas, na quitinete em que morava, no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. O corpo estava em cima da cama e foi encontrado pela amiga com quem dividia o espaço. A moça foi morta por vários golpes de faca na região do pescoço e da cabeça.

 

Segundo a amiga, a vítima teve um relacionamento conturbado com o suspeito Luis Otávio, por aproximadamente quatro meses, e ela tentava terminar, mas o namorado não aceitava o fim do relacionamento.

 

O suspeito tinha acesso à chave da casa e devolvia para a vítima sempre que usava. Mas, conforme a amiga, na noite do crime ela sentiu falta da chave e, quando chegou do trabalho, encontrou a porta trancada, sem sinais de arrombamento e todos os pertences da vítima no lugar, inclusive o celular.  

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