Terça-Feira, 28 de Março de 2017, 15h:05

Tamanho do texto A - A+

Advogada que pulou do Mirante em Chapada sofria transtornos mentais e polícia isenta procurador

Por: JESSICA BACHEGA

Cinco meses após o suicídio da bacharel em direito Ariadne Wojcik, 25, as investigações conduzidas pelo delegado Diego Alex Martimiano, de Chapada dos Guimarães, não foram conclusivas em apontar o que pode ter motivado a jovem a tirar a própria vida. Antes de se jogar do Mirante, ponto turístico do município, ela deixou uma carta no Facebook na qual se dizia perseguida e assediada por um ex-professor da Universidade de Brasília (UnB). A delegacia aguarda laudos da perícia realizada nos equipamentos eletrônicos da vítima para definir os próximos passos das apurações.

 

Arquivo Pessoal

ADVOGADA DESAPARECIDA ARIADNE

 Ariadne deixou carta e post dizendo que não agentava mais o assédio

“Nós já cobramos esses laudos da Politec, mas ainda não temos previsão de quando ficarão prontos, pois é um processo demorado. Queremos saber se havia algum dispositivo de escuta que pudesse ser usado pelo professor para monitoramento da jovem, como ela contou na carta deixada”, informou o delegado.

 

A jovem morava em Cuiabá e seria nomeada para um cargo no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. No dia 9 de novembro ela pegou um táxi na Capital e seguiu até Mirante, ponto turístico de Chapada dos Guimarães, de onde se jogou. O corpo foi localizado horas mais tarde, no mesmo dia.

 

Em sua página  na rede social, a jovem fez um longo desabafo dizendo que não aguentava mais a perseguição e o assédio do ex-professor  e procurador Rafael Santos de Barros, mesmo após ter deixado de trabalhar no escritório dele. A suposta abordagem teria sido o estopim para a moça tomar a atitude de tirar a própria vida.

 

“Eu nunca poderia imaginar o que estaria por vir. Comecei no estágio novo super empolgada, eu achava aquele professor o máximo, extremamente inteligente, detalhista, perspicaz, minucioso, brilhante. Como poderia ser ruim? Até que as coisas começaram a ficar esquisitas, vários presentes injustificados, mensagens por WhatsApp totalmente fora do contexto do trabalho (P.ex: "sou seu fã", ou "você é demais") e fora de hora, muitas, muitas, muitas, perguntas de cunho pessoal”, narrou a jovem em sua última postagem.

 

O delegado de Chapada afirma que em buscas nos  emails e mensagens da jovem, bem como oitiva de familiares e pessoas próximas não ficou demonstrado qualquer ameaça por parte do professor, com o qual ela narrou ter se relacionado meses antes do desfecho trágico.

 

“Queremos agora ver o resultado dos laudos, pois até o momento todas as diligências feitas e pessoas ouvidas não apontaram que ele a ameaçava ou a assediava. Falamos com muitas pessoas, inclusive com seu psiquiatra, e foi confirmado que ela sofria de transtornos psicológicos e se recuperava de uma profunda depressão”, declarou o policial.

 

Até o momento não foi encontrado nada que incriminasse o professor. Ele ainda não foi ouvido e sua oitiva poderá ser marcada após o resultado dos laudos caso haja indícios de que ele possa ter intimidado a jovem e motivado a morte prematura.

 

Leia também:

Após morte de advogada, Universidade de Brasília afasta professor de direito tributário

Advogada morta no Mirante tomaria posse hoje no TJ; amigos se comovem nas redes sociais

Celular e notebook de jovem morta no Mirante em Chapada serão periciados

Procurador nega assédio e diz que advogada encontrada morta tinha problemas psiquiátricos

 

Avalie esta matéria: Gostei +1 | Não gostei - 1

Leia mais sobre este assunto