Sexta-Feira, 12 de Julho de 2019, 10h:30

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Procurador culpa Judiciário por lentidão nas investigações da grampolândia

Por: FERNANDA ESCOUTO

O coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual (MPMT), o procurador de Justiça Domingos Sávio, afirmou que a demora na conclusão das investigações no esquema conhecido como “grampolândia pantaneira”, se deve ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Hugo Dias/HiperNotícias

Domingos S?vio de Barros Arruda

 

“Em outubro de 2017, quatro meses depois que as nossas investigações estavam de vento em popa, o STJ avocou os procedimentos, que ficaram lá durante um ano e meio. Como íamos continuar as investigações? Os quatro meses que ficamos com ele, nós fizemos todas diligências que pudemos fazer nesse período”, disse em entrevista à Rádio Capital FM, nesta sexta-feira (12).

Conforme o coordenador do Naco, somente em abril deste ano o processo, que investiga o esquema que operava escutas telefônicas clandestinas, retornou ao MPMT.

“O tempo que permaneceu no MP foi apenas 4 meses e meio e ficou um ano e sete meses no Poder Judiciário [...] Portanto, nós não estamos segurando nada”, destacou.

Nessa quinta-feira (11), o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Mato Grosso, Leonardo Campos, criticou o Ministério Público pelo andamento do processo e insinuou que a demora na finalização das investigações seja por causa da participação de promotores na grampolândia.

“Anteontem recebi no meu gabinete alguns dos promotores que estão sendo investigados, que me pediram, imploraram pelo amor de Deus, para que eu continuasse com essa investigação o mais rápido possível, porque eles não aguentam mais, pois eles já foram investigados pela nossa corregedoria, pelo Conselho Nacional do MP e agora tem mais esse procedimento investigatório”, pontuou.

Questionado quem seriam os promotores que estiveram em seu gabinete, Domingos citou Ana Cristina Bardusco, Samuel Frungilo, Januária Dorileo, Carlos Roberto Zarour e destacou que o ex-chefe do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Marco Aurélio de Castro, que está de férias, mandou uma mensagem via celular.

“Estiveram em comitiva no meu gabinete pediram encarecidamente para tocar as investigações o mais rápido possível. Aparentemente, não é possível imaginar de outra forma, nenhum dos promotores estão preocupados com o resultado das investigações, ao contrário. Eles querem se ver livres, pelo sim ou pelo não, dessa coisa que não acaba nunca”.

Nesta semana, o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) Orlando Perri, relator do processo, determinou que o MPMT conclua as investigações sobre o esquema de interceptações clandestinas, no prazo de 30 dias.

“Não falta muito para concluir não, falta pouca coisa essas investigações. É possível que até em menos de 30 dias a gente conclua. Mas enquanto não estava conosco, como iríamos avançar nas investigações?”, questionou.

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