Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 11h:51

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“Pelo menos seis dos promotores com quem trabalhei cometeram ilegalidades”, diz Gerson

Por: FERNANDA ESCOUTO

A audiência referente a participação de militares no caso dos grampos ilegais, conhecido como “Grampolândia Pantaneira”, continua nesta quarta-feira (17). Hoje, o juiz da 11ª Vara Criminal Especializada na Justiça Militar, Marcos Faleiros, ouve o cabo PM Gerson Luiz Ferreira Corrêa Jùnior.

Fernanda Escouto/HiperNotícias

Depoimento cabo Gerson

 

Nessa terça-feira (16), foram ouvidos os coronéis, Evandro Lesco e Zaqueu Barbosa. Em depoimento, os dois confirmaram que o ex-governador Pedro Taques sabia do esquema de escutas clandestinas. 

Gerson foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPMT) por falsificação de documento público e omissão ou inserção de declaração falsa em documento público.

Gerson começa falando que veio esclarecer novamente os fatos. “Não posso deixar de citar que esse militar buscou em 2017, junto à Polícia Civil, colaborar com o inquérito instaurado naquela ocasião. Por uma manobra jurídica não consegui terminar meu depoimento, porque tudo foi encaminhado ao STJ. Busquei no MPF, selar o termo de delação premiada e também não deu prosseguimentos às tratativas”, disse.

“O passo seguinte, já com o retorno do processo à essa Vara, bati na porta do MPMT, com o intuito de tentar delação. Entretanto, o promotor Alan do Ó, não aceitou. Ele nem quis ouvir qualquer fato sobre o envolvimento de representantes do MPMT no esquema. Meu advogado foi até esculachado pelo promotor Alan”, completou. 

Gerson cita que após procurar o Naco, ele foi bem recebido pelo procurador Domingos Sávio. Porém, como “um tapa na cara”, ele acabou negando a minha delação.

Fernanda Escouto/HiperNotícias

Gerson presta depoimento

 

O cabo afirma que os coronéis ouvidos nesta terça-feira (16) apenas reafirmaram o que ele já havia falado antes, que o ex-governador Pedro Taques sabia da grampolândia.

Gerson diz agora que não falará da Grampolândia Pantaneira e, sim, da Operação Metástase, na qual, segundo ele, foi feito o esquema de barriga de aluguel a mando dos promotores Marco Aurélio e Samuel Frungilo.

“Tiveram dados cadastrais invadidos: a deputada Janaína Riva, Janete riva, José Geraldo Junior, Jéssica Riva e também o ex-presidente da Assembleia, José Riva.

Gerson afirma que levou a demanda ao coronel Zaqueu e disse que era um pedido do então chefe do Gaeco, Marco Aurélio de Castro, e assim a deputada foi monitorada. Ele citou, inclusive, o número dela que foi inserido em lista de escuta por meio de barriga de aluguel, ou seja, inserida numa investigação de outro assunto.

Cabo Gerson destaca que Janaína Riva sempre era monitorada, mesmo após da Operação Metástase. “O Marco Aurélio me disse que era necessário monitoramento dela, porque o motorista dela era foragido da Operação  Metástase”, disse.

O réu no caso de escutas telefônicas ilegais diz agora sobre uma suposta ameaça feita à juíza Selma Arruda. Segundo Gerson, o ex-chefe do Gaeco o mandou averiguar a situação.

Gerson fala que pessoas, como o ex-governador Silval Barbosa, e o seu irmão  Toninho Barbosa foram grampeados. Pois, segundo o relatório do então chefe do Gaeco, essas pessoas eram suspeitas de amaçar a juíza Selma. “Pra mim essa era uma das mais típicas barriga de aluguel praticadas pelo Gaeco”, disse.

Outro fato que Domingos Sávio falou que era requentado, mas mesmo assim não investigou, diz respeito à Operação Arqueiro. “Vou esquentar esse fato agora com informações que nunca revelei antes”, apontou. 

“A família Barbosa foi alvo, antes da deflagração da Operação Ouro de Tolo, por determinação de Marco Aurélio e Samuel Fungilo”, disse. Gerson inseriu os números de integrantes da família de Silval, fazendo assim a barriga de aluguel.

O promotor Vinicius Ghayva pede para que Gerson não generalize e cite nomes de promotores envolvidos em esquemas. “Daqui a pouco vamos colocar o MPMT aqui no banco dos réus”, disse Ghayva.

O juiz Marcos Faleiros interrompeu e disse a Gahyva que não poderia censurar o depoimento de Gerson.

Já sobre a Operação Imperador, Gerson afirma que Marco Aurélio usava de grampos para se vangloriar. Segundo ele, Marco Aurélio determinava que fossem gravadas imagens da deflagração de operações do Gaeco para resguardar os policiais e demais participantes: "Mas isso não era levado a efeito. Em especial na Operação Imperador, no cumprimento da prisão do ex-deputado José Geraldo Riva e sob esse subterfúgio de evitar nulidades, foram gravadas imagens para na verdade divulgar aos meios de comunicação de massa, como o Fantástico".

Gerson diz que a filial da Globo recebia informações privilegiadas. “Esses fatos eu narrei há um ano, eu reesquentei e o MPMT nada fez para investigar”, disse.

Em seu depoimento, Gerson afirma que partiu do Gaeco o vazamento do áudio entre o ex-chefe do Executivo Silval Barbosa com o desembargador Marcos Machado no dia seguinte à prisão da senhora Roseli Barbosa.

Gerson afirma que colocou o número do coronel Adalberto Gonçalves como se fosse o número da servidora da Assembleia Legislativa, Maria Aires Caramelo, na Operação Metástase: “Eu confessei ao Marco Aurélio isso e ele me mandou ficar tranquilo”.

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Depoimento cabo Gerson

 

Gerson diz que membros do MPMT e Gaeco mentiram ao negarem que fizeram auditorias. “Esses promotores que saíram falando na mídia que fizeram auditoras é mentira. Dentro da operação metástase existiu barriga de aluguel. Eu assumo minha parcela de culpa, levei a informação adiante e o MPMT continua a negar que isso nunca existiu”.

O promotor questionou se a revista Tiititi ou a Contigo estava presente, e se retirou. 

Gerson cita que, em 2013, o promotor Marcos Regenold determinou que um colega policial alterasse os autos circunstanciados, e o mesmo teria se negado a fazer. Regenold então teria falsificado a assinatura do policial, com o objetivo de prorrogar as escutas ilegais. O cabo reafirma sobre o caso da verba secreta no Gaeco.

O promotor interrompe mais uma vez e o juiz Marcos Faleiros intervém. “Está aberto a palavra para o Cabo, não estamos investigando. Estamos ouvindo fatos que estão ligados à Grampolandia Pantaneira”, diz.

Gerson fala que nem os promotores prestam conta dessa verba secreta.

Ele diz que essa verba se parece muito com a Verba indenizatória da ALMT, que já foi alvo de investigações.

Gerson diz que o promotor Célio Wilson consertou a moto com a verba do Gaeco. Ele destaca que Regenold comprou cães também com a verba.

Para finalizar, Gerson fala que vai apenas ratificar o que ele já disse sobre a Grampolândia. “Eu protegi membros do MPMT. Protegi o Lesco antes”, disse.

“Esses dois coronéis estão comigo nesse crime e eu sabia que eles eram homens o suficiente para assumirem que quem são os mandantes das interceptações são os primos Taques”.

Fernanda Escouto/HiperNotícias

Depoimento do cabo Gerson

 

Gerson fala que desde o início sabia que as placas usadas no setor de inteligência, montado a mando de Taques, eram do Gaeco. “Eu só não entendia como aquelas placas chegaram nas mãos do Zaqueu”, disse.

Gerson cita fatos já narrados anteriormente. Diz que antes das eleições os números do advogado José Antônio Rosa, José do Patrocínio, Tatiane Sangalli, o jornalista Muvuca.

Gerson fala que o número de Vinicius Hugnei, atual vereador, também foi grampeado. Em tese ele iria comprar votos nas eleições. Ele diz ainda que o número do desembargador José Ferreira Leite foi grampeado por engano, pois o número dele se parecia com o de Tatiane Sangalli, ex- amante de Paulo Taques.

Gerson reafirma o que Lesco apontou ontem (16), que em janeiro de 2015 foi realizada a interceptação do analista de Carlos Fávaro, então vice-governador do Estado.

Os grampos perduraram até outubro de 2015, quando o então secretário de segurança, Mauro Zaque, tomou conhecimento dos fatos. 

“Zaqueu mandou eu destruir com tudo. Eu joguei as gravações todas em um rio. Exceto pendrives que eram repassados ao senhor Paulo Taques”, disse.

“Nós fomos instrumento? Fomos. Erramos sim. Mas o maior interesse era do governador Pedro Taques”, encerrou. Agora, o Conselho de Militares começarão as perguntas.

Fernanda Escouto/HiperNotícias

Depoimento cabo Gerson

 Advogado do cabo Gerson Luiz Ferreira Correa

Gerson afirma que destruiu em 2017 as placas usadas nas interceptações.

Questionado sobre a busca pela delação junto ao MPMT, Gerson diz que estava muito confiante que ia conseguir. “Eu disse ao Domingos Sávio que eu confiava muito nele, confiava que teria uma investigação. Em menos de um mês ele me dá um despacho daquele defendendo os promotores”, apontou. 

Um dos juízes militares questionam o porque o cabo Gerson fez tantos atos ilegais.

“Lealdade. Eu não ganhei nada, ao contrário. Eu tirei do meu bolso [...] Eu fui, sou e serei leal ao Lesco. Eu segurei a onda dele nos últimos interrogatórios que eu fiz. E ontem, pela minha alegria, ele confirmou tudo que eu já havia falado”, contou. 

A sessão foi suspensa por 15 minutos. Confira a seguir as entrevistas concedidas durante o intervalo. 

O advogado do Gerson disse que todas essas declarações foram levadas ao MPMT, porém pelo corporativismo, nada foi investigado.

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva reafirma que estão tentando, em âmbito nacional, desconstruir o Ministério Público.

“Não tenho interesse em defender nenhum dos meus colegas, mas como cidadão de bem tenho o dever de defender essa instituição”, pontuou Gahyva.

O intervalo chega ao fim e a sessão é retomada.

“Eu sou um criminoso, doutor. Mas acho que os promotores também deveriam ser investigados como eu”, diz Gerson ao promotor Gahyva que o questionou sobre a demora em trazer essas informações à Justiça.

Gerson afirmou que trabalhou com muitos promotores, entretanto, apenas seis ele tem conhecimento que praticaram ilegalidades: “Samuel Frungillo, Marco Aurélio, Célio Wilson, Marcos Bulhões, Marcos Regenold e Paulo Prado".

O promotor de Justiça questiona Gerson sobre uma suposta manobra do Pedro Taques para barrar as investigações.

“O que me estranha, abismado o senhor defendendo o ex-governador Pedro Taques. Mas essa noite irei refletir sobre isso. Espero que eu esteja errado”, diz o militar sobre o questionamento de Gahyva.

Atualizada às 18h11

Neste momento o promotor Vinicius Gahyva, faz comparações entre as declarações de Gerson nos depoimentos anteriores e o de hoje (17). “O senhor mentiu antes?”, questiona Vinicius

Réu pode tudo, não pode? Fiz por conveniência de defesa”, responde Gerson.

Neste momento o clima esquentou. Gerson se irritou e disse que não vai aceitar desrespeito com ele, chegando a empurrar o próprio advogado.

Gerson só se acalmou após um dos juízes militares mandar ele respeitar às autoridades

Os questionamentos do Gayhva estão sendo rebatidos pela defesa do coronel Lesco, que está presente

A defesa alega que os documentos utilizados por Gahyva não estão nos autos, portanto, não podem ser utilizados.

O réu afirmou que não tem nada a declarar e agora está em silêncio.

 

Atualizada às 18h33

O promotor segue perguntando e segue sendo ignorado.

Vinicius pergunta à defesa de Gerson: “por que acabou o amor e ele não quer mais me responder?”

A defesa rebate pedindo ao juiz para que Gahyva pare com o deboche.

O réu pede para o promotor repetir a pergunta, porém já disse que não vai responder. “Eu só quero anotar”

Ao fim do questionamento, Gahyva afirmou que nunca tinha ouvido falar de nada sobre isso e que se preocupa com a finalidade de tudo isso.

“Eu faço das palavras do senhor às minhas da PM. O Gaeco é maior que esses promotores que agiram de forma ilegal. Assim como a PM também sofreu com militares, como eu”, rebateu Gerson. "Eu errei, estou passando maus bocados, mas não podemos jogar tudo na lama. A PM, o Gaeco vai continuar existindo”, continuou.

 

Atualizada às 18h56

Em seu depoimento, Gerson diz que não sabe porque o tenente-coronel Januário Antônio Batista foi denunciado, pois ele nem sabia do esquema de grampos.

Gerson diz que não tem revanchismos contra ninguém. “Tudo que falei aqui é na base da verdade”

"O senhor está arrependido", pergunta a defesa de Gerson

"Com certeza. Minha conduta era ilibada. Na vida a gente toma decisões que tem consequências”, responde Gerson

 

Atualizada às 19h16

O juiz Marcos Faleiros determinou que o julgamento do caso dos grampos ilegais será nos dias 6, 7 e 8 de novembro.

Acabou o reinterrogatório do cabo PM Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior.

 

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