Quinta-Feira, 27 de Junho de 2019, 10h:20

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MP sobre Arcanjo: se for colocado em liberdade poderá ameaçar testemunhas e informantes

O órgão emitiu parecer contrário à revogação da prisão preventiva do ex-comendador e de mais nove pessoas presas durante a Operação Mantus

Por: FERNANDA ESCOUTO

O Ministério Público Estadual (MPMT) emitiu parecer contrário à revogação da prisão preventiva do ex-comendador João Arcanjo Ribeiro e de mais nove pessoas presas durante a Operação Mantus, desencadeada pela Polícia Civil, no dia 29 de maio. O documento foi assinado no último dia 19.

Alan Cosme/HNT/HiperNoticias

joao arcanjo ribeiro/audiencia de custodio mantus

João Arcanjo Ribeiro foi preso durante a Operação Mantus, em 29 de maio

Para o Ministério Público se os acusados forem colocados em liberdade, eles podem ameaçar testemunhas e informantes, prejudicando as investigações. Além do mais, o órgão destaca que as defesas não trouxeram aos autos qualquer fato novo que pudesse alterar a situação que motivou a prisão de seus clientes.

“Além disso, não se pode perder de vista que a instrução criminal ainda vai começar, fato que aumenta mais a necessidade da prisão, visto que se forem colocados em liberdade poderão ameaçar testemunhas e informantes, além de poder adotar meios de frustrar a aplicação da lei penal, haja vista que observados os meios utilizados por organizações criminosas implica, muitas vezes, de práticas violentas e pautadas por graves ameaças para garantir a sua atuação criminosa”, diz trecho do documento.

Os pedidos de revogação de prisão foram ingressados pelas defesas ao juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Os advogados de João Arcanjo alegam que não há indicativos consistentes de sua participação nos fatos apurados e que tais acusações não passam de perseguição. A defesa cita ainda que o bicheiro está sendo utilizado como passaporte eleitoral.

Entretanto, o MPMT destaca que ainda se encontram presentes os motivos que ensejaram a custódia cautelar e a prisão se encontra devidamente fundamentada em elementos concretos.

Quanto aos argumentos de primariedade, residência fixa e trabalho lícito, o órgão ministerial entende que as alegações não devem prosperar, “haja vista que, por sós, não são motivos suficientes a ensejar a liberdade, ainda mais quando o fundamento do édito constritivo se firmar em perigo concreto à ordem pública, como no presente caso”.

Além de Arcanjo, o parecer desfavorável do MPMT também atingiu integrantes da organização Ello/FMC: Alexsandro Correia e Bruno Almeida dos Reis, responsáveis pela supervisão, controlando o recolhimento do dinheiro; Marcelo Conceição Pereira (apontado como recolhedor), Werechi Maganha dos Santos (apontado como gerente no município de Campo Verde), Patrícia Moreira Santana (auxiliava o esposo, Werechi, na gerência), João Carlos de Freitas (apontado como gerente no município de Cáceres), Ronaldo Guilherme Lisboa dos Santos (apontado como recolhedor), Marcelo Gomes Honorato (exerceria a função de recolhedor e suporte às máquinas de apostas e suprimentos para o estado inteiro) e Augusto Matias Cruz (apontado como gerente em Cáceres).

Ainda no mesmo documento, o MPMT, não se opõe ao pedido da acusada Adrielli Marques, de cumprir a prisão domiciliar em um novo endereço.

O parecer contrário foi assinado por três promotores de Justiça, Jaime Romaquelli, Carlos Roberto Zarour e Alessandra Gonçalves.

Operação Mantus

Deflagrada no dia 29 de maio, a operação deu cumprimento a 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar. Segundo a Polícia Civil, os dois grupos – Colibri, liderada pelo bicheiro João Arcanjo Ribeiro e o genro dele, Giovanni Zem Rodrigues, e a Ello/FMC, liderada pelo empresário Frederico Muller Coutinho, disputavam o espaço do jogo do bicho em Mato Grosso.

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