Quarta-Feira, 16 de Novembro de 2016, 15h:19

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Famílias vivem momentos de tensão com a proximidade de despejo de área verde de Cuiabá

Por: JESSICA BACHEGA

Famílias que ocupam uma área verde do município de Cuiabá há sete anos estão na iminência de serem despejados por força de decisão judicial. Elas têm até o dia 22 dezembro para deixar o local.   

 

A área denominada de Videira, próximo ao  bairro Jardim Aroeira, está dividada em lotes de 20 por 10 metros.  “Eu não estou dormindo, nem me alimentando direito de tanto medo deles derrubarem minha casa. Estou aqui há cinco anos e não vou desisti da casa que construí com tanta dificuldade”, disse Elizabeth Maria de Oliveira, que mora com as três filhas.

 

A moradora foi intimada a deixar a área. O bairro existe há sete anos e conta com 160 lotes dos quais 120 famílias moram no local.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

Bairro Videira

 120 famílias residem no local

Com doações de cada um os moradores foram contratados o serviço de agrimensura para medir e mapear a área e dividir igualmente o espaço entre as famílias.

 

Conforme a moradora, a área fazia do conjunto habitacional Buriti e estava ociosa até que as famílias começaram a construir os barracos. “Desde que estamos aqui nunca fomos intimados a sair e agora estão dizendo que a gente tem 45 dias para deixar nossas casas porque aqui é área de preservação. Mas como que é área de preservação se tem manilhamento e esgoto do condomínio”, declara a mulher. 

 

Beth, como é conhecida, conta que logo que se mudou para o local houve uma determinação para a desocupação e muitas pessoas temendo perder o que já tinham construído se mudaram. No entanto, "outras famílias chegaram depois e foram construindo seus barracos, aperfeiçoando as casas, pois presidentes de bairros e vereadores falavam que eles poderiam ficar tranquilos que não seriam retirados", relata a moradora.

 

“Já recebemos intimações falsas, sem mesmo assinatura de um juiz. Fomos à prefeitura saber do que se tratava e não havia nada registrado sobre a intimação.  Eu já recebi ameaça de pessoas que me mandavam mensagem no celular falando para eu ficar de boca calada. Nunca soube quem enviou", contou.

 

A moradora diz que está desempregada e sobrevive junto com as filhas com o dinheiro que recebe do Bolsa Família a ajuda do ex-companheiro.  Ela relata que as crianças estudam em escolas dos bairros vizinhos, mas que ao acesso a saúde é precário.  “Já se recusaram a me atender no posto de saúde do bairro Primeiro de Março, que é o mais perto daqui. Já tive que chamar a polícia para ser atendida e a moça de lá ainda tentou me intimidar dizendo que eu não precisava ter chamado a polícia.  Eu dei entrevistas antes falando da nossa dificuldade e logo depois meu Bolsa Família foi cortado. Fiquei oito meses sem receber. Tem um mês que estou recebendo o benefício de novo”, destaca.

 

Além de todas as dificuldades vividas, ela conta que agora a ordem de despejo tem tirado sua paz. “Eles falaram para a gente sair daqui, mas nós não temos para onde ir. Eu tenho inscrição para receber casas do Minha Casa Minha Vida, mas nunca fui contemplada. Não sei o que vou fazer”, afirma emocionada. Além de construir sua casa, Beth já plantou um jardim e tem um pequeno pomar em seu lote.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

Bairro Videira

 Senhor Carlos José tem uma pequena venda no bairro

O morador Manuel Pires da Costa, 65, está construindo sua casa no local. Ele vive com a esposa em dois cômodos e luta diariamente para suprir as necessidades do casal. “Eu cato uma latinha aqui, faço um bico ali para conseguir nos manter. É muito triste chegar na minha idade e saber que alguém vem aqui derrubar minha casa”, acrescenta o morador enquanto enrola seu cigarro de fumo e carrega o quilo de sal que acaba de comprar na venda do senhor Carlos José de Assis, que mora está na área há dois anos.

 

“Me separei da esposa e vim morar aqui. Com o que tinha construí essa venda. A gente queria pelo menos que eles dessem os lotes para a gente ir pagando aos poucos, por mês e construir, mas não deram nenhuma alternativa”, diz o comerciante.

 

A água e a luz para as casas são por meio de ligações clandestinas. Os moradores relaram que o esgoto dos bairros vizinhos são despejados em um córrego que passa pelo local. “Tem dia que isso aqui fede muito e tem dia que dá para ver a espuma  da água da roupa e louça lavada nas casas dos bairros. Como que vem dizer que isso aqui é área de preservação?, questiona Elizabeth. 

 

A moradora conta que frequentemente os moradores têm realizado reuniões para buscar soluções para que possam continuar no local. Nesta quarta-feira (16), ele buscarão a Defensoria Pública para que sejam instruídos sobre as medidas que podem ser adotadas. Elizabeth acrescentou ainda que a intimação não foi entregue a todos os moradores.

 

Outro lado

 

O secretário de Ordem Pública de Cuiabá, coronel Eduardo Henrique de Souza, responsável pela desocupação foi procurado e informou que há 30 áreas irregulares na Capital com tramitação para a desocupação. A liminar para a reintegração de posse do bairro Videira já foi emitida e os moradores têm até o dia 22 de dezembro para saírem do local de forma pacífica. 

 

“Caso até a data limite os moradores não tenham saído, será realizada uma operação com o apoio da Polícia Militar para a desocupação”, declarou. Segundo ele, a prefeitura contribui oferecendo caminhões para a mudança e abrigo até que as pessoas encontrem lugar para morar. 

 

Após derrubadas as casas e os barracos, o local será transformado em área verde de preservação permanente. Questionado sobre a existência de manilhamento no local para o esgoto de outros bairros, o secretário informou que eles também são irregulares, mas que isso não justifica que as pessoas permaneçam no local . “Todo mudo está errado cada um com sua responsabilidade”, relatou o secretário. 

 

 

 

 

Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
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Credito: Lenine Martins (Sesp)
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