Terça-Feira, 04 de Junho de 2019, 15h:10

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Ateliê do Gesto traz espetáculo de dança contemporânea a Cuiabá

Por: REDAÇÃO

O que temos feito com nossas emoções? Onde – e como – temos guardado nossas angústias, medos, complexos, rancores, depressões? Como temos nos relacionado com o passado e o que temos construído para o futuro?

Lu Barcelos

Natureza morta/sesc arsenal

Essas são algumas das questões existencialistas que motivaram a criação do espetáculo de dança contemporânea, Natureza Morta, do grupo Ateliê do Gesto, que depois de circular por Goiânia (GO), Cidade de Goiás (GO) e Belo Horizonte (MG), chega a Cuiabá. 

As apresentações ocorrem nesta sexta-feira (7) e sábado (8), às 20h, no Teatro do Sesc Arsenal.Ingressos são gratuitos, basta chegar com uma hora de antecedência, para retirá-los na bilheteria do Sesc. A classificação indicativa é de 12 anos.

A entrada é franca, mas o grupo pede que seja levado um livro, usado ou não, para o teatro. Como o grupo Ateliê do Gesto desenvolve ações especiais nas cidades por onde tem passado, em Cuiabá, o espectador é convocado a participar da campanha de doação de livros. Os títulos arrecadados serão doados para a rede de bibliotecas, Saber com Sabor, da capital.  

O espetáculo também contará com recurso de audiodescrição, visando democratizar o acesso a deficientes visuais. O projeto conta com patrocínio  da Enel Distribuição Goiás, via Lei Goyazes.  

Estética barroca

Além de se aprofundar em questões próprias da essência humana, o grupo que vem de Goiânia, Ateliê do Gesto, se inspira pelo pensamento e estética barroca, adaptando-à contemporaneidade. Para isso, se envereda pela vida e obra do artista plástico Farnese de Andrade, praticamente esquecido nas últimas décadas, apesar de grande contribuição para as artes visuais.

O artista plástico é conhecido como o Arquiteto da Dor, que em diálogo com o barroco e riqueza de linguagem, propôs uma reflexão sobre as relações no mundo.

Narrativa

Lu Barcelos

Natureza morta/sesc arsenal

Confinados no espaço, dois homens investigam questões próprias da essência humana. Imagens que brotam, afirmando a condição humana no mundo, delatando a força e a fragilidade diante do que somos constituídos: carnes, ossos, vísceras, memórias, líquidos. Através de um lento caminhar dos olhos sobre as imagens, as ações da dramaturgia são dilatadas no tempo, trazendo à memória a pulsão entre vida e a morte.

Segundo o diretor João Paulo Gross – que ao lado de Daniel Calvet encena o espetáculo -, as ideiais de transitoriedade se entrelaçam à vida e obra do artista plástico, Farnese de Andrade. “Buscamos a memória fragmentada que Farnese guardava em caixas e oratórios, representada em forma de pedaços de bonecas e santos, ex-votos e fotos ‘das gentes’  do Triângulo Mineiro, e comparando à nossa, a do indivíduo do século XXI”, explica.

“Não é originalmente barroca, mesmo porque Farnese não pertenceu, tampouco gerou  um  estilo, uma escola ou movimento. É singular. Mas até mesmo por ter como origem a ‘tradicional família mineira’, cercada de conservadorismo, cerimônia e dogmas religiosos, Farnese é contemporâneo por excelência e barroco na sua essência”.

Acessibilidade

Na circulação por cidades brasileiras, o Ateliê do Gesto encena o espetáculo em espaços que possuem recursos de acessibilidade à população com mobilidade reduzida. Como se trata de um espetáculo de dança a população com deficiência auditiva não é impossibilitada de assistir e desfrutar do espetáculo pois sua questão (do espetáculo Natureza Morta) está nas imagens, gestos e visualidades produzidas pelos corpos em movimento.

Já para a população com deficiência visual será oferecido recurso de audiodescrição, com o objetivo de facilitar o entendimento do conteúdo não-verbal às pessoas com deficiência visual. 

Sobre o Ateliê do Gesto (www.ateliedogesto.com)

Lu Barcelos

Natureza morta/sesc arsenal

O Ateliê do Gesto (Facebook @ateliedogesto) nasceu da busca por novas percepções e diálogos com outras linguagens artísticas no corpo em movimento. Através de identificações estéticas e o desejo de trabalharem num projeto autoral, João Paulo Gross e Daniel Calvet (artistas com carreiras consolidadas e passagens por importantes cias de dança no Brasil), se juntaram para pesquisar o corpo, tendo como ponto de partida o movimento e sua construção dramatúrgica na cena.

Desse encontro nasceu “O Crivo”, espetáculo que fundou o grupo e ganhou o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015, o Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás 2015, circulando pelas cinco regiões do Brasil, 3 festivais na República Tcheca, no festival LOFT no Chile e levou o grupo a receber o Diploma de Destaque Cultural em 2017 pelo governo de Goiás.

Ficha Técnica

Direção Geral, Concepção, Coreografia | João Paulo Gross

Interpretação | Daniel Calvet e João Paulo Gross

Pesquisa de Movimento | Maíra Maneschy e João Paulo Gross

Dramaturgia | Verônica Prates

Iluminação | Daniel Calvet

Figurino | Daniel Calvet e Marlan Cotrim

Trilha Sonora | Pedro Mendonça

Montagem e Operação de Luz | Sérgio Galvão

Fotos | Lu Barcelos | Chocolate Fotografias

Administração e Gestão de Produção | João Paulo Gross

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