Sexta-Feira, 13 de Julho de 2012, 10h:21

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Secretário determina investigação de PMs que agrediram famílias no bairro Humaitá

O governador Silval Barbosa determinou o afastamento do comandante do 9º Batalhão, Rhaygino Setúbal, responsável pela ação de reintegração de posse no bairro Humaitá, que resultou em agressão a muitas famílias.

Por: HÉRICA TEIXEIRA

O secretário-chefe da Casa Civil, José Lacerda, determinou abertura de procedimento investigatório quanto a atuação de policiais militares para retirada de cerca de 50 famílias que estavam em um terreno no Jardim Humaitá I, na região do Coxipó da Ponte, em Cuiabá. Na ação de reintegração de posse, determinada pela Justiça, várias pessoas ficaram feridas, inclusive sendo atingidas por balas de borracha.

No conflito entre moradores e cerca de 16 policiais militares, incluindo da Rotam, uma criança foi atingida por um tiro de bala de borracha do rosto. Além disso, Gilberto Floriano da Silva, 67 anos, levou um chute no peito. O idoso também levou um tiro de festim nas nádegas. Várias outras pessoas também foram atingidas por tiros e apresentam marcas de cassetete nas pernas e braços. O confronto aconteceu no final da manhã desta quinta-feira (12). A reintegração de posse foi dada pela juíza Vandymara Galvão. 

 

Hugo Dias/HiperNotícias

Policiais militares usaram de maneira violenta para retirar famílias de uma área no bairro Humaitá; reintegração de posse foi determinada pela Justiça

 

A informação sobre a abertura de procedimento para apurar a conduta dos policiais foi confirmada pelo secretário José Lacerda, por meio de assessoria. A decisão foi tomada após encontro entre o gestor e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Osmar Lino de Farias. Nesta fase de investigação serão ouvidos os policiais que participaram da operação e as famílias.

Ainda de acordo com o secretário, as famílias foram encaminhas para a igreja católica do bairro Humaitá e a partir de agora é a Secretaria Estadual de Trabalho e Assistência Social (Setas) que vai conduzir os trabalhos para remanejar as famílias para outro local. Contudo, não apontou previsão de quando será determinado um outro local para a moradia das famílias.

A reportagem tentou por várias vezes contato via telefone com o comandante Osmar Lino de Farias, mas até o fechamento da matéria não obtivemos retorno.

AFASTAMENTO

O governador Silval Barbosa determinou o afastamento do comandante do 9º Batalhão, Rhaygino Setúbal, responsável pela ação de reintegração de posse no bairro Humaitá, que resultou em agressão a muitas famílias.

PEDIDO DE PROVIDÊNCIA

O Fórum de Direitos Humanos e da Terra Mato Grosso pede a imediata punição dos responsáveis pelo despejo violento realizado ontem no bairro Humaitá. O Fórum pede ainda a apuração da suspeita de que esteja se formando na capital uma espécie de máfia, especializada em despejo, que teria a participação de policiais militares.

“Vamos acompanhar o desfecho desse caso de perto”, avisou o sociólogo Inácio Werner, da coordenação do Fórum.

Segundo ele, “quem ficou mais ferido foi um rapaz que foi atingido com um cartucho de spray na cabeça. Também deram um tiro que acertou de lado nele, por isso ele está com muita dificuldade para caminhar. Também acertaram o braço dele. Ele estava no local do conflito, quando tentou proteger uma senhora, de quase 70 anos, que estava no chão e a polícia foi para cima dele. Tem uma menina de 10 anos que levou um tiro de bala de borracha no rosto, e um menino que levou pancada na perna. Tinha uma criança pequena de colo que levou spray no rosto. Tem um senhor que está com a marca de duas botas no peito, porque ele estava caído no chão e mesmo assim foi pisado por um policial”, destacou.

Conforme o Fórum de Direitos Humanos, o caso é cheio de ilegalidades e omissões, uma delas é o fato da juíza não tem informado sobre o despejo ao Comitê de Conflitos Agrários, ligado à Casa Civil, cujo objetivo é justamente evitar derramamento de sangue nessas situações. A Polícia Militar, que deveria fazer o mesmo, também não fez.

A juíza Vandymara Galvão emitiu a ordem de despejo na última segunda-feira. O Fórum afirma, porém, que há suspeita de que a terra seja devoluta. O dono seria um advogado de Santa Catarina.

A área, antes da ocupação das famílias, era local de prostituição, tráfico de drogas e esconderijo de produtos roubados e furtados.

A comunidade alega que não teve tempo de retirar seus bens; o trator passou por cima de tudo, derrubando as casas e destruindo os pertences das pessoas, desde brinquedos das crianças a eletrodomésticos. “Simplesmente foi detonando tudo, até documentos pessoais“, lamentou Inácio Werner.

(Com Informações do Centro Burnier)

Atualizada às 11h52



Credito: Hugo Dias/HiperNotícias
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