Quinta-Feira, 21 de Setembro de 2017, 08h:10

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“Não podemos admitir nenhuma censura”, afirma Gervane ao cancelar exposição

Por: CAMILLA ZENI

Os artistas responsáveis pelas obras que compõem a exposição “Eu amo Cuiabá”, sediada nas dependências do Pantanal Shopping, em Cuiabá, retiraram seus pertences do local e cancelaram o evento, que acontecia há 20 dias. A medida foi tomada depois que a coordenação retirou dois quadros após reclamação de um cliente do estabelecimento.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

Exposição Amo Cuiabá

 

Na manhã de quarta-feira (20), Gervane de Paula,  Ruth Albernaz e Carlos Lopes estiveram no local para dialogar com a coordenação. No entanto, como não houve acordo, os artistas plásticos optaram por cancelar a exposição.

 

Autor dos quadros retirados, Gervane destacou que o ato da coordenação foi censura à obra e que tal ação não seria permitida. “Não podemos admitir censura de jeito nenhum. É perigoso voltar esse processo de censura à arte no Brasil. Se aceitarmos uma coisa dessas, daqui a pouco os artistas vão ficar até com medo de elaborar horas, com medo de ninguém aceitar mais. Aí a arte vai ficar limitada”, comentou.

 

Atos obscenos

As obras de Gervane, que já estavam em exposição desde o final de agosto, foram apontadas como portadoras de “atos obscenos” por um cliente do shopping. O homem, não identificado, fez um vídeo dentro da galeria apontando as obras do artista e divulgou nas redes sociais, fato que levou à retirada das peças.

 

“Pessoal, eu estou em uma exposição aqui no Shopping Pantanal e aí para vocês verem como o negócio a nível Brasil banalizou mesmo. Dá uma olhada no tipo de quadro que está sendo exposto aqui”, diz o homem no vídeo. “E, se vocês perceberem, aqui dentro tem família, com crianças. Então é isso que virou, parece que banalizou o negócio mesmo. Fica aí a dica para vocês não trazerem as suas crianças num lugar imundo como esse aqui, não”, completa.

 

Diante do caso, o artista plástico defendeu que a maldade “está nos olhos de quem vê”. “É uma exposição de obras de artistas contemporâneos, não tem nada de obsceno”, comentou. “Ficou 20 dias lá e ninguém achou que tinha nada. Nenhum amigo artista viu nada. Foi uma interpretação de alguém”.

 

Prejuízo

Com a polêmica dos quadros, Gervane destaca o prejuízo que a situação traz à ele e aos demais artistas. “É o meu trabalho. Eu vivo disso. Não é provocação gratuita”, desabafou.

 

Para Gervane, uma alternativa plausível para a questão seria impor idade mínima para entrar na sala da exposição. No entanto, como a medida adotada pela coordenação foi a retirada das obras, todos que compunham o evento resolveram cancelá-lo.

 

Além de Gervane, expunham obras Adir Sodré, Benedito Nunes, Carlos Lopes, Capucine Picicaroli, Dalva de Barros, Jonas Barros e Ruth Albernaz.

 

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