Terça-Feira, 25 de Junho de 2019, 22h:53

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Morre a elefanta “Guida” do Santuário de Chapada dos Guimarães

Por: KHAYO RIBEIRO

A elefanta “Guida” do Santuário de Chapada dos Guimarães (65 Km de Cuiabá) morreu na noite de segunda-feira (24). Apesar de ainda não se ter informações sobre a causa da morte, a equipe de comunicação do abrigo apontou que a elefanta apresentava sinais de confusão e parecia se sentir “presa” quando foi encontrada em uma trilha.

Santuário de Chapada dos Guimarães

Elefanta Guida

 

Em uma postagem nas redes sociais, a equipe do santuário prestou homenagens à “grandona” e apontou que a elefanta não apresentava qualquer sinal anterior que pudesse indicar as causas da confusão súbita. 

Guida chegou ao refúgio animal em 11 de outubro de 2016 juntamente com a elefanta “Maia”. Na data, mesmo com mais de 40 anos de idade, elas enfrentaram uma viagem de 48 horas do Estado de Minas Gerais para Mato Grosso.

Fundando em 2016, o santuário de Chapada dos Guimarães foi o primeiro da América Latina.

Confira a seguir o relato completo da equipe do refúgio animal.

“Não gostaríamos de escrever sobre isso, porque as palavras tornam tudo real...

Guida faleceu ontem à noite. Nossa grandona, nossa agradecida Guida, que deveria viver para sempre, aparentemente tinha outros planos.

Nunca é fácil perder um elefante, mas quando não há sinais e sua luz ainda brilha tão forte, é mais difícil aceitar. Sabemos dos danos que anos de cativeiro podem causar, mas não estávamos preparados para perde-la.

Enquanto escrevemos, Maia está ao seu lado. Ela caminhou até Guida, um tanto hesitante a princípio, aparentemente insegura do que tinha diante dela. Inicialmente manteve sua tromba distante, cheirando-a vagarosamente e depois a afastando. Depois de alguns momentos tocando e cheirando Guida, conseguiu entender o que aconteceu.

Maia ficou quieta, mas também desorientada. Sentimos que deveríamos distraí-la. Demos a ela um pouco mais de feno (ela encontra conforto na comida) e decidimos deixa-la sozinha com sua irmã para processar e sentir o que deveria sentir.

Rana passou muito tempo próxima a cerca onde Guida se encontrava ontem a noite. Com sua tromba cheirava em sua direção, sabia claramente que algo estava errado. Hoje de manhã permaneceu próxima ao galpão, cheia de luz como sempre, emitindo alguns chiados durante o café da manhã. Ela não está na área onde Guida se encontra, não temos certeza se irá até ela, mas o espaço está aberto, caso resolva ir. Não a forçaremos, ela sabe que Guida está lá...

Não sabemos o que aconteceu. Ontem a encontramos presa em um lugar que não deveria estar presa. Era uma trilha estreita e ela simplesmente não conseguia levantar sua pata para a frente da outra. Guida é a nossa menina que sempre escolheu seguir os caminhos mais difíceis, esta dificuldade não era comum. Não sabemos porque sentiu que estava presa, mas a ajudamos sair, alargando um pouquinho o caminho com varas e a encorajamos com palavras, e, assim, saiu da trilha. Depois ela parecia se sentir presa no riacho, que é muito raso. Seu corpo parecia exausto, suas pernas entortavam ligeiramente de vez em quando. Usamos a retroescavadeira para ajudá-la a sair, quando percebemos que não conseguiria sozinha.

Durante o processo conseguiu dar um ou dois passos e se apoiou sobre um monte de terra para descansar um pouco, para mais um ou dois passos e quando, finalmente, conseguiu sair, se deitou. Aplicamos soro intravenoso, a medicamos, tiramos amostras de sangue com a esperança de que descansasse um pouco. Mas após algum tempo, sua respiração começou a oscilar até que simplesmente parou de respirar. Ela se foi silenciosamente e em paz. Não esperávamos que ela se fosse.

Impossível imaginar que Guida não estará mais lá quando formos cuidar das meninas. Muito difícil aceitar que seus trombeteios infantis do dia anterior foram os últimos que ouvimos.

É devastador olhar para Maia e saber que ela perdeu sua melhor amiga, somente após alguns anos de tê-la realmente encontrado. É impossível olhar para Maia e não chorar.

Sabemos que tudo isso é parte da jornada, a ajudará a se abrir mais para os outros elefantes e crescerá emocionalmente. Já vimos isso acontecer antes. Mas neste momento, é muito mais fácil enxergar um elefante que de vez em quando luta com suas emoções, tendo que lidar com uma das mais devastadoras perdas.

Um Santuário ajuda os elefantes a se abrir emocionalmente para que lindas mudanças ocorram, mas também os torna vulneráveis a dor.

Esperamos que Maia se abra e permita que Rana a ajude com suas lutas e mostre que ela tem outra amiga em quem se apoiar. Sabemos quantos de vocês se apaixonaram por ela e a ajudaram a sentir um amor incondicional que, até então, não conhecia...

Guida, siga sua viagem para o céu dos elefantes, em paz.

Você se foi de mansinho, assim como quando chegou para enfeitar nossas vidas com sua alegria e sua luz.

Nos perdoe por não termos te encontrado antes, seu tempo aqui foi curto demais.

Você é parte deste Santuário, de cada pedacinho desta terra, terra dos elefantes!

Vai... mas te imploramos, nunca se esqueça de nós!”

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