Segunda-Feira, 07 de Setembro de 2015, 08h:31

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Médico alerta para sintomas da ELA, doença comum aos cuiabanos, mas pouco conhecida

Por: MAX AGUIAR

Você já ouviu falar em Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)? Essa doença  é provocada pela degeneração progressiva no primeiro neurônio motor superior no cérebro e no segundo neurônio motor inferior na medula espinhal. Os neurônios são células nervosas especializadas que, ao perderem a capacidade de transmitir os impulsos nervosos, dão origem à doença.

 

Reprodução

Esclerose Lateral amiotrofica - ELA

Esclerose Lateral Múltipla faz o paciente perder os movimentos, o que pode chegar ao ponto em que não consegue mais falar

Não se conhece a causa específica para a esclerose lateral amiotrófica. Aos médicos, parece que a utilização excessiva da musculatura favorece o mecanismo de degeneração da via motora, por isso os atletas representam a população de maior risco. Porém, qualquer um está sujeito a esse tipo de doença, que apesar de pouco conhecida, é bastante rotineira aos consultórios médicos.

 

Segundo o médico cuiabano Marcelo Sandrin, o principal sintoma é a fraqueza muscular, acompanhada de endurecimento dos músculos (esclerose), inicialmente em um dos lados do corpo (lateral) e atrofia muscular (amiotrófica), mas existem outros sintomas: cãibras, tremor muscular, reflexos vivos, espasmos e perda da sensibilidade.

 

“O primeiro sintoma é a fraqueza muscular. Essa fraqueza muscular é progressiva, seguida da deterioração dos músculos [amiotrófica], começando nas extremidades, usualmente em um lado do corpo. Dentro do corpo, as células nervosas envelhecem [esclerose] e os nervos envolvidos morrem, deixando o paciente cada vez mais limitado. Existem outros sintomas. Um é a fasciculação [tremor do músculo], reflexos exaltados, atrofia, espasticidade e diminuição da sensibilidade. E de todos os sintomas, o mais freqüente é a cãibra”.

 

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Stephen-Hawking - ela

Um caso famoso de portador de ELA é o do astrofísico britânico Stephen Hawking, retratado no filme "A Teoria de Tudo"

Sandrin explica ainda que, geralmente, a ELA começa pelos membros superiores, porém, em alguns casos, ela tem início pelos membros inferiores. Além de perder os movimentos, o paciente também pode ficar sem falar.

 

“Quando ocorre a paralisia bulbar progressiva [que ataca a língua e a glote], o paciente deixa de mastigar e falar, passando a diminuir rapidamente de peso. Os fatores de risco, com efeito cumulativo [quanto mais características, maior a probabilidade] são: pertencer ao sexo masculino, desempenhar atividade física intensa, ter sofrido algum tipo de trauma mecânico, ter sido vítima de choque elétrico”, disse o médico.

 

Em entrevista ao HiperNotícias, Marcelo Sandrin ainda explica claramente algumas questões que ainda não foram esclarecidas sobre a doença. 

 

HiperNotícias - O que causa a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)?

Marcelo Sandrin - Até o momento, não se conhece a causa específica desta doença. Existe a possibilidade de causas multifatoriais, onde estariam envolvidos um componente genético, a idade e algumas substâncias do meio ambiente. Mas, a princípio, não se conhece nenhum fator que predisponha à ELA, nem como é possível prevenir o desenvolvimento da doença.

 

HiperNotícias - O que as pesquisas vêm detectando?

Marcelo Sandrin - Os últimos experimentos realizados com camundongos, alguns deles com quadro clínico semelhante ao de ELA nos humanos, têm permitido entender melhor o porquê da lesão da célula nervosa. Parece que a falta de uma proteína denominada parvalbumina é a chave essencial para este processo de morte celular.

 

HiperNotícias - Quais são os pontos necessários para o estudo clínico da doença?

Marcelo Sandrin - No caso de ELA, o diagnóstico precoce e o tratamento.

 

HiperNotícias - Existe algum tipo de diagnóstico precoce que oriente os médicos quando do ínicio da doença?

Marcelo Sandrin - Não. Esse é o principal motivo pelo qual a ELA, quase sempre, não é diagnosticada em sua fase inicial. Por outro lado, a ciência busca tal "marcador" [que funcione como uma "pista" para o médico, dizendo se a pessoa pode ou não vir a desenvolver ELA], pois sabe que o ideal para combater a doença é iniciar o tratamento antes do primeiro neurônio morto.

 

HiperNotícias - Quanto tempo, em média, leva para se fazer um diagnóstico correto da doença?

Marcelo Sandrin - Atualmente, levam-se de 10 a 11 meses, do primeiro sintoma à confirmação do diagnóstico. A falta de conhecimento faz com que o paciente procure primeiro um ortopedista. Para se ter uma idéia, nesse espaço de tempo (de 10 a 11 meses) o paciente passa, em média, por 4 médicos; dois deles, ortopedistas.

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