Terça-Feira, 08 de Outubro de 2019, 15h:59

Tamanho do texto A - A+

Governo Federal pode intervir nas ações da polícia em garimpo de Aripuanã

Por: KHAYO RIBEIRO

O prefeito de Aripuanã, Jonas Rodrigues da Silva (PR), está se articulando junto ao deputado federal Nelson Barbudo (PSL) para que o governo federal, por meio da Casa Civil, intervenha na atuação da Polícia Federal em uma região de garimpo da cidade, que fica distante 949 Km de Cuiabá.

pm no garimpo.jpg

 Registro do garimpo ilegal

Deflagrada nesta segunda-feira (07) pelo Batalhão de Operações Oficiais (Bope), a segunda fase da Operação Trype atua no desmonte de um garimpo ilegal localizado em Aripuanã. Durante a ação, um garimpeiro foi morto e diversos outros trabalhadores foram afastados da área e tiveram seus maquinários retidos pela polícia.

Ao HNT/HiperNotícias, a Prefeitura de Aripuanã afirmou que foi registrada uma manifestação por parte dos garimpeiros na manhã desta terça-feira (08). “Eles [os trabalhadores] reivindicaram os bens que ainda estão no garimpo, principalmente os maquinários”, disse o Executivo municipal.

Dessa forma, o prefeito Jonas Rodrigues foi a Brasília nesta manhã para se articular junto ao deputado Barbudo. A proposta é requerer uma intervenção por parte do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni para que a Polícia Federal libere os maquinários e os outros bens dos garimpeiros.

A reportagem entrou em contato com o deputado federal, que afirmou que está sendo tomado todo o tipo de procedimento para que a situação no garimpo tenha o melhor desfecho possível.

“Para que protocolemos um documento pedindo que não sejam queimados os maquinários. Para que, na paz, a gente resolva esse conflito. Sabemos que os garimpeiros são pessoas trabalhadoras. Inclusive, tenho um projeto para profissionalizar a profissão do garimpeiro”, disse Barbudo.

No entanto, de acordo com as investigações da PF, além do impacto ambiental na região, o garimpo ilegal estaria causando grande devastação. Desde que ele entrou em operação, aumentou os índices de homicídios, tráfico de drogas, prostituição no município.
 
Imagens aéreas mostram a dimensão do garimpo:

O garimpo

Fundado em novembro de 2018, o garimpo atua a partir da invasão de uma área da União. Portanto, funciona de forma ilegal. No último ano, a primeira fase da operação foi deflagrada com a expulsão de aproximadamente dois mil garimpeiros do local.

Reprodução

Garimpo Ilegal Aripuanã

 

Nesta segunda-feira (07), com a deflagração da segunda fase da Operação Trype, cerca de outros dois mil trabalhadores foram afastados do local, segundo dados da prefeitura do município.

Na ação, a Secretaria de Estado e Segurança Pública (Sesp-MT) apontou que um garimpeiro foi morto em troca de tiros com a polícia. O homem, supostamente, teria reagido à atuação da polícia e atirado contra agentes, ocasião em que foi baleado.

O prefeito Jonas Rodrigues apontou que a economia da cidade apresentou um balanço positivo após o início das atividades do garimpo. Em um vídeo gravado com o deputado Barbudo, o gestor aponta que Aripuanã as finanças do município melhoraram com a atuação da mineração.

A cidade

Localizada na região norte de Mato Grosso, Aripuanã conta com 22.354 habitantes, segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Considerando essas informações, 8,9% da população da cidade atua no garimpo.

Apesar do possível levante econômico em detrimento do garimpo, dados da polícia sinalizam que as atividades do garimpo têm provocado diversos prejuízos ambientais à cidade.

Além disso, o município teria registrado, também, um aumento no número de homicídios, tráfico de drogas, roubos diversos outros crimes.

Leia mais:

PF fecha garimpo ilegal que elevou homicídios, tráfico e prostituição em MT

Garimpo fechado em MT aumentou desvatação e criminalidade

Garimpeiro morre ao reagir à abordagem do Bope

Credito: Assessoria
Credito: Assessoria
Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei