Domingo, 01 de Outubro de 2017, 15h:38

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A exemplo de outros países, Cuiabá pode ter projeto de prevenção de suicídio

Por: CAMILLA ZENI

Suicídio é um dos temas que a sociedade vem, pouco a pouco, lutando para desmistificar. O tabu que enlaça o assunto é discutido em ambientes como universidades e órgãos dos poderes públicos, mas ainda é uma luta silenciosa que precisa ser divulgada. Em Cuiabá, um Projeto de Lei pretende expor o problema e promover a prevenção ao suicídio, por meio de placas e informativos.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

abilio junior

 Vereador levanta discussão sobre suicídios em Cuiabá 

Criado pelo parlamentar Abílio Júnior (PSC) e Ricardo Saad (PSDB), o anteprojeto aguarda, desde agosto, ser sancionado pelo prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB). O tema tem sido debatido desde janeiro pelo vereador, que também realizou uma audiência pública para tratar do assunto. 

 

A iniciativa da vez é a fixação de placas preventivas em pontos estratégicos da Capital, como em edifícios com mais de cinco andares, considerado de riscos, e pontos públicos. “A ideia é colocá-las no elevador, no terraço, onde as pessoas, ao subirem intencionadas a alguma coisa, possam ler, refletir sobre o assunto, ligar para alguém e buscar uma saída”, explicou.

 

Já implantada em diversos países Brasil afora, a fixação das placas demonstra resultados positivos. Na Coreia do Sul, por exemplo, uma ação da Samsung na ponte Mapo, onde acontecia o maior número de suicídio em Seul, a taxa reduziu em 85%.

 

Conforme o psicólogo Douglas Amorim, que atuou como consultor na elaboração do anteprojeto, ainda é necessário debater o suicídio. “A gente percebe que ainda há dificuldade de falar sobre isso, embora as campanhas tenham se intensificado de dois anos para cá”, destacou. O profissional trabalha há sete anos com saúde mental e ressaltou a importância da discussão. “Ainda é um tabu, mas precisamos falar sobre isso na mesa do bar, no parque, falar com a família. Vencer esse tabu como vencemos sobre o sexo, por exemplo”.

 

Para o psicólogo, a difusão de informações é uma forma efetiva de tratar o tema e a discussão deve ser trazida, principalmente, pelo poder público. “O suicídio ainda não é visto como saúde pública, porque, se fosse, já teríamos ações maiores de conscientização”, pontuou. Ele citou como exemplo as campanhas sobre a Dengue. “Quando chega o verão, vemos campanhas de conscientização em todos os lugares, porque já é saúde pública. E hoje todo mundo já sabe o que tem que fazer”, observou.  

 

Para preencher a lacuna deixada pelo poder público, o vereador já entregou o anteprojeto à prefeitura. “O próximo passo é com eles, que deverão analisar a viabilidade econômica da implantação das placas. Depois, o prefeito faz um Decreto”, explicou.  

 

Dados

 

Conforme o Ministério da Saúde divulgou na última quinta-feira (21), o número de suicídios no país cresceu 12% em quatro anos. Em média, no Brasil, 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano. Os dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) de 2017, referentes aos casos entre 2011 e 2015.

 

Um Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio deverá ser lançado até 2020 a fim de reduzir as taxas de mortalidade, que é maior entre homens. Conforme os dados, 79% dos casos envolveram a população masculina, enquanto 21% foram de mulheres.

 

A pesquisa ainda traçou um perfil que apontou que o suicídio é mais propício em homens solteiros, viúvos ou divorciados (60,4%), sendo que os maiores índices foram da população indígena (15,2%) maior que o número de brancos e negros.

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