Segunda-Feira, 15 de Abril de 2019, 15h:24

Tamanho do texto A - A+

Parque de Chapada dos Guimarães - 30 anos

Mesmo com os desafios e ameaças existentes, há o que comemorar com a consolidação do Parque de Chapada nesse período. Mas para que essa comemoração tenha continuidade no futuro, deve ser acompanhada de um aumento da mobilização em defesa do Parque ...

Por: SÉRGIO GUIMARÃES*

Reprodução

Sergio Guimaraes / ICV


Situado no Cerrado, berço das águas brasileiras e no centro do continente sulamericano, o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães tem imensa riqueza biológica, geológica, arqueológica, histórica e cultural; belezas cênicas inigualáveis. É região de nascentes de três bacias hidrográficas, Prata, Amazônica e Araguaia-Tocantins.

Tudo isso bem pertinho de Cuiabá, um presente à nossa disposição. Mesmo assim, muitos de nós não lhe reconhecemos o devido valor. Mas ele está aí, generosamente, a cada dia, nos prestando seus incomensuráveis serviços e benefícios que muitas vezes sequer percebemos. Mas nem sempre foi assim.

Em meados da década de 80, diante de um violento processo de degradação, sujeira, turismo de massa desordenado, invasões, grilagens e desmatamento, um amplo grupo da sociedade formado por artistas, cientistas, intelectuais, jornalistas, estudantes, ambientalistas, moradores de Chapada, entre outros, tomou para si a defesa “do ambiente natural de Chapada dos Guimarães”. Este grupo pioneiro desenvolveu um amplo conjunto de ações, que cinco anos mais tarde, em abril de 1989, culminaram com a criação do Parque pelo IBAMA e governo federal. Foram anos de trabalho intenso: estudos, mobilizações, manifestações, atos públicos, performances e conversas com autoridades em Cuiabá e Brasília. Portanto, o Parque é fruto de um forte interesse da sociedade mato-grossense.

Nesses 30 anos, o Parque de Chapada se consolidou e é cada vez mais um patrimônio da nossa sociedade. Foram removidas parte das invasões e pagas a maioria das indenizações devidas. O Parque tem hoje quase 60% de suas áreas regularizadas, concluiu seu plano de manejo e de uso público, recebe entre 170 e 180 mil visitantes por ano e tem um imenso potencial de turismo e de geração de renda. Há de se reconhecer o trabalho do ICMBIO e de organizações parceiras que ainda hoje trabalham de forma voluntária pela consolidação do Parque.

Mesmo com os desafios e ameaças existentes, há o que comemorar com a consolidação do Parque de Chapada nesse período. Mas para que essa comemoração tenha continuidade no futuro, deve ser acompanhada de um aumento da mobilização em defesa do Parque

Mesmo assim, permanecem diversos desafios e pairam ameaças, como: o combate aos incêndios florestais; a proposta de duplicação da rodovia Cuiabá – Chapada, o incremento do fluxo de turismo desordenado e as invasões que ocorrem ao sul do morro São Gerônimo a partir da construção de novos acessos oriundos de bairros como o Pedra 90 e o Dr. Fabio.

Além dessas, há ainda as ameaças do atual contexto político brasileiro, com um governo federal que ataca o meio ambiente à luz do dia, corta recursos, enfraquece a legislação e a fiscalização; amordaça seus órgãos executivos; se omite diante do avanço do desmatamento; apoia o aumento da contaminação por agrotóxicos e ataca as unidades de conservação e as áreas indígenas.

Em Mato Grosso isso foi vivenciado desde o governo anterior, com o aumento brutal do desmatamento e as tentativas de redução do Parque Serra de Ricardo Franco e da APA da Chapada dos Guimarães.

Mesmo com os desafios e ameaças existentes, há o que comemorar com a consolidação do Parque de Chapada nesse período. Mas para que essa comemoração tenha continuidade no futuro, deve ser acompanhada de um aumento da mobilização em defesa do Parque, de outras áreas de conservação e ainda fazer frente às ameaças ora colocadas. Mais uma vez a sociedade matogrossense é chamada para defender seus interesses e seu patrimônio ambiental que afinal de contas é a base da vida e da estabilidade do clima para as atuais e futuras gerações.

Ah, em tempo, as ações pela criação do Parque de Chapada foram em grande medida a inspiração de um grupo de pessoas para a criação do Instituto Centro de Vida (ICV), que completou 28 anos também esta semana. A vida segue.

(*) SÉRGIO GUIMARÃES é engenheiro civil, ambientalista, foi Secretários de Meio Ambiente de Mato Grosso e é um dos fundadores do Instituto Centro de Vida (ICV).

Avalie esta matéria: Gostei +1 | Não gostei

Leia mais sobre este assunto








Mais Comentadas