Quinta-Feira, 22 de Agosto de 2019, 16h:40

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Olhando pelas lentes da compaixão

Por: DUMARA VOLPATO*

Divulgação

Dumara Volpato


Você já fez algo por alguém tentando auxiliar, entretanto, o resultado não foi positivo? À vezes auxiliamos as pessoas com o sentimento de dó ou pena em nosso coração e assim criamos consequências dolorosas para nós e para o outro. Como podemos então auxiliar as pessoas sem causar prejuízos para ambos? Sobre esse assunto que conversaremos hoje.

Para que possamos aumentar nossa compreensão a respeito desse assunto é importante que entendamos quais as diferenças entre o sentimento de pena ou “dó”, como popularmente as pessoas o chamam, do sentimento de compaixão.

Quando percebemos alguém passando por uma situação difícil, uma mistura de sentimento invade nosso coração, entramos em um processo de sofrimento pelo que o outro vivencia e também sentimos culpa em nosso inconsciente por estarmos em uma condição mais favorável e isso nos movimenta para imediatamente querer auxiliá-lo. Esse movimento se traduz no sentimento de pena quando nomeamos as pessoas com uma expressão popularmente conhecida como “coitadinho”, que no dicionário de nossa língua pátria significa "infeliz, desgraçado, miserável".  Palavras difíceis de se dizer a alguém não é?

Esse olhar é direcionado a pessoa como se elas não fossem capazes de suportar tal acontecimento, tal experiência, e essa postura interna nos coloca em um lugar de superioridade a ela. Claro que não fazemos isso por mal, fazemos por desconhecimento. No momento que auxiliamos alguém nessa postura interna, estamos trazendo consequências desastrosas para nós mesmos e para o outro.

Quando nos colocamos de uma forma superior a alguém, achando que essa pessoa não é capaz de suportar aquilo que lhe é destinado, e que podemos de uma forma melhor resolver seus problemas, estamos subestimando a capacidade de desenvolvimento dessa pessoa e rejeitando toda a sua história. Isso retira dela a sua força, esse movimento nos torna vulneráveis, passamos a carregar pelo outro aquilo que pertence a ele, adoecemos e, na maioria das vezes, o auxílio que prestamos nunca é o suficiente para que a pessoa se restabeleça e cresça.

Nos vinculamos ao destino do outro por tirar a oportunidade de desenvolvimento dele, afinal, nos momentos de dificuldade é que encontramos a força da superação e expandimos nossos limites.

Isso não quer dizer que não possamos estender a mão a quem está precisando, auxiliar as pessoas no seu crescimento. Devemos, sim, fazer isso, pois nós aprendemos uns com os outros e, para que possamos crescer e evoluir, precisamos um do outro.

Então, qual a forma mais positiva de contribuir com outro?

 

Olhando-o através das lentes da compaixão. Esse sentimento brota em nosso coração quando olhamos o outro com amor. No momento em reconhecemos que por mais difícil que seja aquilo que ele esteja passando é um aprendizado que a Vida lhe está proporcionando algo necessário para a seu desenvolvimento. Reconhecendo que a situação difícil que ele passa é decorrente de uma história, de uma escolha que muitas das vezes foi regida por um sistema familiar, algo que é de seu destino. Isso pode ser pesado para nós, mas para o outro é algo grandioso, algo que compõe a sua existência.

Olhando respeitosamente para essa pessoa que está em dificuldade, enxergamos todos que vieram antes dela, reconhecemos o valor de sua história e a aceitamos do jeito que foi, mesmo que seja difícil para nós. Esse movimento de assentir a condição do outro, ainda que seja dolorido para nós, nos permite acessar a dor do outro, compreendê-lo verdadeiramente. Olhando na direção que ele olha, conseguimos perceber o que esta pessoa está precisando naquele momento e assim podemos nos retirar da sua história. 

Isso nos coloca como iguais e, somente como iguais, consiguimos ver a grandeza do outro, a força que ele tem para carregar todo o seu destino e superar as dificuldades que vivencia. Isso faz com que o outro se abra para nós verdadeiramente, perceba em nós também a nossa grandeza e abra seu coração para receber o auxílio, que pode ser material ou através de palavras de orientação e gestos de carinho. Há um reconhecimento e um respeito mútuo, nos encontramos em um determinado momento da vida, aprendemos um com o outro, nos auxiliamos, crescemos e cada qual segue livre para o seu caminho.

Bert Hellinger ensina: “um pessoa ganha sua grandeza na medida em que reconhece: eu sou igual a vocês, vocês são iguais a mim. Se puder falar a todas as pessoas que encontra: sou seu irmão, sou sua irmã. Se abrimos espaço para isso, percebemos como isso nos amplia e fortalece nossa alma.” 

Assim, apenas quando nos colocamos como iguais é que conseguimos abrir espaço em nossos corações para a compaixão, passamos a olhar o outro com respeito e reconhecimento.

(*) DUMARA VOLPATO é advogada e Terapeuta em Constelação Familiar  com Curso em Hellinger Sciencia pelo Instituto Hellinger do Brasil; Formação em Constelação Familiar pelo Instituto CreSer de Campo Grande – MS; Curso de Aprofundamento em Novas Constelações e Curso de Análise Transacional pelo Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier; e Praticante Profissional de Cura Reconectiva e Reconexão, pelo The Reconection, Califórnia – EUA, e escreve as quintas-feiras para HiperNotíciasE-mail: dumaravolpato@gmail.com

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