Terça-Feira, 17 de Setembro de 2019, 08h:00

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O desafio das urnas para vereador – 1

Por: SUELME FERNANDES*

Divulgação

Suelme Evangelista


Para que não pareça ser quase impossível ganhar uma eleição para vereador elaborei este texto com algumas dicas de como ser mais competitivo nas eleições e como organizar uma campanha eleitoral. Não tenho pretensão de ensinar como se vence as eleições uma vez que já perdi duas, sendo uma de vereador e outra de deputado estadual. Porém, quero compartilhar meu aprendizado. Acredito que se tivesse lido um artigo como esse antes de disputar talvez tivesse ganhado ou desistido de disputar.

Espero que minha experiência de mais de 30 anos de política sirva para ajudar os novos candidatos a terem êxito nas suas campanhas como outsiders, fenômenos eleitorais anônimos que explodem nas urnas embalados pelos sentimentos de renovação.

Ganhar eleições é uma soma de algumas qualidades: ter bastante popularidade, bom currículo com reputação ética, moral ilibada e propostas inovadoras.

Lembre-se que o discurso da mudança neste momento de pessimismo em que vivemos no país é música para os ouvidos dos eleitores, mas conceitue o que é isso pra não sofrer da síndrome de Lampedusa: “mudar para continuar a mesma coisa”.

Alguns analistas e políticos chamam esse último mandato dos governadores, das câmaras e dos prefeitos (2011 - 2016) de “mandato maldito”, porque nunca na história recente do país os entes públicos federal, estadual e municipal tiveram tantas dificuldades para fazer e para administrar as contas das prefeituras por causa da crise econômica nacional.

É natural nesse momento que os políticos eleitos nesse período nas câmaras municipais sofram desgastes, em que pese os salários e as verbas indenizatórias darem uma vantagem competitiva aos vereadores de mandato em relação aos demais, mas creio que a vida deles não será tão fácil. Some-se a isso o sentimento de renovação que continuará muito grande em 2020 - essa é a chance dos novatos.

A tolerância de esperar por resultados políticos imediatos nas diversas áreas dos serviços públicos por parte dos eleitores está cada vez menor. Mal o político se elege, ao assumir o mandato já entra perdendo popularidade por causa dessa falta de paciência - e a tal “lua de mel” de 6 meses já não existe mais.

Se considerarmos que no imaginário popular o vereador não passa de um “despachante” de obras para os bairros junto a prefeitura, aí as coisas ficam um pouco piores, pois na maioria dos casos os prefeitos ficaram sem dinheiro para tudo e não conseguiram realizar quase nada, quando muito conseguiam pagar os salários dos funcionários. Mesmo assim, nunca subestime a capacidade que esses vereadores têm para se reeleger.

Dica 1: Se o candidato à reeleição, seu adversário direto, atua no seu reduto político, “puxe a capivara” dele, avalie sua atuação na câmara para saber se suas promessas foram cumpridas ou sobre sua atuação política na câmara. Mas não exagere na dose das críticas, porque o eleitor não gosta muito de candidato que só sabe “meter o pau” nos outros, principalmente se não propor nada de edificante em contraponto aos defeitos criticados.

Dica 2: Calibre bem o discurso político de crítica no limite da verdade e honestidade dos fatos, pois em política não se deve ter inimigos e sim adversários, porque amanhã você poderá estar entre eles, então, evite o discurso do ódio pessoal. Para os que acham que saber fazer discursos empolgantes não é importante em política sugiro assistir o filme “O discurso do Rei” para você entender o quanto essa qualidade ainda é indispensável na política.

Dica 3: Em relação a estrutura de campanha, saiba que o candidato conseguirá do partido ou do majoritário através da doação alguns materiais padronizados de campanha, como santinhos, adesivos perfurados para casa e carros (e se tiver sorte, ganha santões e combustível).

A quantidade de material gráfico da campanha varia muito dependendo da região, mas no geral são definidos critérios pelos dirigentes partidários de acordo com o “potencial eleitoral” de cada candidato. São os famosos “kits candidatos” que classificam e subdividem em três grupos: kit A, B, C. Essa seleção e quantitativos costuma ser uma das maiores dores de cabeça das campanhas.

Dica 4: Já sabendo que será uma campanha sem muitos recursos, economize ao máximo o pouco do dinheiro e material que tiver para os últimos 30 dias de campanha ou para a “reta final” ou “dia D”, que é quando o eleitor está com coração aberto para decidir o voto, e organize o dia da eleição, onde se perde ou se ganha uma campanha. Continua na próxima terça, 24/09.

(*) Suelme Fernandes é mestre em História e analista político e escreve com exclusividade para HiperNotícias. Instagran: @suelmefernandes - Twitter:  @suelme2 - Facebook: suelmefernandes

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