Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019, 09h:12

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Kaneyo Okamura: A Rosa Cuiabana

Por: NEILA BARRETO

Divulgação

Neila Barreto

Matriarca da família Okamura em Cuiabá. Nasceu a 26 de outubro de 1914 na cidade de Fukushima Ken (Japão). Filha de Rihichi Honda (pai) e Yao Honda (mãe). Aos 17 anos saiu do porto de Kobe (Japão) em 30 de setembro de 1932 e chegou ao Brasil, pelo porto de Santos (SP) em 26 de novembro de 1932.

Kaneyo Okamura veio juntamente com seu pai Rikichi Honda (50 anos), sua mãe Yao (39 anos) e os irmãos Shizuko (10 anos), Toshinobu (7 anos), Akiyoshi (3 anos) e Michiko (1 ano). Acompanhavam a família o tio Jinshiro Ouchi (34 anos), sua esposa Kikuyo (21 anos) e o filho Reijiro (1 ano). Casou-se com Tadashi Okamura, com quem teve seus filhos, cuiabanos de coração, em 20 de julho de 1956.

No Brasil, Kaneyo e Tadashi e a família foram para a fazenda Catharina em Piratininga (SP), trabalhar na cultura do café. Viveram em São Paulo e no Paraná, onde tiveram seus filhos. Topógrafo, Okamura foi convidado a se mudar com a família para Cuiabá na década de 1950 para trabalhar na demarcação da Gleba Rio Ferro (MT).

Vieram juntos Massairo (14 anos), Jorge (12 anos), os gêmeos Nório e Tetsuo (10 anos), Julieta (8 anos), Marina (6 anos), Jaime (4 anos) e Leiko (2 anos), numa viagem que durou quase três meses. Foi gerente geral da Gleba Rio Ferro por 15 anos (1954 a 1969). A demarcação das terras seria para assentamento de famílias migrantes japonesas, para plantio de seringueiras e exploração da borracha, em Mato Grosso.

Kaneyo e Tadashi e a família, não contavam com o longo tempo demandado para o crescimento da espécie, até 15 anos, e por isso, eles e muitas famílias retornaram para Cuiabá, onde foram apoiadas pela Associação Nipo-Brasileira, que já existia desde 1957. Empreendedor, na década de 1960, Tadashi foi empresário do ramo hoteleiro, com o Hotel Paraná, localizado na Rua 13 de Junho, próximo ao Hospital Geral e montou uma fábrica de artefatos de concreto (telhas, tubos) na Rua Barão de Melgaço, no bairro do Porto.

Em sua residência na Rua Barão de Melgaço, no bairro do Porto, Dona Rosa (Kaneyo), como era popularmente conhecida em Cuiabá, cultivava diversas plantas, entre as quais se destacavam as samambaias e orquídeas. Chegou a ter um orquidário com centenas de espécimes, muito admirado pela variedade de flores de extrema beleza.

Nas décadas de 1970 e 1980 trabalhou como topógrafo na Cohab-MT, onde realizou a demarcação de diversos empreendimentos habitacionais tanto na capital como em cidades do interior.

Okamura e seus filhos também se dedicaram a apoiar a colônia japonesa em Cuiabá, procurando incentivar e manter os costumes e tradições da terra natal, principalmente nos eventos culturais, tais como festivais de música e dança, o tradicional “Undokai” e eventos esportivos como beisebol, gateball, tênis de mesa, entre outros. Faleceu em 10 de abril de 1993, em Cuiabá. Em 5 de junho de 2007 a Câmara Municipal de Cuiabá, por iniciativa do vereador Clóvis Hugueney Neto (Clovito), apresentou Moção de Aplauso à Família Okamura pela relevante contribuição a Cuiabá e ao Estado de Mato Grosso.

Kaneyo e Tadashi Okamura plantaram pingos de esperança em Cuiabá deixando sementes frutíferas em nossa cidade, à exemplo, de Massairo Okamaura, casado em 1960 com Leonia Capriata Okamura. Massairo, pelos relevantes serviços prestados ao município de Cuiabá, foi homenageado emprestando seu nome ao Parque Estadual Massairo Okamura, situado na região norte da cidade e, Jayme Okamura, doutor em turismo que não se cansa de trabalhar pelo turismo e a cultura de Cuiabá e de Mato Grosso.

Kaneyo Okamura foi condecorada com a Comendadora em 24/07/1981, na Cidade de São Paulo/SP, pela União dos Comendadores e Cidadãos Honorários do Brasil e faleceu em 24/04/1995, em Cuiabá/MT.

 

(*)NEILA MARIA SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotícias 

                                   

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