Sexta-Feira, 14 de Junho de 2019, 08h:44

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Enelinda Scala: a professora sanfoneira

Por: NEILA BARRETO

Divulgação

Neila Barreto

Após o ano de 1970 ocorreu outro grande surto migratório, quando Mato Grosso passou a ser visto como o território da promissão, capaz de abrigar brasileiros das mais diversas regiões e que chegassem imbuídos da vontade de adquirir terras, abrir fazendas agropecuárias. Os primeiros tempos foram muito difíceis, pois muitos deles, iludidos pelas propagandas falsas, se depararam com uma extensa floresta que demandava muito trabalho, visto não contar com qualquer infraestrutura.

Outro fator importante para atração migratória foi a criação, em Cuiabá, da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT que acolheu muitos docentes de outras regiões brasileiras e que foram responsáveis, ao lado dos filhos da terra, pela sedimentação dessa pioneira instituição científica, entre eles, Enelinda Scala, professora adjunta do departamento de saúde coletiva, do Instituto de Saúde Coletiva, da UFMT, aposentada em 1995, onde desenvolveu grandes atividades de docência.

Alegre, extrovertida, simpática, colorida, sanfoneira, ao estilo arrasa quarteirão, Enelinda Maria Aparecida dos Santos Scala, nasceu em Turiuba (SP), a 30 de abril de 1947, mas foi registrada em Buritama (SP), em 30 de janeiro de 1948, filha de Antônio José dos Santos e Irene Costa dos Santos. Bióloga, pela Universidade Mackenzie. Mestra, em saúde pública, pela USP e Doutora em Saúde Pública em Cuiabá – MT, chegou em Cuiabá em 1975.

Para Scala “ os migrantes se aproximaram e passaram a recriar, dentro da Universidade, uma nova vivência, uma nova vida dentro da UFMT”, conforme encontra-se registrado no caderno de memória, editado pela ADUFMAT – Associação dos Docentes da UFMT, em 2018. Enelinda teve que lutar para adaptar a sua condição de migrante, à nova situação encontrada na cidade de Cuiabá e, aos padrões culturais de uma cidade, ainda, interiorana, à época. Concentrou-se suas reminiscências nas novas vivências acadêmicas aqui encontradas.

Enelinda Scala iniciou a busca dos seus ideais aos 14 anos, quando disputou o seu primeiro cargo político, de secretária geral do grêmio da escola onde estudava, em Araçatuba-SP. Depois não parou mais e, traz consigo, o exemplo de luta do pai pela comunidade onde viviam, em Turiuba, noroeste de São Paulo, onde nasceu. Iniciou sua carreira de docente como professora de escola pública na cidade de São Paulo.

Entrou para o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo e, também foi secretária geral da Associação dos Professores de Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APOESP), hoje transformado em um sólido Sindicato. Sua inspiração política é herança do pai chegou a Cuiabá em 1971 e, participou da emancipação de Mirassol D’Oeste (MT). A professora veio depois, em 1975.

É uma das fundadoras do partido dos trabalhadores em São Paulo, em 1980 e do ANDES – Associação Nacional dos Docentes Universitários do Brasil. Uma das colaboradoras da construção da ADUFMAT. Foi presidente do Bairro Boa Esperança, em Cuiabá, durante 5 anos e Vereadora por Cuiabá em 01 de outubro de 2.000 e, primeira suplente, em 03 de outubro de 2003, por um mandato e meio.

Dentre os trabalhos realizados por Enelinda Scala, como vereadora, em declaração a Historiadora Maria Adenir Peraro, em relação a leis aprovadas e sancionadas pelo executivo informou: “ O direito de todos os pacientes do SUS a ter um acompanhante em todos os procedimentos realizados nos serviços de saúde do município de Cuiabá; o direito de todos os usuários de transporte coletivo a encontrar nos pontos de ônibus de Cuiabá cobertura para se proteger do sol, chuva, banco para se sentar e informações sobre o número de ônibus, bairros, itinerários que trafegam, horário que chegam em cada ponto, entre outros”.

Enelinda Scala, a “Sanfoneira” Scala obteve 1.968 votos para vereadora, em Cuiabá,  marca registrada da petista nas últimas eleições das quais ela participou. Compôs a “bancada do batom “na Câmara Municipal de Cuiabá, em companhia das vereadoras Chica Nunes (PSDB) e Lueci Ramos (PPS), ambas reeleitas, com 3.326 e 4.855 votos respectivamente, e Vera Araújo (1.916 votos), as duas do Partido dos Trabalhadores (PT), em 2000.

Essas quatro mulheres entraram para a história de Mato Grosso ao integrar a maior bancada feminina na Câmara da Capital, apesar das divergências ideológicas que envolvem os partidos pelas quais foram eleitas. Hoje, a Câmara Municipal de Cuiabá não possui nenhuma representante do segmento feminino.

Voltando à história, o primeiro vereador pelo PT na Capital foi Vanderley Pignatti, em 1988. Depois, o partido elegeu Ivan Evangelista, em 1996, com 1.503 votos. A maior bancada petista veio em 2004, com a garantia de 3 cadeiras, ocupadas por Domingos Sávio, Valtenir Pereira e Lúdio Cabral.

Uma das lideranças mais reconhecidas do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso, a bióloga, Enelinda Scala é uma das fundadoras do PT, em Mato Grosso. Lançou-se candidata a deputada federal, em 2006 e a pré-candidata a uma vaga no Senado Federal, nas eleições do ano de 2018, porém não obteve sucesso.

Enelinda casou-se em 9 de fevereiro de 1974 com Sergio Brasil Nazário Scala, mudou-se para Cuiabá em 1975. É mãe de dois filhos e avó de dois netos. Atualmente é vice-presidente estadual do Partido dos Trabalhadores e, tem o seu nome registrado em uma praça, no bairro Boa Esperança, local que a projetou para a vida pública.

 

(*) NEILA BARRETO SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotíciasE-mail: neila.barreto@hotmail.com                                                               

 

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