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Artigos Quinta-feira, 03 de Abril de 2025, 16:10 - A | A

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Quinta-feira, 03 de Abril de 2025, 16h:10 - A | A

ALINE COÊLHO

Cadê o meu presente?

ALINE COÊLHO

CADÊ O MEU PRESENTE? Assim mesmo, em letras garrafais, foi a minha recepção ao encontrar o meu filho autista de seis anos, no dia Mundial de Conscientização do Autismo. “Se hoje é o meu dia, CADÊ O MEU PRESENTE?”, falou ele com todas as forças dos pulmões e a impulsividade que é natural para as crianças. E com a ironia que é concedida a nós mães sobrecarregadas eu apenas respondi: “boa tentativa”.

Mas esse questionamento ecoou em mim e eu trago para ele, e para todos a resposta que eu consegui. O presente é a VISIBILIDADE. Esse mês, como todas as outras datas que destacam as minorias, foi criado para que as pessoas tenham contato com o tema, uma vez que a maioria não tem a proatividade de buscar informações, antes de ser confrontado com o autismo em algum círculo social.

Como jornalista, sempre acreditei na responsabilidade social de compartilhar as informações que eu adquiri nos últimos seis anos. Sendo a mãe da criança mais empática e ao mesmo tempo rígida que eu conheço, um sorridente autista desta geração, com hiper foco em games e tecnologia.

Mas o cansaço, que é uma mistura das exaustivas lutas para manter o atendimento mínimo das minhas crianças, o caçula está em investigação para o espectro ampliado do TEA. E o capitalismo que nos massacra, numa realidade que a consulta com neuro é R$ 900 reais, e a hora terapia que nem chega aos 60 minutos, é no mínimo R$ 250, a única solução para uma família autista é ser milionária.

E essas limitações levaram com elas as minhas forças, e só me restou silenciar e seguir. Até aquela pergunta, que me trouxe a esse texto-resposta.

Esse é meu presente para você filho, e para todos os filhos autistas, mães e pais que são invisíveis no resto do ano.

O que eu posso entregar hoje é espaço, neste digníssimo site, para dizer a todos, que estão investindo o seu tempo em ler este texto.

Nós, familiares de autistas, fazemos um esforço sobre humano, diariamente, para criar boas e funcionais pessoas para esta sociedade, para o bem deles, e de todos.

E apenas neste mês de abril, nós usamos a visibilidade para clamar: SAIA DA IGNORÂNCIA! Deixe de ignorar a nossa existência, aceite e aprenda a conviver com a diferença.

Não é aceitável que na era da inteligência artificial a maior parte da população escolha não saber o que é autismo, e como as suas atitudes refletem na qualidade de vida, de pessoas que não conseguem comunicar o próprio desconforto.

A ignorância é a mãe da crueldade, e infelizmente nós vivemos isso na pele, com capacitismo, discriminação, e até mesmo violência contra um bebê, e uma criança pelo simples fato, dela não performar uma normalidade que só existe na cabeça das pessoas.

Não é mais aceitável falar que “tudo hoje é autismo”, ou que “esse menino só é mimado”. Chamar de “coitadinho”, “probleminha”, “diferentinho”, ou “ele não é normal”.

Ou pior, forças interações desrespeitosas, para encaixar o comportamento a padrões que são violentos, como mudanças abruptas de rotina, exposição a barulhos, sensações, e alimentos. Obrigar abraços com pessoas que só veem uma vez ao ano, ou deixar com fome, porque não aceitou o que foi ofertado no horário “correto”.

Dizer que “na minha época não tinha nada dessas coisas, e a gente era feliz”, é a máxima da ignorância.

Na sua época, os nossos filhos estavam em manicômios, amarrados a camisas de força, sofrendo incontáveis torturas, enquanto as mães eram culpabilizadas por serem frígidas, não que hoje não sejamos.

Sim, o mundo mudou, e ainda bem.
Pode ser que tantos autistas sempre tenham existido, ou pode ser que aumentou muito mesmo, como resultado das revoluções industriais, tecnologias e a digital. Mudamos a forma como vivemos e nos relacionamos neste mundo, que por sua vez está a beira do colapso ambiental, e isso também pode ter algo a ver com as alterações genéticas das nossas crianças, não é mesmo?

Tem muita gente buscando entender por que o número de autistas aumentou tanto.

E como a nossa sociedade vai se organizar para garantir a qualidade de vida hoje, e a longevidade dessa geração “laudada”.

Mas o fato é que eles existem, e não vão a lugar nenhum. Nem eles, nem nós.

(*) ALINE COÊLHO é mãe de autista e jornalista em Cuiabá.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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Luana 04/04/2025

Perfeito!

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José Marcilio 03/04/2025

Parabéns pelo artigo

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Lucas Badan 03/04/2025

Parabéns pela ótima matéria Aline , realmente ser pais de autistas não é uma tarefa fácil , principalmente na questão financeira e na falta de conhecimento e apoio do poder público em evoluir na ajuda as famílias que tanto precisam . ????????????????????????

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3 comentários

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