Domingo, 10 de Setembro de 2017, 17h:35

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Procurador-Geral de Justiça ouvirá Mauro Zaque antes de decidir sobre pedido de afastamento

Por: PABLO RODRIGO

O procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo, disse que começará a analisar o pedido do governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB) , contra o promotor de Justiça Mauro Zaque a partir desta segunda-feira (11). Taques quer o afastamento de Zaque de todas as investigações que tenham como alvo o chefe do Executivo estadual ou seus secretários.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

procurador mauro curvo

 

"Nesta segunda eu vou tomar conhecimento do pedido do governo em relação ao promotor Mauro Zaque. Eu estava em viagem e só tomei conhecimento pela imprensa. O pedido já deve ter sido protocolado na PGJ e na segunda vou analisar o pedido", disso Mauro Curvo ao HiperNoticias.

 

O chefe do Ministério Público Estadual evitou entrar na "polêmica" de que Zaque estaria "perseguindo" e se "vingando" do governo Taques após ter deixado a secretaria de Segurança Pública em dezembro de 2015.

 

"Eu só posso formar qualquer juízo deste caso, após a leitura do pedido e depois de ouvir o promotor Mauro Zaque. Eu não vou tomar qualquer decisão sem antes ouvi-lo sobre o caso. Qualquer decisão sem antes ouvi-lo seria precipitada", explicou.

 

O requerimento assinado pelo governador Pedro Taques foi encaminhado para o procurador no dia 1º deste mês.

 

“Favorável ou contrária a determinado sujeito político -, por maior razão se deve reconhecer que, no presente caso, paira sobre o excelentíssimo promotor de justiça Mauro Zaque de Jesus impedimento de ordem constitucional, de natureza absoluta”, diz trecho do documento.

 

Taques ainda problematiza a situação atual de Zaque, que denunciou o esquema de grampos no alto escalão da Polícia Militar de Mato

Reprodução

Mauro Zaque e Pedro Taques

 

Grosso e está a frente de alguns inquéritos que apura a conduta de policiais acusados de envolvimento no escândalo. [...] subitamente, o promotor excepto passou a se "sentir confortável" em investigar atos do atual governo, embora ainda permaneça a causa objetiva de impedimento”, ressalta.

 

O escândalo dos grampos foi responsável por levar à prisão os coronéis  Evandro Ferraz Lesco, Ronelson Jorge de Barros, Zaqueu Barbosa, e o cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior. Também promoveu a saída do secretário Paulo Taques da Casa Civil para, ao contrário de Zaque, atuar na defesa dos acusados no caso.

 

O requerimento contra Zaque ocorreu após ele e mais três promotores terem pedido o afastamento do chefe do Gabinete de Comunicação (Gcom), Kleber Lima, por assédio moral e sexual contra jornalistas que trabalham como assessores de imprensa no órgão e improbidade administrativa. O advogado de Kleber Lima, Paulo Fabrini Medeiros, disse que essa denúncia é um "absurda e infundada'.

 

Pedro Taques diz que, mesmo com quatro secretários de Estado sendo investigados, não pretende fazer troca do primeiro escalão. O chefe do Executivo diz confiar em sua equipe. 

 

"[Eles] não estão sendo investigados por corrupção. Confio nos meus secretários, no Ministério Público e no Judiciário", disse o governador ao HiperNoticias.

 

Taques também voltou a afirmar que a sua gestão vem sofrendo "vingança" por "desafetos".

 

"Não confio em quem persegue, em quem usa as instituições com parcialidade e como instrumento de vingança contra desafetos", pontuou.

"Vou esperar a procuradoria Geral do Estado  ter acesso aos autos do pedido para me manifestar", concluiu Taques.

 

Delação de Silval

 

Já em relação às delações do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), de seu familiares, e do ex-chefe de gabinete Silvio César Corrêa, o procurador disse que aguarda o compartilhamento de provas que deve ocorrer nos próximos dias.

 

"Já diligenciamos visando a obtenção do compartilhamento das delações, que segundo nos informaram na Procuradoria-Geral da República (PGR), já foi pedido ao STF. Estado aguardando", revelou Curvo.

 

Porém, caso se confirme o compartilhamento de provas, Mauro Curvo explicou que o MPE só poderá tomar previdências no âmbito da improbidade administrativa.

 

"No caso da responsabilidade penal, só poderemos agir depois do desmembramento dos autos. Providência esta que cabe somente a PGR, que leva em consideração o interesse da investigação. No momento não terá desmembramento. Tudo vai ficar por conexão com o STF, finalizou.

 

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4 Comentários

Davi - 11/09/2017

Tinha que ter afastado o governador que pode ter comprometido provas documentais e testemunhais, com o uso de sua influência.

Luciano - 11/09/2017

Pedro Taques é bipolar perseguiu empresários e políticos mesmo sem provas e agora fala que deputados recebendo mensalinho dever sem primeiro processados e secretários que tem desvio de conduta devem permanecer no cargo mesmo com provas de áudio e vídeo. Quer acabar com Mato Grosso a qualquer custo. Governo da destruição

Davi - 10/09/2017

Quem deveria ter se afastado é o governador depois da delegação do Guizardi e Alan Malouff lhe apontando como deneficiário do esquema de corrupção da Seduc.

joaoderondonopolis - 10/09/2017

O governo não pode impedir de alguma investigação, se recorre para não acontecer, é um sinal de suspeita. O TJMT já liberou a fiscalização nos impostos sobre as exportações. Vamos em frente Ministério Público.

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