Quarta-Feira, 26 de Agosto de 2015, 08h:31

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Pivetta reconhece baque com a saída de Taques do PDT e diz que não pretende mais ser candidato

Por: RODIVALDO RIBEIRO

Prefeito de Lucas do Rio Verde,  Otaviano Pivetta (PDT) admitiu que seu partido perdeu seu maior patrimônio político após a ida de Pedro Taques (PSDB) ao ninho tucano. E mais, Taques foi, nas palavras do próprio Pivetta, sua maior realização política. Um sonho que se fez concreto por instantes mas, feito a vida, que em vão se ilumina a cada novo nascimento, foi breve e terminou.

 

Marcos Lopes/HiperNotícias

Otaviano Pivetta

Um dos mentores de Taques no PDT, Pivetta não disfarça a tristeza de perder o governador no partido

“Como se constrói partidos no Brasil, depois do regime militar? É saindo do governo e praticando fisiologismo, assim que sempre se fez partido no Brasil. Nós não. Nós construímos o PDT com propostas. Lembro que era solitário no parlamento quando deputado e uma das mais –– talvez a mais –– importantes atitudes que consegui concretizar na política foi trazer Pedro Taques pro PDT. Depois projetar ele pro Senado e depois pra governador”, disse.

 

“Temos patrimônio político, tenho um partido estruturado, mas nós fizemos dele um senador atuante, reconhecido no Brasil todo”, disse Pivetta, com um tom de voz melancólico. “E o tínhamos como governador. Agora, o PDT fica sem ele”, lamentou. “Mas de repente, quem sabe, surja outra liderança que possa fazer uma trajetória semelhante no PDT. Éramos do mesmo partido, partilhávamos dos mesmos sonhos pro estado de Mato Grosso, isso eu acho que não mudou. Ainda tenho esperança de que ele vá fazer um grande governo. No final, é isso o que eu quero, não interessa se ele vai ou fica”, resignou-se.

 

No entanto, uma das maiores lideranças do ex-partido de políticos do quilate de Leonel Brizola e Dante de Oliveira fez a ressalva de que, apesar de torcer pelo sucesso do governo, não comentará os resultados práticos da transmutação de Taques em ave social-democrata. “A avaliação continua sendo de 90 em 90 dias, por pesquisa que faço na minha região. Periodicamente, eu faço isso, não tem nenhum grande segredo, nem é novidade. Politicamente ele escolheu deixar o PDT, eu continuo no partido e o futuro vai dizer como vai ser tudo, pois eu não decido destino do PSDB, ajudo a definir os rumos e destino do PDT”.

 

Gabriel Soares/Hipernoticias

otaviano pivetta

Sobre a possibilidade de o Governo Federal, comandado por Dilma Roussef (PT), resolver aziar pro lado de Mato Grosso, cortando recursos, por causa das atuais cores oficiais azul, amarelo e branco, Otaviano Pivetta acha que a chance é zero. Porque o federalismo, para ele, prevalece. Bem como os ideais republicanos. O PT teria aprendido a respeitar essas ideias nesses treze anos de governo (com mais três por vir, aliás). “Federalismo não é isso. A república existe para contemplar por igual todos os seus estados, o que eu estou vendo hoje é que não mudou nada. Não acredito que vá haver retaliação do governo federal, mesmo porque isso não parece uma coisa inteligente nem atual. É algo antigo que nem cabe mais na política”, declarou.

 

Provocado sobre o rumo futuro dele próprio na política, seguiu o tom melancólico. Lembrou que foi escolhido recentemente pra presidência de um consórcio regional de saúde, mas afirmou peremptoriamente que não pretende se candidatar nem ao Senado nem ao parlamento estadual nem à Prefeitura (depois de quatro anos, claro, já que é reeleito). Chegou mesmo a afirmar que considera sua missão cumprida na linha de frente da política partidária.

 

“No meu compartimento, na minha região, acho que desempenhei bem meu papel. E eu sei me situar. Acho que experimentei [o suficiente] a política no parlamento, não me dei bem, não me senti bem no Legislativo. Então, fazendo o que eu faço, minha carreira não tem futuro”, disse, sem nem tentar esconder o tom triste na voz. “Assumi a presidência do consórcio regional de saúde, e isso é uma missão que, pode não parecer, mas é muito grandiosa. Queremos produzir um case de sucesso para depois ser replicado no resto do estado. Isso me realiza muito, me deixa satisfeito, alimenta minha alma: fazer pouco. Talvez minha área de abrangência seja pequena, mas faço bem feito. Faço com capricho, com muito mais qualidade do que quantidade. Acho que precisamos disso, qualidade em tudo que a gente faz”, finalizou.

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