Quarta-Feira, 06 de Setembro de 2017, 17h:39

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MP depende de compartilhamento de provas para agir em caso de "mensalinho"

Por: FELIPE LEONEL

O procurador-geral de Justiça do Estado de Mato Grosso, Mauro Curvo, afirmou que o Ministério Público Estadual (MPE) só pode continuar a agir contra investigados após o compartilhamento de provas e desmembramento das investigações. A instituição tem sido pressionada para afastar deputados, além do prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB), flagrados em vídeo recebendo dinheiro de "mensalinho", do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). 

 

 

Alan Cosme/HiperNoticias

procurador mauro curvo

 

O processo é conduzido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e está sob a relatoria do ministro Luiz Fux, no Supremo Tribunal Federal (STF), por envolver personalidades com foro privilegiado. Curvo explicou que para o MPE atuar no campo da improbidade administrativa seria necessário o compartilhamento de provas. Já para a instituição agir no campo penal seria preciso o desmembramento das investigações. 

 

 

"Nada disso foi feito e enquanto não for feito nenhuma dessas providências, a gente não pode continuar a agir. E repito: continuar a agir. Porque essas pessoas que agora delatam, que entregaram vídeos, que entregaram outros esquemas, eles só o fizeram por conta do trabalho nosso", declarou o procurador-geral, em entrevista à Rádio Capital FM, nesta quarta-feira (6). 

 

 

Curvo também defendeu o Ministério Público, afirmando que a instituição deu o primeiro passo, no sentido de ajuntar provas e pedir a prisão dos investigados, por exemplo do ex-governador Silval Barbosa  e de parte de seus secretários. A delação premiada só não foi firmada junto ao Ministério Público Estadual em razão de que o ex-governador começou a citar pessoas com prerrogativa de foro no STF. 

 

 

O procurador explicou que quando Silval era governador, o foro dele era o Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, o Ministério Público já estava agindo dentro da esfera da improbidade administrativa, que visa a recuperação de recursos, enquanto a esfera penal visa também a condenação e prisão dos acusados, além da recuperação de divisas.  

 

 

"Assim que ele [Silval] saiu do governo, investigações que a gente já tinha sob o prisma da improbidade, elas pegaram o rumo da responsabilização criminal. Logo em seguida a saída dele do governo, houve prisão da mulher dele, que tinha sido secretária. Posteriormente teve  operações contra ele e ele foi preso. Nós tomamos as providências, tanto que a população sabe disso, ele ficou quase dois anos presos", disse. 

 

 

"Essa delação do Silval, ela não veio depois que o Silval e esses outros secretários terem ido à igreja, conversado com o padre, conversado com o pastor e se arrependerem de ter desviado dinheiro público. Não foi assim, eles só confessaram depois  que ficaram presos, por conta do trabalho do MP, que levantou as provas", finalizou Curvo. 

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