Terça-Feira, 18 de Abril de 2017, 11h:09

Tamanho do texto A - A+

Maggi admite prejuízos à imagem e abalo emocional, mas diz que continua na política

Por: GLAUCIA COLOGNESI

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), afirmou, nesta terça-feira (18), que nada mudou em relação às suas pretensões eleitorais para 2018. O político falou pela primeira vez após ter sido acusado por delatores da Operação Lava Jato de receber propina da construtora Odebrecht de R$ 12 milhões para a campanha de 2006. O PP chegou a cogitar que queria lançar Maggi como candidato à presidência da República.

Alan Cosme/HiperNoticias

blairo maggi

Ministro Blairo Maggi (PP) enfrenta desgaste devido à Operação Lava Jato.

"As coisas continuam como antes, não vou mudar toda a minha vida por causa de Lava Jato. Nem tudo que delator fala deve ser considerado como a mais pura verdade. Tem que ter provas. Não há nexo causal. A campanha foi em 2006 e o dinheiro foi pago em 2007, e não há nada que me ligue a este assunto. Não resta dúvida que esses R$ 12 milhões não chegaram para a campanha eleitoral", garantiu Maggi em entrevista à Rádio Capital, 101.9 FM.

 

Apesar de tratar o assunto com aparente tranquilidade, Maggi confidenciou que sofreu abalo emocional com o desgaste à sua imagem. "Tenho que fazer um esforço imenso para me levantar todo dia. Ter o seu nome envolvido em um escândalo deste tamanho é muito chato, é de fato muito ruim e desagradável, coisa que eu não desejaria a ninguém, nem aos inimigos", lamentou.

 

ACUSAÇÕES

 

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já propôs processo contra Blairo Maggi no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado pelos crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Maggi informou que está levantando documentação para provar sua inocência, mas está encontrando dificuldade em achar alguns arquivos. "Eu não tenho os dados de 2006 para trás. Os números não batem e não fecham. Vou buscar esses números na contabilidade do estado de Mato Grosso", pontuou.

 

Maggi também afirmou que se reuniu uma única vez com o engenheiro Pedro Leão da Odebrecht, em 2005, para tratar sobre a dívida do estado com a construtora e também sobre dívida da União com o Estado de MT relacionada a questões previdenciárias e à divisão de MT e MS. "São 11 anos que se passaram isso, talvez a memória da gente falhe um pouco. Lembro que nós conversamos uma única vez sobre pagamento e falei não temos condições e não vamos fazer", afirmou. Maggi também admitiu que posteriormente o Estado pagou uma dívida com a Odebreacht parcelada, que começou em dezembro de 2006 e seguiu até meados de 2007, contudo, ele garantiu que os valores são muito menores do que os alegados pelos delatores da empreiteira.

 

Já Pedro Leão afirmou, na delação, que nesta reunião com Maggi, o então governador de MT incumbiu o então secretário de Infraestrutura Luiz Antônio Pagot para continuar as tratativas sobre o assunto e que, em 2006, o então presidente da autarquia do Estado, MT Fomento, Éder Moraes, entrou na jogada e pediu a propina de R$ 12 milhões, em nome de Pagot e Maggi. A propina seria uma condicionante para o Governo do Estado liberar os restantes dos pagamentos do passivo com a empresa. Ainda segundo Pedro Leão, Éder informou na época que a propina iria para a campanha de 2006 de Maggi.

 

Apesar de admitir encontro com Pedro Leão, Maggi diz que não houve qualquer vinculação do pagamento dessas duas dívidas, previdenciária e de obras. Ele negou também que tenha sido estabelecido condicionante, por qualquer uma das partes, de pagamento de dívida do estado com a empreiteira. "Não lembro na época de vinculação de pagamento algum", reforçou Maggi. O ministro reafirmou que o ex-presidente do MT Fomento, Éder Moraes, acusado de negociar a propina, não tinha qualquer função na campanha eleitoral de 2006. "Eu refuto isso, ele não fez parte da campanha. Eu nunca dei autorização para este tipo de situação", frisou.

 

 

 

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei - 1

Leia mais sobre este assunto