Quinta-Feira, 15 de Fevereiro de 2018, 16h:10

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“Estou aqui para fazer o certo, doa a quem doer”, diz relator da CPI do Paletó

Por: FELIPE LEONEL

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Paletó na Câmara de Vereadores de Cuiabá, vereador Adevair Cabral (PSDB), negou ter prevaricado ao receber um requerimento de um depoente da CPI. O documento estava endereçado ao presidente da Comissão, o vereador Marcelo Bussiki (PSB). O fato gerou indignação dos parlamentares.

 

Assessoria Câmara de Cuiabá

cpi do paletó

 

“A partir do momento que eu vi o documento, eu dei publicidade. Liguei várias vezes para o Marcelo e mandei o documento. Eu também encaminhei par ao Mário Nadaf (PV) e para o presidente da Casa, Justino Malheiros (PV). Então, eu não prevariquei, não escondi o documento”, garantiu Adevair em entrevista à Rádio Capital FM.

 

“Eu não estou aqui para falar bonito, para poder agradar gregos e troianos. Estou aqui para fazer o certo, doa a quem doer. Se ele achou ruim, não posso fazer nada. Não sou daqueles vereadores que falam para agradar, meu jeito é honesto e simples”, completou.

 

O vereador Diego Guimarães (PP) chegou a pedir a abertura de um processo disciplinar contra Adevair na Comissão de Ética. Na avaliação do relator, os demais vereadores querem tumultuar os trabalhos da Comissão. Segundo Adevair, ele não teria nenhum interesse em guardar o documento e não divulgar.

 

Para o vereador, alguns parlamentares sentem “raiva” contra ele, pois Adevair diz esta contendo discussões para evitar que a Comissão venha a se tornar um palanque eleitoral. “Sei lá o que acontece com alguns vereadores, eles querem pisotear, aí eu não aceito e eu acabo sendo quem não quer fazer investigação, eu quero o andamento da CPI”, afirmou.

 

Ainda segundo o vereador, ele foi escolhido pela posição de independência adotada na  Câmara de Vereadores, tendo apoiado o concorrente do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), o então deputado estadual Wilson Santos (PSDB). De acordo com o relator, ele fará um relatório técnico, pautado nas discussões a serem travadas na Comissão Parlamentar.

 

"Nunca fui vereador de situação, nem oposição. Sempre estou ali na base, fazendo coisa para a população. Eu levo uma emenda, uma indicação, uma obra no bairro. Eu sou independente, nunca fui oposição ferrenha... Mas também não vou ficar dando beijinho aqui e ali", finalizou Adevair Cabral.

 

Oitivas

 

O servidor da Assembleia Legislativa, Valdecir Cardoso de Almeida, responsável por instalar as câmeras no gabinete do delator Silvio Cezar Correa, deveria ter comparecido na primeira oitiva da CPI, realizada no dia 7 deste mês. Valdecir, entretanto, não compareceu no depoimento, alegando motivos de férias e viagem com a família.

 

O servidor, agora, pode ser obrigado a depor. A Justiça afirmou que a CPI do Paletó tem autonomia para pedir a Polícia Civil para buscar, coercitivamente, Valdecir Cardoso e leva o servidor até o Parlamento Municipal. Na próxima semana, será a vez da oitiva do ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Silvio Correa.

 

Ainda deverão depor, o próprio ex-governador, além do secretário de Comércio e Industria, Allan Zanatta.

 

A CPI

 

A Comissão investiga o vídeo do prefeito Emanuel Pinheiro recebendo maços de dinheiro quando era deputado estadual. Os vídeos foram anexados na delação do ex-governador junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

 

Além disso, o áudio encontrado pela Polícia Federal na residência do prefeito, durante a operação Malebolge, é objeto da investigação. O áudio foi gravado por Zanatta, com o delator Silvio Cezar Correa. O arquivo foi divulgado com distorções no conteúdo. O objetivo seria desclassificar a delação. Para alguns parlamentares, o fato pode configurar obstrução da Justiça.  

 

A CPI foi instalada no meio do mês de novembro é formada pelo presidente, vereador Marcelo Bussiki (PSB); um membro, vereador Mário Nadaf (PV) e pelo relator, vereador Adevair Cabral. A Comissão tem prazo de 120 dias, que começou a contar a partir da primeira sessão deste ano, para concluir as investigações. 

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