Sexta-Feira, 11 de Agosto de 2017, 09h:40

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Empresa "fantasma" recebeu R$ 16,2 milhões do Consórcio VLT, diz documento

Por: FELIPE LEONEL

Uma empresa fantasma, investigada por lavagem de dinheiro nas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), recebeu R$ 16,2 milhões do Consórcio VLT Cuiabá - Várzea Grande. Os investigadores da Polícia Federal constataram que no endereço da Cohabita Construções não havia faxada, além de ser a residência de um dos investigados. 
 
Essas informações constam na representação de medida cautelar de busca e apreensão, cumprido pela Polícia Federal, na última quarta-feira (9). Durante cumprimento do mandado, os investigadores verificaram que no local havia apenas um "funcionário" e que durante toda a tarde, nenhum outro colaborador apareceu para trabalhar. 
 

 

silval vlt brt

"Além de não existir placa indicativa da empresa, havendo apenas uma sala que seria um escritório, no momento em que os policiais federais estiveram lá, durante a tarde e em horário comercial, a pessoa responsável e nenhum outro funcionário foram encontrados no local", informou o documento. 
 
A Cohabita, que tem capital social declarado em R$ 10 milhões, conforme consta no site da Receita Federal, "funcionava" em apenas uma sala. Além disso, na  "sede" da empresa, também funciona outras duas empresas: S2 Participações e Guaná Construtora. Além disso é a residêncoia de João Carlos Simoni. 
 
O Ministério Público Federal (MPF) constatou também que a Cohabita e mais duas empresas investigadas se "auto-ajudavam" para cobrir a realização de negócios, como a contração de empréstimos com instituições financeiras. Estes valores eram utilizados para financiar campanhas políticas do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e de seu grupo político. 
 
"As empresas Todeschini, Constil e Cohabita, conquanto sejam pessoas jurídicas diversas, são utilizadas por seus sócios como empresas cobertura para realização de negócios", diz trecho do documento.
 
No caso concreto, apurado pelas autoridades, a empresa Todeschini tomou um empréstimo junto ao Banco Rural, no valor de R$ 29,5 milhões, e apresentou como uma das garantias um suposto contrato da empresa Constil.
 
O ex-governador, em depoimento ao MPF, disse que o empréstimo contraído pela Todeschini junto ao Banco Rural era para quitar dividas eleitorais de seu grupo político, em 2010.
 
Um empréstimo, revelado pelo documento, foi tomado pela Todeschini junto ao Bic Banco, no valor de R$ 16,2 milhões. Este é o mesmo valor repassado à Cohabita pelo Consórcio VLT Cuiabá - Várzea Grande.  
 
As autoridades ressaltaram, ainda, que estas três empresas possuem seus quadros societários compostos por membros de uma mesma família. "A Todeschini, Constil e Cohabita pertencem ao mesmo grupo empresarial, sendo que a constituição societária é permeada por pessoas interligadas por laços familiares conforme demonstra o diagrama societário de fls. 100".
 
Entenda a composição da sociedade na imagem abaixo:

 

Credito: Reprodução
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