Domingo, 02 de Abril de 2017, 09h:03

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Bancada de MT se divide sobre reforma previdenciária; trabalhadores vão às ruas

Por: GLAUCIA COLOGNESI

Os trabalhadores brasileiros organizam para o próximo dia 28 de abril uma nova manifestação contrária à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287/2016, que trata da Reforma da Previdência. A mensagem  foi enviada ao Congresso Nacional pelo presidente da República, Michel Temer (PMDB). E é alvo de crítica dos trabalhadores e sindicatos, que apontam o desmonte da aposentadoria e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

 

Reprodução/HiperNoticias

bancada federal de mt

 

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) promete para o dia 28 de abril a maior greve geral dos últimos tempos. Conforme a agência de notícias Routers Brasil, mais oitos centrais sindicais já convocaram os profissionais para a nova paralisação em todas as capitais brasileiras. A manifestação também será contra projeto de lei que regulamenta terceirização e reforma trabalhista.

 

O primeiro ato de protesto foi no dia 15 de março com a paralisação nacional dos servidores públicos. Em Cuiabá, mais de 2 mil pessoas se reuniram na Praça Alencastro, e outras centenas de milhares de pessoas foram às ruas em várias capitais do país. A segunda foi na sexta-feira (31 de março), mas nem todas as capitais aderiram.

 

Temerários em relação à opinião pública e incertos sobre os números apresentados pelo governo em relação ao rombo na Previdência Social, os parlamentares evitam tomar partido ou opinar sobre detalhes da proposta. Alguns inclusive sugerem, como o deputado federal Nilson Leitão (PSDB), que a reforma seja adiada. “É preciso conhecer os números, depois disso poderemos falar num texto correto para a reforma”, avaliou Nilson.

 

Alguns também defendem que, antes de reforma, seja feita uma auditoria para revelar qual é a real situação financeira, quais são os números verdadeiros sobre a quantidade de aposentados, e se realmente há déficit, fraudes, rombos e desvios na Previdência do país. Além de Nilson Leitão, Adilton Sachetti (PSB) também defende esta tese. “Os sindicalistas dizem um número e o Governo diz outro, e você acredita em quem?”, questionou Sachetti.

 

Outros preferem Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), em vez de auditoria como os deputados federais Ságuas Moraes (PT) e Vitório Galli (PSC) e os senadores José Medeiros (PSD) e Wellington Fagundes (PR). Eles discordam de quase tudo da reforma. “Sou contra o tratamento igual a trabalhadores desiguais, como, por exemplo, a equiparação do tempo de serviço da mulher ao do homem. Também não apoio a ideia de nivelar todas as profissões, sem aposentadoria especial a atividades insalubres ou com periculosidade, igualando os trabalhadores rurais, policiais e professores aos demais profissionais”, ponderou Ságuas.

 

“Do jeito que está não voto nela. Eu sei que precisa de reforma, mas do jeito que está não adianta. Eu já assinei proposta de CPI para investigar, nós temos que procurar quem está devendo à Previdência e cobrar e colocar os ladrões na cadeia. Tem muita coisa para arrumar nesta reforma”, informou Galli.

 

“Há grandes empresas que devem a previdência, já o trabalhador não tem essa opção, porque já tem o valor descontado na folha. Essa forma radical como o Governo colocou não vai passar, não será aprovada de jeito nenhum”, afirmou Wellington.

 

E há aqueles que defendem que a reforma deve ser feita o mais rápido possível e que são contra auditoria e CPI, como é o caso do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB). Para ele, a reforma já deveria ter sido feita há muito tempo. “Isso aí é um subterfúgio de quem fala isso, de auditar, quer sair do problema. Acho que o maior mérito do político é enfrentar dificuldade, oportunista que só quer estar na boa. Na política você tem que enfrentar questões sérias. Todo mundo sabe que a previdência causou um rombo incomensurável nas contas do país e, se isso perdurar, dentro de pouco tempo nós não vamos ter dinheiro para pagar os aposentados. 70% da população será atingida, isso é o caos”, afirmou.

 

Item da reforma rejeitado por quase a unanimidade dos parlamentares da bancada mato-grossense são os 49 anos de contribuição ininterrupta. “Muita gente vai receber a aposentadoria no caixão. Do jeito que está não vai passar”, afirmou o senador José Medeiros (PSD). “Essa é a PEC da Morte, porque metade dos brasileiros vai morrer sem conseguir se aposentar”, protestou o deputado federal Ságuas Moraes (PT). O único que se diz em cima do muro quanto a este tempo de contribuição é o deputado federal Carlos Bezerra. “Isso ai eu não tenho bem definido, estou acompanhando o debate para definir”, afirmou Bezerra.

 

Há 1 ano e seis meses das eleições, servidores, trabalhadores privados, e centrais sindicais estão de olho nos parlamentares e prometem “dar o troco nas urnas” caso defendam interesses governistas em detrimento do interesse do povo. A reforma vai passar pelo crivo de 513 deputados e 81 senadores.

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