Quinta-Feira, 08 de Março de 2018, 16h:45

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Suspeito de matar grávida fugiu de salve do Comando Vermelho

Por: LUIS VINICIUS/MAX AGUIAR

Suspeito de ser o mandante do assassinato da jovem Viviane da Silva Ângelo, de 18 anos, Mateus Rodrigues Pinto, vulgo Batata, 19 anos, afirmou em depoimento, prestado na quarta-feira (7), que escapou de ter tomado um “salve” de membros do Comando Vermelho, dois dias após a vítima ser encontrada morta e com o rosto desfigurado. Ela estava grávida de sete meses quando foi morta, na região da Ponte de Ferro, em Cuiabá. 

 

Mateus, foi um dos alvos da Operação Maat, desencadeada pela Polícia Civil para prender autores de feminicídios cometidos na região metropolitana, na manhã de quarta-feira (7). Segundo a namorada do suspeito, identificada pelas iniciais A.S.L, ao HiperNotícias,  por pouco seu namorado não se tornou mais uma vítima da facção criminosa. 

 

Segundo A.S.L, o depoimento de Mateus durou cerca de 02h30 na DHPP, e ele afirmou que ficou sabendo da morte de Viviane ainda na cadeia por meio de site de notícias e que começou a ser acusado do crime após fazer uma publicação no seu Facebook, ainda quando estava preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Na época, ele cumpria pena por roubo, cometido junto com Viviane a loja Flamboyant. 

 

PJC

BATATA MATHEUS CASO VIVIANE DHPP

 Mateus foi preso por suposta participação na morte de Viviane

Durante o interrogatório, segundo a namorada do rapaz, Matheus negou qualquer tipo de envolvimento na morte da jovem e afirmou que começou a ser acusado depois de postar no Facebook a seguinte frase: “trocou o certo pelo duvidoso, perdeu a vida e ganhou choro”. "Ele postou a frase, no dia que a Viviane foi encontrada morta. Por isso chegaram a confundir. Mas a frase era por causa de uma briga que nós tivemos", disse A.S.L.

 

O acusado disse também que ficou sabendo da morte de Viviane, após um colega de cela mostrar a notícia de um site de Cuiabá no celular. Desde então, começou a sair "falatório" dentro e fora da cadeia que ele havia participado do crime.

 

Dois dias depois de encontrarem o corpo da jovem grávida, já em 20 de fevereiro, Mateus disse que teve uma reunião com membros do Comando Vermelho dentro da cadeia. Lá, eles perguntaram sobre a morte de Viviane. Novamente, Mateus negou a autoria e pediu para que "os caras da cadeia corressem dentro para saber se ele tinha envolvimento", contou.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

delegada juliana chiquito palhares/DHPP

Quem cumpriu a ordem de prisão contra Mateus, foi a delegada Juliana Palhares

A jovem ainda disse que, passados 20 minutos após o “interrogatório”, Mateus que ganhou o alvará de soltura. Depois que ele saiu, logo tentaram uma armadilha contra ele, no dia 21.

 

"O mateus disse que os caras do presídio ligaram para ele perguntando se eles queriam fumar maconha e que era para ele ir buscar o “brown” no bairro Centro América. Ele aceitou foi até o local marcado, com dois conhecidos. Esse matagal fica perto do Detran (no Centro Político e Adminsitrativo)".

 

Depois que eles fumaram, os rapazes começaram a interrogar sobre a morte de Viviane. Um dos homens rendeu Batata e disse que a ordem era para amarrá-lo.

 

"Após amarrar Mateus, esse homem, que seria membro do Comando Vermelho, foi buscar outros dois comparsas que não estavam conseguindo encontrar o local. Enquanto isso, o outro rapaz, que era para ficar cuidando dele, se distraiu e Mateus aproveitou e correu. Chegou perto do Detran, conseguiu um celular e me ligou, falando pra eu sair de casa, porque iam me matar", comentou A.S.L. 

  

Ao HiperNotícias, a jovem também disse que ela não tem nenhuma participação no homicídio e que agora espera que tudo se resolva. 

 

Os depoimentos de Mateus e de A.S.L., que também prestou esclarecimentos à DHPP, serão investigados pela delegada Juliana Palhares. 

 

Salve

 

O salve, relatado pela fonte, é uma espécie de repressão a pessoas que "descumprem a ordem do Comando Vermelho". Mateus seria vítima desse salvo, porém conseguiu fugir. O último salve, divulgado pelos membros da facção, foi filmado e espalhado à imprensa, pois mostra dois homens, que seriam participantes da morte da grávida, sendo decapitados. As mortes também teria sido encomendadas pela facção. 

 

Um rapaz de camisa azul amarrada na cabeça, identificado na filmagem como João, usa um facão para cortar e decapitar as vítimas, que estão de joelhos e com os braços amarrados.

 

As cenas, que se assemelham com ataques do Estado Islâmico, foram gravadas em Cuiabá. E a todo o momento os envolvidos gritam que fazem parte do Comando Vermelho, facção criminosa liderada por Sandro Louco, em Mato Grosso. "Aqui é tudo 2, tudo 2", gritam e vibram os executores, fazendo menção à sigla CV.

 

O tal "João", recebe a ordem do rapaz que está filmando. "Vai João, vai João". Em seguida, o rapaz passa o facão no pescoço da vítima, que ainda viva chega a gemer de dor. Logo após, o executor retira a cabeça do corpo e coloca ao lado do corpo do mototaxista. Essa primeira vítima, antes de ser executada, é interrogada pelos membros da facção. Os homens até hoje estão desaparecidos.

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