Quinta-Feira, 09 de Agosto de 2018, 08h:02

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Líderes do Comando Vermelho cobravam R$ 100 para cadastro de novos membros; presos pagavam R$ 30

Por: LUIS VINICIUS

As principais lideranças da maior facção criminosa de Mato Grosso, Comando Vermelho (CVMT), organizavam um verdadeiro esquema financeiro para arrecadar recursos em prol do grupo. Para se ter ideia, os criminosos coordenavam as ações da organização semelhante a uma empresa, na qual cada membro era responsável por uma atividade. 

 

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De acordo com o delegado Luiz Henrique de Oliveira, coordenador de Inteligência da Polícia Civil, os líderes do Comando Vermelho cobram mensalidade de R$ 100 para o “cadastro” de novos faccionados que estão em liberdade. Já para os criminosos que estão presos, o valor cai para R$ 30.

 

Segundo a investigação, a facção arrecada por mês cerca de R$ 170 mil e mais de 1,2 milhão, por ano, com as mensalidades pagas pelos faccionados, sem contar outras fontes de sustentabilidade da facção criminosa.

 

“Para entrarem na facção criminosa, os líderes cobravam uma mensalidade de R$ 100 dos criminosos. Isso, eles chamavam de mensalidade da camisa, eles chamam essa forma de camisa. Esse valor gira em torno de R$ 100 reais para quem estava em liberdade e R$ 30 para quem está preso”, explicou a autoridade policial aos jornalistas durante entrevista coletiva, em Cuiabá.

 

Na manhã desta quarta-feira (8), a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) deflagrou “Red Money” para cumprimento de 94 mandados de prisão preventiva contra membros do Comando Vermelho. Também foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão domiciliar, 80 ordens judiciais de bloqueios de contas correntes, além de sequestro de bens (veículos, joias, imóveis) e valores. Ao todo são 233 ordens judiciais decretadas para operação. 

 

A investigação iniciada há mais de 15 meses busca apreender patrimônio e descapitalizar a principal facção criminosa, cujas lideranças estão no maior presídio de Mato Grosso, a Penitenciária Central do Estado (PCE). Segundo a apuração, a organização desenvolveu internamente um sistema de arrecadação financeira próprio, criando assim um grande esquema de movimentação financeira e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas de fachadas, contas bancárias de terceiros, parentes de presos, entre outros.

 

A investigação da operação desmontou um engenhoso esquema de arrecadação de dinheiro desenvolvido pela principal facção criminosa do Estado, cujos capitais são oriundos de pagamento de mensalidade de faccionados e traficantes e taxas de falsa segurança em comércios. Outra fonte de renda vem de crimes articulados de dentro dos presídios como roubos e furtos de veículo e agências bancárias, tráfico de drogas, estelionatos diversos.

 

No período de um ano e meio (01/06/2016 a 18/01/2018), entre entradas e saídas de 44 contas investigadas na operação, foram identificados movimentação de aproximadamente R$ 52 milhões.

 

O montante é usado no enriquecimento ilícito das principais lideranças com a compra de veículos de alto valor, propriedades rurais e urbanas. Carros luxuosos são ostentados pelas mulheres das lideranças, que são bancadas com o dinheiro da atividade criminosa.

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2 Comentários

Republicana - 11/08/2018

Melhor entregar ao PCC administração do país tudo comprado e articulado tá rolando muita grana

Boto-cor-de-rosa - 10/08/2018

Nossaaaa.. 1.2 milhões? Tem que combater mesmo. Essa facção não é rentável pro país. Deixa o pcc tomar conta pq eles gerenciam melhor o jogo. Comando vermelho teve presidente da república. Tudo indica que o proximo é pcc.

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