Quinta-Feira, 19 de Abril de 2018, 11h:30

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Laudo da Politec aponta que verdureiro morreu de politraumatismo

Por: LUIS VINICIUS

O resultado do exame de necropsia do vendedor de verduras Francisco Lucio Maia, 48 anos, que foi atropelado e morto na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, apontou que o verdureiro morreu ao sofrer um politraumatismo (diversas fraturas pelo corpo) causados pelo impacto da batida do carro. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Perícia Oficial Técnica de Identificação (Politec).

 

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De acordo com informações, Francisco foi atingido pelo veículo dirigido pela dermatologista Letícia Bortolini, de 35 anos. O verdureiro foi arremessado e bateu em uma árvore. Diante disso, aconteceu as fraturas. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local do acidente. A médica, que aparentava estar alcoolizada, fugiu sem prestar socorro.

 

O laudo deverá ser disponibilizado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso, dentro de 10 dias. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), sob os trabalhos do delegado Christian Cabral. O agente deverá concluir o inquérito nos próximos 30 dias.

 

Letícia foi indiciada por homicídio culposo e omissão de socorro. No dia do acidente, o esposo da suspeita, o urologista Aritony de Alencar Menezes, de 37 anos, estava no banco de passageiro e também deverá responder por omissão de socorro, por se tratar de um médico. Em depoimento, o profissional de saúde alegou que estava dormindo e que não viu o momento do atropelamento, e se caso for comprovado a alegação ele não deverá responder o processo judicial.

 

“Ele foi bastante evasivo no depoimento. Ele confirmou que quem saiu dirigindo foi a sua esposa, isso é importante, mas nós já tínhamos isso. Continuamos trabalhando para que não haja dúvidas sobre disso. Ele negou que presenciou a Leticia fazer o consumo de álcool durante o evento. O médico afirmou que não observou que a sua esposa estava bêbada quando estava dirigindo. Logo depois, ele contou que entrou no carro, dormiu e que só ficou sabendo do atropelamento quando os policiais foram até a sua casa e informaram do acidente”, disse o delegado Christian Cabral à reportagem.

 

Letícia foi presa ainda na noite de sábado (14), em uma residência no bairro Jardim Itália, em Cuiabá. No domingo (15), a juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, da 9ª Vara Criminal, converteu a prisão temporária em preventiva durante audiência de custódia. Na ocasião, a magistrada afirmou que a médica tinha "personalidade criminosa", pois atropelou e matou o comerciante, fugiu do local do acidente e não acionou socorro ou autoridades ao local do crime.  A juíza também ponderou que a acusada, sendo médica, tinha o poder e o dever de prestar socorro à vítima, mas não o fez.

 

Na terça-feira (17), o desembargador Orlando Perri acolheu o pedido da defesa de Letícia feito sob o argumento de que ela tem um filho com 1 ano de idade e que precisa de cuidados, é responsável pelo sustento da criança, além de que não tem antecedentes criminais.

 

Como condição para que Letícia deixe a prisão, o desembargador impôs algumas medidas cautelares, entre elas comparecimento mensal ao juízo, não frequentar bares e clubes, recolhimento noturno, não pode consumir bebidas alcoólicas e entorpecentes, não pode se envolver em outros delitos. Caso Letícia infrinja alguma das medidas ela pode ser recolhida para o regime fechado, novamente.

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