Terça-Feira, 12 de Junho de 2018, 10h:43

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Delegado registra boletim de ocorrência contra vice-presidente de sindicato por calúnia e difamação

Por: LUIS VINÍCIUS

O delegado da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), Cristian Cabral, registrou um boletim de ocorrência contra o vice presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais Criminais de Mato Grosso (Sindpeco), Alisson Trindade, por calúnia e difamação. O documento foi registrado na manhã desta terça-feira (12), em Cuiabá.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

delegado cristian cabral

 

A denúncia foi feita após o sindicalista, alegar na tarde de segunda-feira (11), durante entrevista coletiva em um hotel da Capital, que o delegado agiu ilegalmente ao pedir para uma empresa privada medir a velocidade do veículo Jeep Compassa, dirigido pela dermatologista Letícia Bortolini, de 37 anos. A profissional de saúde atropelou e matou o verdureiro, Lúcio Francisco Maia, de 48 anos.

 

A categoria afirmou que o documento divulgado é parcial e inconclusivo. Ele faz parte do relatório que conta com outras etapas de análise para apontar a velocidade do Jeep Compass, conduzido pela médica, ao bater no comerciante. Afirma que a velocidade de 30km/h declarada não é verídica.

 

“O delegado interpretou erroneamente o laudo, que é apenas uma parte do documento total. Analisados todos os aspectos poderemos finalizar o laudo e dizer a real velocidade”, informou um dos sindicalistas durante coletiva na tarde desta segunda-feira (11).

 

Conforme a categoria, a atitude do delegado de requerer análise a cena do atropelamento e laudo ao Laboratório Forense Lab Perícias e Consultoria  foi ilegal, visto que o documento contestado não estava terminado.

 

Diante disso, Cabral registrou uma queixa contra o sindicalista por calúnia e difamação.  

 

“Narra o comunicante que, na data de 11/06/2018, por volta das 16:00 hs, durante coletiva de imprensa realizada pelo sindicato dos peritos oficiais criminais de mato grosso - Sindpeco, na sala Viola de Cocho, no Hotel MT Palace, nesta capital, o vice presidente da entidade, Alisson Trindade, teria imputado falsamente ao comunicante a prática de ato criminoso e ofensivo a sua reputação”, diz parte do boletim de ocorrência registrado pela autoridade policial.

 

Na manhã desta segunda-feira, o delegado afirmou que “o sindicato está agindo com paixão e sabe-se lá com que tipos de interesses”. Ao HiperNotícias, o policial revelou que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) é uma instituição séria e comprometida com a verdade. No entanto, afirma que os sindicalistas “defendem cegamente” o laudo pericial em que, segundo o delegado, possui erro na velocidade de impacto.

 

Impasse 

A polêmica começou após a Politec emitir um laudo declarando que o carro dirigido pela dermatologista Letícia Bortolini, de 37 anos, estava a 30km/h, ao atropelar o verdureiro, Lúcio Francisco Maia, de 48 anos. Diante disso, Cabral solicitou que o Laboratório Forense Lab Perícias e Consultoria realizasse um outro exame, que constatou uma velocidade de 95 km/h. Valor três vezes maior do levantado pelos peritos.

 

Na tarde de segunda-feira (11), o Sindpeco convocou uma coletiva com os jornalistas, onde acusou o delegado de ter agido ilegalmente ao pedir laudo a laboratório particular, antes que a Politec concluísse o relatório. Pois, conforme os peridos, o material divulgado é parte do documento e não foi concluisivo quanto a velocidade no momento do impacto.

 

“O Sindicato dos Peritos Criminais está agindo com paixão e sabe-se lá com que tipo de interesses. O que eu senti é que a instituição Politec está preocupada em revelar esse laudo com precisão, com verdade, com lisura e com transparência. Ao contrário do sindicato que defende cega e apaixonadamente aquele laudo originário que infelizmente foi equivocado na parte que fala da velocidade de impacto. O laudo tem muitas informações corretas, de relevo, mas na hora que ele fala da velocidade de impacto, o perito foi infeliz e errou. Mas o sindicato com paixão não aceita isso”, explicou o delegado à reportagem.

 

Cabral disse que os sindicalistas foram insensíveis ao convocar a coletiva de imprensa apenas para criticá-lo e não para apontar os erros presentes no laudo feito pela própria instituição.

 

“Se os peritos tivessem sensibilidade e seriedade teriam convocado coletiva para esclarecer os pontos controvertidos do laudo do local. Eles tinham que esclarecer que mesmo o laudo falando da ausência de marcas de frenagem antes e após o sitio de impacto, mesmo da distância e intensidade com que o corpo da vítima foi lançado, a velocidade de impacto seria de 30 km/h”, ponderou.

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