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Segunda-Feira, 02 de Janeiro de 2017, 08h:52

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Veja quem são os réus das 4 fases da Operação Sodoma; desvios somam R$ 48 milhões

Por: JESSICA BACHEGA

Pouco mais de um ano após a deflagração da Operação Sodoma, que mandou para a prisão o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), as investigações apontam que foram desviados cerca de R$ 48 milhões dos cofres públicos sob a gestão do peemedebista. O valor pode ser maior já que as investigações não foram concluídas.

 

A operação, que está na quarta fase, foi desencadeada pela Delegacia Fazendária (Defaz) para investigar a existência de um grupo criminoso formado por ex-secretários de Estado sob a liderança do ex-governdor.  

Alan Cosme/HiperNoticias

silval barbosa

 

Alan Cosme/HiperNoticias

silval barbosa

 Silval Barbosa durante audiência

A organização atuava promovendo desvios de dinheiro público, cobrando propina de empresários em troca de incentivos ficais, manutenção de contratos com o Estado e superfaturamento de valores pagos por desapropriação de área.

 

Cerca de R$ 77 milhões, entre contas bloqueadas e bens sequestrados, já foram recuperados pela Defaz. O valor permanece retido até o julgamentos dos réus, como garantia do ressarcimento aos cofres públicos. Os valores que excederem o montante que foi comprovadamente desviado serão devolvidos aos acusados. Isso também em caso de absolvição.

 

Sodoma 1

 

A operação foi deflagrada em 17 de setembro de 2015. Os delatores do esquema, os empresários Júlio Minori, dono da Webtech, Willians Paulo Mischur, proprietário da Consignum e João Batista Rosa, dono do Tractor Parts, confirmaram ao Ministério Público Estadual (MPE) e à Justiça pagamento de valores para a organização. 

 

O dono da Tractor Parts informou o pagamento de R$ 2,5 milhões para o esquema e Mischur revelou que repassou R$ 17,5 milhões para o grupo entre os anos de 2011 e 2014.

 

Conforme o MPE, o dinheiro recolhido com a cobrança de propina era utilizado para a aquisição de bens para os membros do grupo. 

 

Nesta fase foram presos ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e os ex-secretários da Casa Civil, Pedro Nadaf, e da Fazenda, Marcel de Cursi.

 

Os recursos ilícitos também foram direcionados para o pagamento de despesas da campanha do ex-governador e de aliados.

 

Sodoma 2,

 

A segunda fase da operação foi desencadeada em 11 de março. A compra do terreno na Avenida Beira Rio é alvo desta fase da investigação.

 

Pelo menos R$ 13 milhões foram destinados para a compra do terreno que foi efetuado por meio de negociação entre o ex-secretário de Administração, Cezar Zílio, o arquiteto José da Costa Marques e o empresário Willians Mischur. Até mesmo o nome do pai já falecido, Zilio colocou no contrato de compra do terreno para dar credibilidade ao mesmo.

 

A área adquirida pertencia ao empresário André Maggi, filho do senador Blairo Maggi.

 

Sodoma 3

 

Foram duas ações deflagradas nesta etapa. A primeira ocorreu no dia 22 de março e teve como alvo novamente  o ex-governador do Estado, e também o ex-secretário de Administração, Pedro Elias Domingos, o ex-chefe de gabinete do governador Silval Barbosa, Silvio Cezar Correa de Araújo. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido em desfavor de Pedro Elias.

 

Já na segunda ação, desencadeada no dia 25 de abril,  foi cumprido mandado de prisão contra o médico Rodrigo Barbosa, filho do ex-governador. Os atos de corrupção e desvios cometidos pela organização são alvos da investigação.

 

Sodoma 4

 

Desta vez, o alvo foi a compra irregular de um imóvel no Jardim Liberdade, em Cuiabá, no qual o Estado pagou R$ 31.715 milhões pela desapropriação.  No entanto, R$ 15,8 milhões foram revertidos em benefício do grupo.

 

Na investigação, além dos secretários do governo e o próprio governador, foram denunciados os empresários Valdir Piran acusado de receber R$ 10 milhões dos valores desviados.

 

Réus da Sodoma:

 

Silval da Cunha Barbosa: o ex-governador é citado como líder da organização que ordenava as fraudes. É citado em todas as fases da Operação e está preso desde setembro de 2015.

 

Pedro Jamil Nadaf: ex-secretário de Indústria, Comércio, Minas (Sicme) e da Casa Civil. Ele assumiu, em depoimento, que fez parte do esquema e intermediou pessoalmente a cobrança de propina e desvios. É citado nas quatro fases da operação e ficou preso durante 11 meses.

 

Marcel Souza De Cursi: ex-secretário de Fazenda. É apontado como mentor intelectual do esquema. Está detido desde a primeira fase.

 

Rodrigo Da Cunha Barbosa: médico, filho do ex-governador, é acusado de participar do esquema. Foi preso e solto em abril, mediante pagamento de fiança. Está sob monitoramento eletrônico e é réu na Sodoma 3 e 4.

 

Silvio Cezar Corrêa Araújo: ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, considerado o sub-líder do esquema, atuando na cobrança de propina e recebimento dos repasses ilícitos. Está preso desde março passado. Figura como réu nas fases 2, 3 e 4.

 

José de Jesus Nunes Cordeiro: coronel aposentado da Polícia Militar. É citado como o “braço armado” do ex-governador. Foi secretário-adjunto de Administração da gestão Silval. Está preso desde março deste ano.

 

Cezar Roberto Zilio: ex-secretário de Administração, acusado de envolvimento no esquema. Foi preso e se encontra hoje na condição de delator.

 

Pedro Elias Domingos: ex-secretário de Administração. É delator do esquema e se comprometeu a devolver R$ 2 milhões que teria recebido de propina. Foi preso na segunda fase da operação e solto após homologar a delação. Tinha papel de destaque nas negociações ilícitas da organização. 

 

Francisco Gomes de Andrade Lima Filho “Chico Lima”: procurador aposentado do Estado. Era o responsável por emitir parecer favorável às licitações e liberação de benefícios de empresas que pagavam propina para a organização. Os processos mais “difíceis” eram passados para aprovação dele. Foi preso em fevereiro e liberado em abril. Cumpria medidas cautelares no Rio de Janeiro quando foi preso, novamente, na Operação Sodoma 4. E encontra-se recluso no Centro de Custódia da Capital. Figura como réu em todas as estas da operação.

 

Karla Cecília De Oliveira Cintra: era secretária de Pedro Nadaf na Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio). Ela é acusada de trocar cheques recebidos pela organização como propina. Também efetuava pagamentos utilizando os cheques. Foi presa em 11 de março e solto no dia 14 do mesmo mês.

 

HiperNotícias

Silval Barbosa - Pedro Nadaf - Marcel Cursi

Jose Geraldo Riva: ex-deputado. É acusado de receber parte do dinheiro pago pelo empresário Willians Mischur para financiar sua campanha a governador em 2014. É réu na Sodoma 4.

 

Tiago Vieira de Souza Dorileo: Bacharel em Direito. É acusado de intermediar as negociações entre empresas e o Estado na Sodoma 2.

 

Fabio Drumond Formiga: empresário, dono da empresa Zetrasoft, que “pretendia” assumir o lugar da Consignum no contrato com o Estado mediante pagamento mensal de propina de R$ 1 milhão à organização. É réu na Sodoma 2.

 

Bruno Sampaio Saldanha: servidor público. Acusado de receber propina para fazer "vista grossa". Réu na Sodoma 2.

 

Wallace Guimarães: ex-prefeito de Várzea Grande. É acusado de utilizar suas empresas para receber R$ 2 milhões da organização e financiar sua campanha em 2012. Réu na Sodoma 2.

 

Evandro Gustavo Pontes da Silva: empresário e acusado de ser comparsa de Wallace no recebimento de dinheiro ilícito.  Ele foi presidente da DAE (Departamento de Água e Esgoto) e trabalhou na campanha do ex-prefeito em 2012. Réu na Sodoma 2.

 

Antonio Roni De Liz: dono de gráfica é acusado de participar de fraudes em licitações de material gráfico na Assembleia Legislativa. Réu na Sodoma 2.

 

Arnaldo Alves: o ex-secretário de Planejamento Arnaldo Alves é réu na Sodoma 4, acusado de promover os ajustes orçamentários para que o Estado pagasse pela área. Ele teria recebido R$ 607.500,00 na fraude. Também está citado em desvios de uma desapropriação de terras investigada na Operação Seven.

 

Valdir Piran: o empresário foi preso em Brasília e tinha como função nos esquemas investigados na Sodoma 4, de camuflar a origem do dinheiro recebido pela organização criminosa. Ele seria o seria o agente da lavagem do dinheiro. O empresário foi solto poucos dias após sua prisão sob o pagamento de fiança de R$ 12 milhões. Uma das mais altas já aplicadas no Estado.

 

Alan Malouf: o empresário é acusado de receber dinheiro da organização criminosa e utilizar sua empresa, Buffet Leila Malouf, para tentar despistar a origem ilícita do dinheiro. É acusado pelos crimes de receptação qualificada e lavagem de dinheiro na Sodoma 4.

 

Afonso Dalberto: era presidente do Instututo Mato-Grossense de Terras (intermat) e atuou junto a desapropriação. É acusado na Operação Sodoma 4 de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e coação no curso do processo. Também é réu na Operação Seven, na qual chegou a ser preso, mas foi solto devido a problemas de saúde.

 

João Justino Paes de Barros: ex-presidente da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) é acusado de lavagem de dinheiro na Sodoma 4. Ele é citado como vendedor de ouro ao ex-secretário Marcel de Cursi para despistar a origem do dinheiro. 

 

Antônio Rodrigues de Carvalho: Era proprietário do terreno vendido ao estado. Na Operação Sodoma 4 é acusado de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

 

Levi Machado De Oliveira: é advogado de Antonio de Carvalhao, acusado de lavagem de dinheiro na Sodoma 4.

 

 

 

 

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