Segunda-Feira, 26 de Fevereiro de 2018, 09h:08

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Soltura de Arcanjo preocupa, mas é um direito do preso, diz juiz

Por: JESSICA BACHEGA

Com 67 anos, destes, 15 foram celebrados na prisão, o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro conta as últimas horas até ganhar a liberdade após decisão do juiz Jorge Luiz Tadeu, da Segunda Vara Criminal de Cuiabá, que autorizou a progressão da pena para o regime semiaberto. O reeducando atualmente está na Penitenciária Central do Estado (PCE), preso pelos crimes de lavagem de dinheiro, homicídio e contra o sistema financeiro nacional, que somam 82 anos de reclusão.

 

Assessoria / TJMT

advogado Paulo Fabrinny - julgamento joao arcanjo

 João Arcanjo Ribeiro

Arcanjo foi preso em 2003, no Uruguai, durante a primeira fase da Operação Arca de Noé. Ele veio recambiado para o Brasil e passou por alguns presídios, entre eles a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS) e a Penitenciária Federal de Mossoró (RN). Em setembro do ano passado, após muitas negativas, o preso conseguiu autorização para retornar para sua cidade natal e encontra-se recolhido em uma cela isolada no raio cinco da PCE.

 

Desde que foi preso, Arcanjo só deixa sua cela para interrogatórios no Fórum de Cuiabá e na Justiça Federal em ações que figura como réu.

 

Apesar de o Ministério Público Estadual (MPE) ter manifestado parecer contrário à soltura de Arcanjo, o juiz afirma que o ex-bicheiro tem direito constitucional à progressão, uma vez que já cumpriu a parte da pena que dá acesso a progredir para o semiaberto, apresentou bom comportamento na prisão e os testes psicológicos apontaram que ele está apto para acessar o benefício.

 

O MPE ponderou que a soltura representa um risco para a sociedade e também gera oportunidade de fuga da comarca. Os argumentos foram rebatidos pelo juiz, que afirmou que os crimes mais violentos registrados atualmente são de ordens vindas de dentro dos presídios. 

 

O risco de fuga também foi afastado, uma vez que ao ser submetido a medidas cautelares, Arcanjo irá entregar o passaporte à Justiça.

 

“Nesses 15 anos do preso em regime fechado não houve uma informação sobre cobrança feita, um crime que tenha encomendado, nada que desabone a conduta dele. Ele tem direito e estou cumprindo a lei. Claro que analisei todo o caso e temos a preocupação para que ele não volte a cometer crimes e volte para a prisão”, explica o magistrado.

 

Arcanjo será submetido a audiência admonitória na tarde desta segunda-feira (26), na qual receberá seu alvará de soltura e passará a usar tornozeleira de monitoramento eletrônico.

 

Condenação por homicídio

 

O ex-bicheiro pegou 44 anos pelas mortes de Rivelino Jacques Brunini e Fauze Rachid Jaudy e a tentativa de homicídio contra Gisleno Rodrigues, crimes acontecidos em plena luz do dia, na Avenida do CPA. Ele foi julgado em 11 de setembro de 2014.

 

O ex-bicheiro foi condenado dois anos antes a 19 anos de prisão pela morte do jornalista Sávio Brandão. A condenação prevê o regime fechado. Também houve outras penas menores relacionadas aos caça niqueis.

 

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