Sexta-Feira, 26 de Janeiro de 2018, 14h:18

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"Se alguém morrer, ao menos vai servir como nome de escola", zombava Ledur sobre riscos

Por: JESSICA BACHEGA

Emoção e nervos à flor da pele devem marcar a primeira audiência de instrução do caso Rodrigo Claro, na Sétima Vara de Cuiabá. Ainda do lado de fora da sala do juiz Marcos Faleiros, no Fórum de Cuiabá, Jane Claro, mãe de Rodrigo, demonstrou que está pronta para não deixar impune a morte de seu filho.

 

Alan Cosme - HiperNotícias

caso Rodrigo Claro

 

Ao saber que a tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur, acusada de ser a responsável pela morte do aluno soldado,  não iria à audiência, Jane falou aos jornalistas que ela seria covarde.

 

"Os covardes sempre fogem. Por isso ela não veio", disse Claro, direcionando a tenente. 

 

Além das 22 pessoas que foram convocadas para depor sobre o caso, já estão presentes no Fórum de Cuiabá alguns oficiais do Corpo de Bombeiros, advogados de acusação e de defesa e a família do soldado morto. 

 

A audiência está prevista para durar toda a tarde. Será presidida pelo magistrado Marcos Faleiras, sob o acompanhamento dos promotores de Justiça Sérgio da Silva Costa, Januária Dorileo e Marcia Furlan.

 

 

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Caso Rodrigo Claro

Delegada Juliana Palhares está no Fórum para ser ouvida sobre o caso

14H - Ainda do lado de fora da sala de audiências, o ex-aluno soldado Maurício Júnior dos Santos, que iria formar uma turma antes que a turma do Rodrigo Claro, conversou com os jornalistas e voltou a afirmar que em determinado período do curso a tenente Ledur também agiu de forma ríspida com ele, chegando a lhe enforcar durante o treinamento aquático. 

 

"Aquele curso era meu sonho. Eu queria muito vestir essa farda, mas essa mulher acabou com isso. Ela chegou a passar a corda em meu pescoço e me enforcar, após eu sair da água. Eu estava tremendo e passando mal, o curso havia sido pesado. E eu pedi pelo amor de Deus pra ela me soltar. Mas ela respondeu que eu estava louco, por pegar em oficial. Ela só me soltou porque viu muita gente olhando. Eu fiquei com marcas no pescoço e muita dor. Na época, pedi pra alguns amigos me ajuda, mas ninquém quis. Todos tinham medo. Por isso eu desisti. No outro ano ela agiu de novo e a vítima foi o claro", comentou a vítima, que é uma das testemunhas. 

 

Antes de começar a audiência, foi permitido que fotógrafos e cinegrafistas fizessem imagens. Porém, o juiz Faleiros proibiu que jornalistas fizessem registro por máquina fotográfica ou celular enquanto acontece a audiência. O pedido partiu da defesa da tenente Izadora Ledur, patrocinada pelo advogado Huendel Rolin, e aprovada pelo magistrado. 

 

 

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Caso Rodrigo Claro

 

14H22 - Começa a audiência de instrução do caso. O juiz Marcos Faleiros ouve os advogados e em breve começará a chamar as testemunhas. A delegada Juliana Palhares, responsável pelo inquérito do caso através da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), também está no fórum e será ouvida pelo magistrado. 

 

14h30 - O advogado O Huendel Rolin pediu a remarcação da audiência para que tenham prazo  para se manifestar quanto  ao pedido do Ministério Público. Pois foram pegos de surpresa com o requerimento da mudança da ação no dia 23. "Queremos apenas o prazo legal para nos manifestar por escrito", disse advogado. Ele citou ainda que em alguns locais a lei está sendo cumprida e em outros declinado. O advogado ainda pondera que militares devem ser julgados pelo Conselho Militar.

 

14h45 - O juiz Marcos Faleiros indefere o pedido do advogado Rolin e mantém a audiência na Sétima Vara Criminal.  "Não visualizo qualquer efeito suspensivo no pedido do Ministério Público. Então vou dar o prazo para que o advogado se manifeste e depois vou analisar sobre a alteração da ação para a Vara Militar ou não " afirma o magistrado. 

 

14H47 - O advogado Huendel Rolin disse que até terça encaminha manifestação e o juiz vai analisar a competência. E o juiz rebate: "se a ação mudar para a Vara Militar, a situação do acusado (Izadora Ledur) piora, porque lá não tem variação de regime "comentou o magistrado.

 

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Caso Rodrigo Claro

Juiz Marcos Faleiros é o responsável pela condução da instrução no Fórum de Cuiabá

 

14H59 - O Mpe solicitou ao juiz a suspensão da ação no tocante aos demais acusados de omissão no período de 3 anos. Nesse tempo, os acusados devem ficar sob observação,  não sair da comarca sem autorização,  não participar da banca de análise no Corpo de Bombeiros.  A proposta não se estende a Ledur.

 

A promotora de Justiça, Januária Dorileo, pondera que a acusação de omissão pode gerar pena de 1 a 4 anos e como eles não respondem a nenhum outro processo cabe o benefício de responder em liberdade.

 

15H - A promotora de Justiça, Januária Dorileo, pondera que a acusação de omissão pode gerar pena de 1 a 4 anos e como eles não respondem a nenhum outro processo cabe o benefício de responder em liberdade.

 

Alan Cosme - HiperNotícias

Januária promotora de justiça

 Promotora Januária Dorilêo sugeriu algumas cautelares

15H01 - A pormotora explica aos  réus que  podem ou não aceitar a proposta.  Caso aceitem, a ação é suspensa e não é produzida prova. Caso não aceitem, o processo será desmembrado e eles respondem normalmente até que se prove a culpabilidade ou Inocência.

 

15H03 - Para analisar a proposta da promotora, o juiz autorizou que os acusados e advogados se ausentem para conversar.

 

15H20 - Após alguns minutos de conversa entre advogados e réus, no caso da morte do aluno Rodrigo Claro, as defesas de Marcelo Augusto Reveles Carvalho, Thales Emmanuel Da Silva Pereira, Diones Nunes Siqueira, Enéas de Oliveira Xavier e Francisco Alves de Barros escolhem por acolher a sugestão da promotoria e o caso passa a ser desmembrado.  

 

15h21 - Com isso, somente a tenete Izadora Ledur segue respondendo por tortura. Os outros  permanecam em condicional, tendo que comprovar atividades mensais. Não sair da comarca e realizar cursos. Não podem se envolver em outros processos no período de 3 anos. Caso não cumpram os termos, a ação contra eles e reaberta.

 

15h25 - A partir de agora, começam a ser ouvidos as testemunhas de acusação. O primeiro é o funcionário do Hospital Jardim Cuiabá Rogers Medeiros. Ele estava de plantão quando Rodrigo Claro chegou na unidade médica. 

 

15h35 - Rogers Medeiros é médico neurocirurgião. Ele conta ao magistrado que o caso do aluno podia ser aneurisma ou má formação. Após atender o rapaz e fazer a cirurgia, Rodrigo se manteve estável. 

 

15h39 - O médico disse que ambas hipóteses (aneurisma e má formação) foram descartadas em exame. Porém não pode afirmar o que pode ter causado o dano cerebral. "O sangramento era grande. Você nunca vai imaginar sangramento em uma pessoa jovem. E mais fácil pensar em um tumor " diz o médico.

 

15H45 - A testemunha afirma que a condição do aluno era a mesma de vítimas de trauma mecânico.  Acidente de carro ou moto. "Ele não tinha nenhuma doença  existente. Ele morreu de infecção que pode ter agido pelo sangramento, pela entubação, pela água  ingerida que tem microorganismos" declara o médico.

 

15h59 - "O sangramento pode ter sido causado por tudo o que ele passou. Mas também pode ter sido causado por nada", disse o médico.

 

16h02 - O próximo a ser ouvido é Ayrton dos Santos. Aluno do mesmo pelotão que Rodrigo Claro.

 

16h05 - Rodrigo era calma muito proativo. Nas notas ele era sempre um dos primeiros" disse o bombeiro. Questionado pelo magistrado Marcos Faleiros, Santos declara a rotina dos alunos durante a aula. "Em todas as provas ele era um bom aluno. Ele era bom nas atividades". 

 

16h06 - Questionado sobre a tenente Izadora Ledur, ele afirma que ela era "estranha". "Parecia que ela não gostava da gente. Não se misturava.  Ela deixava a gente de lado", lembra.

 

16H25 - Ayrton continua a responder perguntas sobre a reputação de Izadora Ledur, na instituição Corpo de Bombeiros. De imediato ele confirma: "ela era tida como 01. Que nadava e corria como homem". Diziam que ela era severa nos treinamentos aquáticos. Falavam que ela judiava muito".

 

16h34 - A testemunha narrou o treinamento no qual Rodrigo passou mal. Ele relata que a vítima estava com medo da água e que a tenente passou todo o treinamento tentando afogar o rapaz.

 

16h35 - "Ele saiu da agua  rebocado. Três colegas  ajudaram Rodrigo para que ele não afundasse. Tinha hora que um dos alunos levantava o Rodrigo e a Ledur nas costas para que ele não afogasse", comentou.

 

16h38 - Ayrton ainda conta que depois que Rodrigo foi internado, Ledur comunicou o fato aos alunos. "Ela relatou que ele estava bem mas que era para orar por ele. O soldado ainda conta que na semana que Rodrigo morreu, a tenente não compareceu na instituição. "As instruções também foram interrompidas. Logo pensei que tinha dado merda lá em cima. Aí levamos essa pedrada que ele tinha morrido. Ainda tinha treinamentos para fazer e a gente foi dispensado. Foi muito ruim porque a gente era uma família e tinha tanto plano, tanto sonho".

 

16h40 - Por fim, Ayrton dos Santos ainda lembra que a aluna Roseane também foi alvo da tenente.  "Ela levou caldo na piscina. Levar caldo é muito ruim é desesperador". 

 

16h41 - O advogado Huendel Rolin questionou o preparo físico do soldado Rodrigo Claro. Ayrton diz que ele estava em dias e que antes dos treinamentos passou por exames no Corpo de Bombeiros. 

 

16h47 - Começa o depoimento do terceiro interrogado da tarde. Soldado Maiuson da Silva Santos diz que Rodrigo era um jovem prestativo e que sempre ajudava os colegas.

 

16h49 - Ele repete o que o bombeiro Ayrton havia dito sobre a Ledur, que ela xingava eles dizendo que era a turma mais "burra" que havia treinado. Que eles eram "lixos e burros". Sempre se dirigia aos alunos com palavras de baixo calão. "Ela sempre pegava no pé dos alunos com mais dificuldade", afirma.

 

16h50 - Ele relata que a tenente pegava no pé dos alunos que tinham alguma dificuldade no salvamento aquático, a exemplo de Rodrigo. O soldado reforça que Ledur ficou irritada quando Rodrigo pegou atestado e não participou algumas atividades. “A partir desse dia, ela começou a pegar no pé”. Segundo ele, a tenente apresentou um termo acusatório – espécie de advertência.

 

17H05 - O soldado Maiuson da Silva disse que no dia que Rodrigo passou mal na lagoa, ele era o companheiro de travessia. Ele narra na audiência que por várias vezes Rodrigo pediu para parar, porque não conseguia mais prosseguir o treinamento.

 

17h10 - "Quando a gente terminou ele estava muito cansado e ofegante.  Aí na volta eu pedi para ele ficar de costas e boiar porque ele  não reagia mais. Ele gemia de dor e tive que pedir ajuda para voltar com ele", conta.

 

17h11 - O soldado relata que quando saíram da Lagoa Rodrigo vomitou muita água e reclamava de dor de cabeça. A testemunha disse que foi solicitado que os alunos não comentasse sobre o ocorrido com Rodrigo.

 

17H23 - O soldado ainda lembra que Rodrigo Claro nadava mal. "Na piscina ele ia para a borda porque não conseguia. Ele nadava mal. A tenente dizia que na Lagoa não tinha borda. Que a gente ia conhecer as profundezas da Lagoa Trevisan ", conta o bombeiro.

 

17H43 - Soldado Jefferson Sampaio é o próximo a ser ouvido na audiência de instrução.

 

17h47 - Ele relata que em um episódio a tenente pediu que os alunos confecionassem uma bandeira. Diante da demora na produção, a oficial se irritou e quando os alunos levaram a bandeira ela disse que não precisava mais. "Falou que era para a gente enfiar a bandeira no c...", narra o rapaz.

 

17H54 - Sampaio conta que existe instruções de desvencilhamento, na qual ocorrem os caldos. Porém do dia do treinamento de Rodrigo, era apenas a travessia, que é feito em salvamento no qual o bombeiro carrega a vítima.

 

17h58 - "A todo o momento ele dizia que não queria mais. Pedia pelo amor de Deus para ela parar, que ele não queira morrer. Mas ela não dava ouvidos".

 

18h - O juiz Marcos Faleiros deve ouvir mais três soldados do Corpo de Bombeiros neste primeiro dia de audiências. Já passam de quatro horas de instrução na Sétima Vara de Cuiabá.

 

18h18 - Os pais de Rodrigo Claro, Jane Claro e Antônio Claro, devem ser ouvidos apenas no dia 3 de abril. 

 

18h20 - Começa o depoimento do soldado Welton Costa. Ele diz que a conduta da oficial com os alunos era constrangedor

 

18h25 - Welton ainda relatou que Rodrigo desde o começo do curso tinha dificuldades em atividades na água. "Ela dizia que era froxura. Que a gente não queria desempenhar a função ". 

 

18H40 - A testemunha relata que não tinha nenhuma unidade de resgate no local. Somente uma caminhonete e um barco com o motor estragado que era utilizado com remos.

 

18H53 - O soldado disse que Ledur zombava sobre os riscos de morte na travessia da Lagoa Trevisan. "Ela dizia que se alguém morresse pelo menos ia dar nome a alguma escola ou unidade publica".

 

19h15 - Juiz Marcos Faleiros encerra a audiência e outras testemunhas prestarão esclarecimentos no dia 3 de abril. 

 

Ação

 

Na ação, também são réus Marcelo Augusto Reveles Carvalho, Thales Emmanuel Da Silva Pereira, Diones Nunes Siqueira, Enéas de Oliveira Xavier e Francisco Alves de Barros. Conforme despacho de Faleiros, serão 37 testemunhas de acusação e defesa. Os seis réus também serão ouvidos.

 

O fato ocorreu em 10 de novembro de 2016 durante o treinamento de atividades aquáticas em ambiente natural do 16º curso de formação de soldado bombeiro realizado na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.

 

O caso 

 

O jovem aluno começou a passar mal durante o curso de salvamento em mergulho realizado pelo 1º Batalhão dos Bombeiros na Lagoa Trevisan, que fica às margens da Rodovia Palmiro Paes de Barros, que liga Cuiabá a Santo Antônio de Leverger. A atividade era instruída pela tenente Ledur e supervisionada por outros oficiais que também figuram como réu na ação.

 

Ele foi retirado do campo do curso e levado ao Batalhão, localizado no bairro Verdão, reclamando de fortes dores na cabeça. Primeiramente foi levado à policlínica. 

 

Na unidade médica, o aluno que é filho de um sargento do Corpo de Bombeiros, não apresentou melhora e precisou ser encaminhado para o hospital particular. Desde então, estava internado em coma induzido. O quadro de Rodrigo Claro, segundo laudo apresentado 24h após sua internação, era de aneurisma cerebral. 

 

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