Quinta-Feira, 22 de Fevereiro de 2018, 10h:40

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Preso mais antigo da PCE e autor de roubo mais longo do Brasil ganha liberdade, em Cuiabá

Por: JESSICA BACHEGA

Autor do mais longo assalto registrado no Brasil, o preso Gélio Nelsi da Silva deixou a Penitenciária Central do Estado (PCE), na noite desta quarta-feira (20). Após mais de 12 anos vivendo na unidade prisional, o reeducando de 54 anos passa a cumprir sua longa pena em regime semiaberto. A decisão é do juiz Jorge Luiz Tadeu, da Segunda Vara Criminal de Cuiabá.

 

Marcos Lopes/HiperNotícias

Forum Mato-grossense para Modernização e Humanização do Sistema Penitenciário/Jorge Luiz Tadeu Rodrigues

 Juiz Jorge Luiz concedeu progressão de pena ao preso

A audiência admonitória ocorreu no Fórum de Cuiabá. Gélio tem diversas condenações por assalto e latrocínio que somam 91 anos de prisão, conforme a ação que tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

 

O crime, que Gélio se destacou, ficou conhecido como o mais famoso assalto a banco no Brasil, cometido por ele e seu bando, na cidade de  Goioerê, interior do Paraná. Na ocasião, a quadrilha atacou uma agência do Banco do Brasil e fizeram 23 reféns, entre eles um repórter da emissora de TV local, um padre e uma freira, que permaneceram sob a ameaça dos bandidos por uma semana, até que o grupo se rendesse. A freira foi colocada para intermediar a negociação entre a polícia e o criminoso. Eles queriam um veículo para a fuga e levariam parte do dinheiro recolhido.

 

Após 145 horas do início do roubo, os reféns foram liberados e os criminosos fugiram em um carro fornecido pela polícia. Eles foram até o o aeroporto da cidade, onde um pequeno avião esperava pelos assaltantes, segundo matéria veiculada em jornal local. No desenrolar do crime, a polícia descobriu que a freira era falsa e fazia parte do bando. 

 

Passado alguns anos do assalto, Gélio foi preso. Ele foi condenado a 17 anos de prisão. O roubo aconteceu em 1988 e ainda é lembrado em todo o país como o “mais longo assalto a banco do Brasil”. Na época dos fatos, Gélio ficou conhecido como um bandido muito inteligente e bem informado, sendo responsável pelo planejamento das ações criminosas.

 

Reprodução

freira assalto goiere gelio silva

Presos usaram uma falsa freira e capas amarelas para sair do banco

Conforme os autos, Gélio cometeu o primeiro crime em 1988 e obteve a primeira condenação naquele mesmo ano, quando foi preso pela primeira vez e começou a cumprir pena. Nesses 30 anos, Gélio passou várias temporadas na prisão, sendo a mais longa na PCE, que durou por 12 anos. O cálculo de 14 condenações aponta que ele irá terminar sua condenação somente em 2091. O assaltante teria que viver até os 127 anos para cumprir toda a pena pelos crimes que cometeu nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná.

 

Gélio é considerado um dos presos mais antigos que ainda estavam em regime fechado na PCE. Ele veio transferido do presídio Federal de Campo Grande (MS) no ano 2000.

 

Liberdade

Como alternativa a prisão em regime fechado, o juiz Jorge Tadeu determinou que Gélio seja monitorado com tornozeleira eletrônica, esteja em casa entre as 20h e as 6 horas, preste informações mensalmente ao juízo, não se envolva em novo delito, não saia da comarca sem autorização. O desrespeito às medidas cautelares acarreta em novo retorno à PCE.

 

Na audiência, que ocorreu na Segunda Vara Criminal, após citar as cautelares, o juiz alerta ainda que “com todos os problemas de saúde que o senhor tem, se voltar para a cadeia não sai mais vivo”. Fato que é salientado pelo preso, que diz estar consciente dos deveres e que as medidas serão cumpridas à risca. “Eu sobrevivi 12 anos na PCE, eu consigo cumprir isso”, afirmou.

 

Durante a audiência desta quarta-feira (20), Gélio requereu ao juiz que a pena seja cumprida na cidade de Campo Verde (143 km de Cuiabá), onde sua família mora. O magistrado autorizou o pedido feito pelo preso. 

 

“Eu quero voltar para a roça. Ficar com minha mãe. Com minha família. Preciso sair daqui e ir para o hospital cuidar da minha saúde. Eu quase morri essa semana”, apelou o preso ao juiz.

 

Gélio tem vários problemas de saúde, conforme constam nos autos e também informou ao juiz. Entre os males estão: bronquite crônica, asma, cefaleia, artrite reumatoide, hemorroida grau II e III, esofagite erosiva grau C, Gastrite enantematosa, lesão submucosa em duodeno e tuberculose.

 

Após colocar a tornozeleira eletrônica, Gélio saiu do fórum sozinho, pois a família não foi informado de que ele teria seu alvará de soltura nessa data. “Eu tenho um dinheirinho no bolso, pego um táxi e vou embora”, disse ao juiz que questionou como ele iria embora.

 

Gélio informou que irá ficar no bairro São Lourenço, em Campo Verde durante a noite, mas que irá se deslocar ao sítio que a família tem em uma assentamento rural da cidade, para trabalhar durante o dia.

 

Condenação contestada

Durante a audiência, o preso contestou ao juiz três condenações que teve em Goiás. Ele alega que seus dois colegas de bando morreram em 1999 e 2000 e que ele estava preso no ano de 2006, quando foi atribuído ao grupo assaltos cometidos em cidades goianas. “Eu estava preso e também sou o único que age com comparsas mortos. Se fossem vivos pelo menos...”, ironiza o detento. Ele poderá recorrer das condenações.

 

Veja abaixo uma matéria sobre o maior assalto a banco do Brasil, comandado por Gélio e seu bando. 

 

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