Quarta-Feira, 08 de Agosto de 2018, 16h:00

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Mendes acusa jornalista investigado por extorquir políticos de beneficiar Taques

Por: ANA FLÁVIA CORRÊA

O candidato ao governo do Estado Mauro Mendes (DEM), entrou com um pedido de representação eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em desfavor do jornalista Max Feitosa Milas e do Instituto Reclame Aqui. De acordo com Mendes, o aplicativo “Detector de Ficha de Mentiras”, ligados aos acusados, veiculou seu nome em uma ação de improbidade administrativa. 

 

Alan Cosme/HiperNoticias

reuniao do dem para anuncia mauro mendes

 Mendes diz que Taques também é investigado e quer que nome seja retirado de sites

No pedido, Mendes apontou que o candidato à reeleição Pedro Taques (PSDB), mesmo sendo réu em uma ação, aparece como não tendo nenhum processo. O candidato apontou o tratamento diferenciado entre os dois. 

 

Max Feitosa Milas é réu na Operação Liberdade de Extorsão. Ele é acusado de cobrar propina de empresários e políticos em troca de não publicar conteúdo comprometedor das vítimas em seu jornal. 

 

Consta no pedido do ex-prefeito que Max estaria utilizando da plataforma para beneficiar o atual governador, tendo publicado, inclusive, uma matéria cujo título era: “Detector de Ficha de Político mostra Pedro Taques como único candidato de MT sem processos”. 

 

Com isto, o candidato requereu a adequação ou remoção do detector, bem como a desvinculação do seu nome à imagem de corrupto e a proibição de publicações que sujem a seu nome. 

 

O juiz Mário Roberto Kono de Oliveira, do TRE, por outro lado, afirmou que a Justiça Eleitoral deve intervir o mínimo possível nos conteúdos divulgados na internet para possibilitar o debate democrático. Assim, afirmou que o pedido só pode ser julgado depois que o acusado seja ouvido. 

 

“Ante o exposto, indefiro o pedido liminar apresentado e, via de consequência, determino a intimação dos representados para que, no prazo de 48h, manifestem-se sobre os termos desta representação, instruindo-se o feito com os documentos que entenderem pertinentes”, decidiu.

 

Liberdade de Extorsão 

 

Na operação foram presos Max Milas, Maicon Milas e Antonio Carlos Milas que fazem parte dos veículos de comunicação Centro Oeste Popular, Notícias Max e Brasil Notícias, e foram presos durante a "Operação Liberdade de Extorsão", da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), deflagrada em março do ano passado.

 

Segundo investigação, o grupo vinha agindo há vários anos e o valor cobrado de cada vítima variada de acordo com o poder aquisitivo de cada um, podendo variar de R$ 100 mil a R$ 300 mil. Além dos três jornalistas referidos, mais dois comunicadores, Naedson Martins da Silva e Antônio Peres Pacheco, foram detidos na operação. 

 

Outro lado

 

Em relação à decisão que negou a liminar para retirar o cadastro do candidato Mauro Mendes no aplicativo “Detector de Ficha de Político” e nos sites “Vigie Aqui” e “Detector de corrupção”, a defesa tem a informar que:

 

1) A decisão em momento algum discordou da tese da defesa, que apresentou de forma evidente o tratamento diferenciado dado pelas plataformas no que tange às “fichas” de Mauro Mendes e Pedro Taques, em visível benefício ao segundo em detrimento do primeiro. 

 

2) Como consta na ação, é público e notório que o governador Pedro Taques é investigado no escândalo denominado “Grampolândia Pantaneira”, fato amplamente divulgado pela mídia regional e até nacional. Porém, tal situação não é registrada no aplicativo e nos sites mencionados. 

 

3) No documento, o juiz eleitoral Mário Kono deixa claro que irá apenas analisar o argumento da defesa após ouvir a versão a ser apresentada pelos representantes legais das plataformas, que deverá ser feita em até 48 horas. Somente após esta etapa é que o magistrado deve verificar o mérito ou não do pedido liminar. 

 

4) A defesa confia que a Justiça Eleitoral irá garantir a lisura e a igualdade de condições nesta eleição, coibindo a prática denunciada.

 

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